Presidenciais no México: o mistério de Enrique Peña Nieto

1/07/2012 16:57 - Modificado em 1/07/2012 16:57
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O que os apoiantes de Enrique Peña Nieto, à frente nas sondagens das eleições presidenciais mexicanas deste domingo, mais apreciam no seu candidato é que ele é jovem, confiante, dinâmico, bonito e bem sucedido – como prova a sua vitória nas eleições para governador do estado do México, a sua conquista da liderança do Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o seu casamento com a actriz de telenovelas, que o país inteiro conhece como a Gaivota.

 

Para além disto, dizem vários analistas, o candidato de 45 anos permanece um mistério: as suas convicções profundas são desconhecidas e as suas propostas são vagas ou ambíguas. É o facto de ter uma “personalidade agradável” e “não ser ameaçador” que leva muitos eleitores a encará-lo como “um mal menor” quando comparado com os seus adversários, nota Manuel Suarez-Muir.

Peña Nieto afirmou-se no PRI (no qual construiu carreira desde cedo, na senda dos seus familiares) como um novo tipo de líder: pragmático mais do que ideológico, anti-conflito e gerador de consensos, disciplinado e eficaz. “Eu cumpro promessas”, repetiu na campanha.

No entanto, a imagem sofisticada e que tentou projectar nos últimos meses não escapou a algumas “manchas”.

A campanha fica marcada pelo aparecimento de um movimento inédito na sociedade mexicana, o YoSoy132, inicialmente um protesto estudantil contra Peña Nieto (durante uma acção de campanha numa universidade) que depois evoluiu para agregar muitos descontentes ou inconformados com a possibilidade do regresso do PRI a Los Pinos.

O movimento reclama maior transparência no funcionamento das instituições e a abertura dos media: a dar fôlego aos protestos, acusações de corrupção e de concluio com o narcotráfico de políticos proeminentes do PRI (incluindo familiares de Peña Nieto), e um escândalo de financiamento ilegal da cadeia Televisa, a maior do México, para garantir uma cobertura positiva do homem do PRI e negativa dos seus opositores.

Mas o candidato sobreviveu praticamente sem arranhões. Os comentadores concordam que demonstrou habilidade ao conseguir unir todos os extremos representados no PRI (um partido cuja história vai desde a esquerda radical até ao neoliberalismo e que agora se afirma como uma plataforma centrista), e que deixou no ar a ideia de renovação ao quebrar alguns dogmas do partido.

Se for eleito, Peña Nieto precisará de coragem para mais rupturas políticas. Como nota Daniel Moreno, director do Animal Politico, “no Governo, Peña terá de repensar a sua relação com dois pilares de um sistema esgotado: os monopólios e o sindicalismo. Se não romper com ambos, a sua presidência será permanentemente objectada pela oposição e incapaz de promover as mudanças que se exigem”.

 

 

 

 

publico.pt

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