Primeiro-ministro da Turquia lamenta a morte de 238 mineiros e promete justiça

14/05/2014 13:55 - Modificado em 14/05/2014 13:55
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TURKEY-MINE-BLASTPelo menos 120 trabalhadores continuam presos no interior de uma mina de carvão em Soma, na região oeste da Turquia, informou o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que prometeu uma investigação célere e rigorosa às causas da explosão que provocou o colapso dos túneis que compartimentam a mina.

 

Segundo o governante, foram já confirmadas as mortes de 238 mineiros no incêndio que se seguiu à explosão, e ainda 80 feridos, o que faz do acidente o mais grave desastre industrial de sempre na Turquia. “Quero estender as minhas condolências a todas as famílias [das vítimas] e a toda a nação, e assegurar que disponibilizaremos todos os recursos necessários para lidar com este desastre da forma mais eficaz possível”, disse o primeiro-ministro.

 

Erdogan esteve no local do acidente esta manhã. A mina de Soma fica a cerca de 450 quilómetros da capital, Ancara, e sensivelmente à mesma distância da cidade de Istambul: nos dois locais houve protestos contra o Governo, com a polícia a usar gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que se concentraram junto do ministério da Energia, na capital, e também em frente da sede da empresa Soma Holding, em Istambul. Na parede do edifício, alguém escreveu “assassinos”.

 

Em Soma, as equipas de socorro lutam contra o tempo para tentarem localizar e resgatar as centenas de mineiros que ficaram presos após uma explosão numa unidade de distribuição de energia, no início da tarde terça-feira.

 

Na madrugada desta quarta-feira, às 5h (3h em Portugal continental), o ministro da Energia turco, Taner Yildiz, fez o ponto da situação: no momento da explosão, que coincidiu com a mudança de turno, estavam na mina 787 trabalhadores — um número muito superior ao inicialmente apontado. As vítimas acabaram por morrer devido a intoxicação por monóxido de carbono no incêndio que se seguiu.

 

O número de trabalhadores encurralados na mina continua por esclarecer, mas o jornal turco Hürriyet escreveu que poderia ultrapassar as três centenas.

 

A explosão registou-se a dois quilómetros de profundidade e provocou uma avaria no elevador. Algumas dezenas de trabalhadores foram resgatados num primeiro momento, mas a esmagadora maioria ficou sem possibilidades de sair, muitos deles a quatro quilómetros de profundidade.

 

As centenas de vítimas mortais despertaram a indignação e a fúria da sociedade turca, com denúncias sobre as más condições de segurança no sector mineiro.

 

“O acidente na mina a que assistimos nesta empresa privada é um caso de assassínio no local de trabalho”, acusou Çetin Uygur, antigo líder sindical, citado pelo jornal Hürriyet.

 

A empresa que gere a mina — uma empresa privada turca — avançou que o local foi inspeccionado há dois meses e que não foi encontrado nada que levasse ao seu encerramento.

 

O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, cancelou uma visita oficial à Albânia e para passar pelo local do acidente, no distrito de Soma. O Presidente da Turquia, Abdullah Gul, telefonou ao governador da província de Manisa, Abdurrahman Savas, para apelar à mobilização de todas as equipas de socorro disponíveis.

 

Se se confirmarem os piores receios, este será o pior acidente numa mina na Turquia. Há 22 anos, pelo menos 263 mineiros morreram na sequência de uma explosão numa mina na província de Zonguldak, no Nordeste do país.

 

Em 2010, quando uma outra explosão na mesma província matou pelo menos 28 trabalhadores, o primeiro-ministro Erdogan foi alvo de críticas depois de ter afirmado que a morte “é o destino” dos mineiros.

 

“É impossível prevenir uma explosão de gás metano a 100%. Infelizmente, este é o destino desta profissão em muitos sítios em todo o mundo”, disse na altura o primeiro-ministro.

 

Um inquérito parlamentar realizado em 2010 revelou que mais de 3700 pessoas morreram e 370.000 ficaram feridas em acidentes nas minas da Turquia desde 1941. Perante estes números, a Turquia é o terceiro país com maior risco de acidentes em minas em todo o mundo, depois da China e da Rússia.

 

Mais do que “o destino” dos mineiros, o inquérito atribuiu as mortes à ausência de medidas de segurança nas minas, à falta de inspecções independentes e à contratação de trabalhadores sem experiência.

 

 

publico.pt

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