Oposição denuncia que acordo de Genebra dá a Assad “mais tempo para matar”

1/07/2012 17:18 - Modificado em 1/07/2012 17:18
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Os grupos da oposição síria que organizam a mobilização contra o Presidente sírio, Bashar al-Assad, expressaram este domingo de manhã forte desapontamento com o resultado das negociações das potências mundiais e países árabes vizinhos, avaliando que o acordo de Genebra apenas dá “mais tempo [ao regime] para matar” as populações civis.

 

“A comunidade internacional voltou a falhar mais uma vez na tentativa de firmar uma posição comum para fazer parar os crimes do regime de Assad contra o povo sírio em revolução”, denuncia em comunicado a organização Comités locais de Coordenação. Para este grupo, que gere uma ampla rede de activistas no terreno por toda a Síria, “o novo acordo contém mudanças tão obscuras que dão uma renovada oportunidade para o regime de Assad pôr o tempo a jogar a seu favor e reprimir o movimento de revolução popular e calá-lo através da violência e de massacres”, é ainda sustentado.

Na véspera, o enviado especial das Nações Unidas e Liga Árabe, Kofi Annan, anunciara que as potências e países árabes vizinhos da Síria tinham conseguido alcançar um consenso sobre a proposta que apresentara para solucionar a crise naquele país: a formação de um governo de unidade nacional, com representantes do actual regime, da rebelião e outros sectores, o qual ficaria encarregue de levar a cabo um processo de transição política com medidas e um calendário concretos.

Mas esse acordo acabou por deixar em aberto a questão crucial: o futuro papel de Assad na Síria, o qual é acusado pelas potências ocidentais e pela oposição síria de levar a cabo no país uma campanha de brutal repressão que se salda num balanço de mais de 12 mil mortos em quase 16 meses.

Desde a eclosão das primeiras manifestações, em Março de 2011, então pacíficas, denunciando a corrupção e exigindo melhor qualidade de vida – às quais o regime respondeu com a mobilização de tropas e tanques para dentro das cidades em revolta –, a situação na Síria degenerou numa guerra civil, com cercos e bombardeamentos cerrados do exército e milícias de Assad sobre as cidades que as autoridades crêem servir de refúgio a bolsas de combatentes rebeldes.

Apesar de muitas capitais ocidentais preconizarem que a transição no país só pode ser feita sem Assad, a Rússia, tradicional aliado da Síria, tem mantido – e voltou a manter em Genebra, com sucesso – uma oposição intransigente a um eventual afastamento do Presidente sírio planificado pela comunidade internacional. Por isso, o acordo obtido sábado “não é mais do que uma versão, diferente apenas na forma, das exigências dos líderes russos, que dão cobertura política e militar a Assad face às pressões internacionais”, denunciaram ainda no comunicado os Comités de Coordenação da rebelião.

Mais comedido nas críticas à reunião de Genebra, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coligação da oposição política a Assad, diz ter encontrado “alguns elementos positivos” no acordo, conseguido in extremis e após muito difíceis negociações, mas lamenta que o mesmo seja “demasiado vago”.

A declaração final da reunião de Genebra – em que participaram Reino Unido, França, China, Rússia e Estados Unidos, todos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e ainda União Europeia, Turquia, Iraque, Kuwait e Qatar – “parece sugerir elementos positivos, mas os mais importantes permanecem demasiado implícitos e demasiado ambíguos”, sublinhou a porta-voz do CNS; Bassma Kodmani, citada pela agência noticiosa francesa AFP. “O plano ficou demasiado vago para se poder antever qualquer acção real e imediata”, prosseguiu.

Foram dois os elementos positivos apontados pelo CNS: “O primeiro é que os participantes [na reunião de Genebra] acordaram em dizer que a família Assad não pode continuar a governar o país e que não pode também conduzir o período de transição. E o segundo é que houve acordo também na ideia de que a transição tem que dar resposta às aspirações legítimas do povo sírio – e para nós estas palavras significam o afastamento de Assad do poder, porque foi isso mesmo que os sírios já disseram querer”.

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