Derrotado contesta vitória do candidato do PAIGC nas presidenciais da Guiné-Bissau

21/05/2014 08:46 - Modificado em 21/05/2014 08:46
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guiné bissauA incerteza e as preocupações voltaram à Guiné-Bissau, depois de Nuno Nabiam ter rejeitado os resultados das eleições presidenciais que o dão como derrotado e atribuem a vitória a José Mário Vaz, candidato do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

 

“Não vou aceitar o resultado, porque os números recolhidos pela minha campanha em quatro de oito regiões são diferentes dos que foram anunciados pela Comissão Nacional de Eleições”, disse, citado pela Reuters.

 

Os resultados divulgados na tarde desta terça-feira atribuem 61,9% a José Mário Vaz e 38,1% a Nabiam. O candidato derrotado, um independente apoiado pelo PRS (Partido da Renovação Social), é o favorito da chefia militar que protagonizou o golpe de Estado de há dois anos. Na campanha eleitoral prometeu “aceitar os resultados”.

 

Na primeira volta, à qual se apresentaram 13 candidatos, em Abril, Vaz conseguiu 40,89% e Nabiam 24,79%. A taxa de participação baixou dos 89,29% da primeira volta para 78,1% da segunda, realizada no passado domingo.

 

A declaração de Nabiam faz regressar as preocupações sobre o futuro próximo de um país com um historial de violência político-militar e que se tornou plataforma do narcotráfico internacional. Foi feita quando parecia possível o país regressar à normalidade democrática, interrompida pelo golpe de 2012, liderado pelo chefe das Forças Armadas, António Indjai.

 

Os resultados provisórios indicam que José Mário Vaz, conhecido como Jomav, só não venceu em duas das nove regiões do país – Oio e Tombali. Foi também o mais votado pelos eleitores da emigração. Um comunicado divulgado na noite de segunda-feira pela candidatura de Nabiam reivindicava a vitória em cinco regiões. Os candidatos têm 48 horas para apresentarem reclamações, antes da proclamação dos resultados definitivos.

 

As missões de observadores da União Africana, da CEDEAO e da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) decorreram em clima de liberdade e transparência.Na segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou aos candidatos e aos seus apoiantes para que “respeitem os resultados oficiais”.

 

Após o anúncio dos resultados oficiais, muitos guineenses festaram, na Praça dos Heróis Nacionais, em Bissau, junto à sede do PAIGC. A AFP noticiou pouco depois que o dispositivo militar foi reforçado em muitos locais da cidade, com patrulhas do Exército e do contingente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) estacionado no país.

 

O “homem do 25”

 

O vencedor declarado das presidenciais de domingo, José Mário Vaz, 57 anos, é um economista formado em Portugal. Foi ministro das Finanças do Governo derrubado há dois anos e dirigiu o município de Bissau. Empresário, liderou também a Câmara de Comércio da Guiné-Bissau.

 

É conhecido como o “homem do 25”, expressão que terá sido criada por si próprio pelo facto de, enquanto ministro, ter pago salários aos funcionários do Estado regularmente a 25 de cada mês, situação invulgar no passado recente da Guiné-Bissau, que terá sido agora um trunfo eleitoral.

 

Após o golpe de 2012, Jomav esteve meses em Portugal. Quando regressou, em 2013, foi acusado de envolvimento no alegado desvio de um apoio financeiro de Angola, o que sempre negou. “Geri milhões de francos de modo transparente. Não me envergonho de nada. Tenho as mãos limpas”, disse, sobre o assunto, à AFP.

 

As presidenciais deverão completar o processo eleitoral destinado a restabelecer a normalidade democrática interrompida pelo derrube, em 2012, do então primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que vencera a primeira volta das presidenciais com quase 49%.

 

A 13 de Abril, data da primeira volta das presidenciais, realizaram-se em simultâneo eleições legislativas que deram a vitória ao PAIGC, elegeu 57 dos 102 deputados. De acordo com esses resultados, o próximo primeiro-ministro será o líder do partido que liderou a luta pela independência, Domingos Simões Pereira, 50 anos, antigo secretário-executivo da CPLP.

 

 

publico.pt

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