EUA admitem recuo das tropas russas mas denunciam chegada de tchetchenos

30/05/2014 09:21 - Modificado em 30/05/2014 09:25
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tropasO secretário de Estado norte-americano, John Kerry, confirmou que as tropas russas estão a retirar-se da fronteira com a Ucrânia, mas manifestou a sua preocupação com o facto de “militares da Tchetchénia treinados na Rússia” estarem a entrar no Leste do país, para combaterem ao lado dos separatistas.

 

“Temos provas de que há russos a passar a fronteira, militares da Tchetchénia treinados na Rússia, que passam para o outro lado para agitar a situação, para se envolverem no conflito”, disse Kerry numa entrevista ao canal público norte-americano PBS, na quinta-feira à noite.

 

O responsável norte-americano referia-se à admissão dos próprios separatistas de que os confrontos no aeroporto de Donetsk, na segunda e na terça-feira, contaram com a participação de “voluntários” russos. Na quinta-feira, elementos do Batalhão de Vostok, formado na Tchetchénia e que combateu na guerra da Geórgia sob o comando militar russo, ocuparam a sede dos separatistas em Donetsk, numa operação para estabelecer a ordem entre os combatentes, alguns deles acusados de pilhagens na cidade.

 

Apesar das críticas a Moscovo, Kerry disse ter “esperanças” de que a situação no Leste da Ucrânia se normalize nos próximos tempos. “Falei ontem [quarta-feira] com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Eles manifestaram a esperança de que possa haver uma forma de dar um passo em frente. É claro que nesta situação não bastam palavras; é preciso agir”, disse o responsável norte-americano. O governante apelou ainda à Russia para que “construa um caminho em que os ucranianos sejam uma ponte entre o Ocidente e o Leste”.

 

A presença de combatentes russos – e de outras nacionalidades – é um facto já confirmado no terreno, mas Moscovo mantém que não deu quaisquer ordens para tal, e que se há russos a combater no Leste, eles estão lá por iniciativa própria.

 

O facto de o helicóptero MI-8 das forças ucranianas ter sido abatido por um lança-mísseis portátil de fabrico russo, de acordo com as informações do Presidente em exercício, Oleksandr Turchinov, levou também a Casa Branca a exprimir a sua “inquietação”, frisando que essa informação mostra que os separatistas têm “material sofisticado”.

 

Do lado da Rússia chegaram apelos a um “diálogo nacional” na Ucrânia, que “envolva todas as forças políticas e representantes de todas as regiões”. Caso contrário, frisa o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, a Ucrânia pode “resvalar para uma catástrofe nacional”.

 

Poroshenko promete “punir os terroristas”

Também na quinta-feira à noite, o Presidente eleito da Ucrânia, Petro Poroshenko, prometeu “punir os terroristas e bandidos” que abateram um helicóptero, matando 12 militares, entre os quais um general do Exército.

 

“Devemos fazer tudo para garantir que outros ucranianos não morram às mãos dos terroristas e dos bandidos”, disse Poroshenko, referindo-se às milícias separatistas ucranianas da região Leste do país.

 

“Estes actos criminosos cometidos pelos inimigos do povo ucraniano não vão ficar impunes”, declarou o novo Presidente, que tomará posse em Junho.

 

Na mesma comunicação ao país, citada pelos jornais ucranianos, Poroshenko disse que “os criminosos” que abateram o helicóptero das forças ucranianas foram “destruídos”.

 

A queda de mais um helicóptero, na quinta-feira (o terceiro desde o início do mês), fez 12 mortos, entre os quais o major-general Sergei Kulchitski, responsável pelas forças especiais da Guarda Nacional da Ucrânia.

 

O ministro da Defesa ucraniano, Mikhailo Koval, vai falar nesta sexta-feira ao país, para dar conta das operações no Leste, quase dois meses depois de os separatistas terem começado a ocupar dezenas de edifícios administrativos e governamentais.

 

Outro dos motivos de preocupação no Leste da Ucrânia é o desaparecimento de quatro observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

 

Na quinta-feira, o homem designado como primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexandr Borodai, disse que não tinha qualquer informação sobre o paradeiro dos observadores: “Não sabemos onde eles estão, e estamos a procurá-los. É possível que se trate de uma provocação para nos acusar falsamente de os termos detido”, disse Borodai, citado pela agência AFP.

 

Horas depois, outro líder separatista, Viacheslav Ponomoarev, que se apresenta como presidente da Câmara de Slaviansk, admitiu que os quatro observadores da OSCE (um dinamarquês, um estónio, um turco e um suíço) foram detidos pelos rebeldes pró-russos, e que seriam libertados “em breve”.

 

 

publico.pt

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