Ex-presidiários: entre uma nova vida, o crime e a descriminação

23/05/2014 07:20 - Modificado em 23/05/2014 07:24

IMG_3767A zona da Tchetchénia, na Ribeirinha, é considerada um bairro a evitar em São Vicente, mas os moradores sustentam que não é bem assim. No entanto, os jovens que moram neste bairro estão à espera de uma oportunidade para mostrarem o próprio valor e serem reintegrados na sociedade. A vida entre o crime e a reintegração social tem sido a dificuldade de muitos destes jovens que querem começar uma nova vida, mas sentem-se impossibilitados já que confessam que têm de lidar com a descriminação pelo facto de serem ex-presidiários.

 

O NN conversou com alguns jovens deste bairro mindelense, todos ex-presidiários, sobre os seus problemas e desafios. O crime, como dizem, não foi uma escolha consciente mas instigada pela necessidade de prover à família. O desemprego assolou-os e, na tentativa de conseguirem algo, não tiveram tanta sorte. “Às vezes cometemos um crime, mas não é por querer, é por falta de solução, porque não vou deixar a minha família passar por necessidades se posso fazer algo”, declara Sandir.

 

A necessidade de prover às próprias famílias leva estes jovens a viverem à margem da lei. “Vamos fazer tudo por tudo para evitar, mas quando chegamos a uma situação em que não podemos aguentar mais”, como acrescenta Ludgero, têm de recorrer ao crime para prover. Diz que é triste ouvir os seus filhos a pedirem algo e não estar em condições de poder prover.

 

O desemprego é o mal que não os ajuda a conseguir algo. Mas a vontade é que possam trabalhar para conseguirem, como ironiza Sandir. Se algum jovem estiver empregado e cometer crime, “é sua cabeça dura” e diz que tem de ser punido. E estes jovens clamam por emprego de forma a resolverem os próprios problemas familiares e no respeito da lei. “Quem comete crime é porque não tem outra solução e são dificuldades de momento: não é algo que tens planeado”, explica Ludgero. Mas estes jovens não podem continuar assim sem trabalho.

 

A dificuldade está em conseguirem emprego. Como sublinham de forma enfática, o problema está na descriminação por serem ex-presidiários. “Quando vamos pedir emprego, a primeira coisa que pedem é o Registo Criminal e o Cadastro Policial. Se tive na cadeia, para quê que vou buscar esses papéis, porque sei que não me vão dar trabalho?”, adianta Sandir. E Adilson acrescenta que estão à procura de uma segunda chance para mostrarem que já mudaram, mas “não nos ajudam neste processo”. “Quando não há trabalho e tenho dois filhos que me pedem algo e não tenho, sou levado a fazer algo de errado”, finaliza Adilson. Anilton é peremptório ao afirmar que “não há segunda chance para ninguém”. E já fizeram várias tentativas, como afirmam.

 

Mas não desarmam na tentativa de se integrarem na sociedade. Sobre a descriminação que sentem, dizem que já é uma coisa normal e já estão “acostumados com ela” e, como diz Anilton, não há nada que possam fazer para mudar este aspecto.

 

Além das pessoas que oferecem trabalho, englobam no rol de discriminadores a própria polícia. Dizem que não podem andar na rua porque são logo caçados pela polícia e, assim, não conseguem conduzir uma vida normal.

 

Agora, estes jovens e as pessoas desta zona, querem ganhar voz e reivindicarem os seus direitos. Neste momento, querem-se organizar e ter uma voz como comunidade. Mas há quem já pensou em manifestar de forma mais radical, como quebrar os vidros da Câmara Municipal como forma de chamar a atenção à situação difícil vivida por esses mindelenses.

 

Mas a desconfiança na classe política é uma realidade. “Só vêm aqui no tempo da campanha”, é a constatação feita. Mas já não acreditam na política e dizem que já estão à espera deles na próxima campanha para prometerem e depois nunca mais voltarem ao local.

 

Estes jovens querem apenas uma segunda chance para se integrarem socialmente e também para suprirem às próprias necessidades e às dos seus familiares.

 

  1. vanina

    Eu moro em ribeirinha tchechenia e eu nao vejo perigo nenhum, aqui e uma zona calma, eu acho que todo mundo mereçe uma segunda chance, mas e verdade, com essa falta de emprego que estamos em sao vicente e bem, normal cometermos coisas erradas pk temos filhos para sustentar e emprego nao tem, sao vicente esta pesimo de trabalho, e por isso que maioria dos joves fazem asneiras pk tem filhos para criar e nao poder morrer de fome,todo mundo merecem uma segunda chançe.

  2. Fiat lux

    O assunto é simples. Todo aquele que mente, que rouba ou que comete algum acto susceptível de gerar desconfiança, deve percorrer um deserto proporcional ao acto praticado até as pessoas passarem a «confiar» de novo nele ou que, pelo menos, a desconfiança diminua. Esses jovens sabem que devem fazer essa travessia, que ela é realmente dolorosa, mas que é fruto do caminho que escolheram. Até para as chamadas pessoas de bem a vida está difícil mormente para aquele que já cometeu um crime. FORÇA.

  3. Geronimo

    Partir os vidros da CMSV não é a solução.mas estes jovens podem trabalhar como ajudante de pedreiro, lavador de carros, etc etc.
    Agora uma coisa é certa..quem deve solucionar o problema é o governo, pois deve levar em conta que estes jovens ja pagaram pelo crime que cometeram. deviam ir a rua e manifestar de forma pacífica.

  4. bia

    na vida so se colhe o que planta… se sabem que nao tem dinheiro para sustentar filhos porque é que os fazem.desculpem-me mas filhos nao sao desculpa para uma pessoa roubar a outra, tirar-lhe o que pertence e depois chegar com a justificativa de que estava necessitado.isso e falta de respeito e marginalismo

  5. Delgado

    Nesta terra o Governo e Câmara Municipal são responsaveis por tudo. Uma família nâo educa os filhos como deve ser, quem são os culpados? Governo e Câmara. Um jovem torna-se delinquente, quem são os culpado? Governo e Câmara. Rouba-se para comprar droga, quem são os culpado? Governo e Câmara. Não se aproveita as chances que a sociedade dá, quem sao os culpados? Governo e Câmara.
    O Governo e a Câmara só não são responsáveis por esse jornalismo idiota que promove este discurso desresponsabilizador.

  6. Adizelene Alves Cid

    Ribeirinha sempre foi kalmo, mi é niscid i kriod li,mi sempre um frekuenta Tchetchenia la é parod até certo ponto…es é so maltas kul ,mesmo ke es podé ser ex-presidiarios ex é humano moda senhor Presidente.e klar tud gent te erra,es as erra ma es kre muda e un sabé ke es te podé muda,es k t ne kel vida pk es kre,mas sim es é obrigod a fzel moda ke es dzé,i mi un te apoias mi tb jam oia txeu vez pliçia te panhas sim ex fz nada.pk sera mod es é autoridad.es kz te para é kond no sei n REVOLTA.

  7. orlando dos santos

    tem fidge quando bo ta pode sustental.life is about choice.this young kids is makeing the wrong choice!

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