Dificuldades financeiras impedem universitários de concluírem o curso

9/05/2014 01:08 - Modificado em 9/05/2014 01:08

univAlunos de diferentes cursos e universidades, frequentam a formação até ao último ano de curso, contudo, dificuldades de várias ordens impedem-nos de defenderem o trabalho de conclusão do curso que dá direito a um diploma de licenciado.

 

Um grande número de alunos universitários continua sem concluir o curso. A maior parte dos entrevistados lamenta dificuldades financeiras. Muitos têm propinas em atraso há mais de dois anos e, consequentemente, não lhes dão o direito de entregar ou realizar e defender o trabalho de conclusão.

 

Janilda Monteiro: “Para defender a monografia é necessário saldar todos o meses as propinas em atraso e ainda não concluí o pagamento das propinas. Gostaria imenso de realizar a defesa e obter um diploma porque, neste momento, trabalho, mas o salário não chega para satisfazer as necessidades básicas, muito menos conseguir liquidar as dívidas para com a universidade”.

 

Emanuel: “Terminei o curso o ano passado e ainda não consegui elaborar a minha monografia porque aguardo uma resposta da Universidade Lusófona para me indicar um orientador que solicitei há muito tempo”.

 

Nádia Lima: “Terminei há dois anos, mas devido a dificuldades financeiras não foi possível fazer o pagamento de alguns meses em atraso o que me impede de defender a monografia”.

 

Nadir Gonçalves: “Neste momento, estou desempregado. Gostaria imenso de poder conseguir um título de contabilista conforme a minha formação e conseguir um emprego, mas as condições financeiras para liquidar as mensalidades em atraso impossibilitam-me de o fazer”.

 

Ivanilda Tavares: “Infelizmente, com a conjuntura que temos, o diploma é apenas um documento que nos exclui da possibilidade de entrarmos no mercado do trabalho. Basta dizer que somos licenciados para estarmos automaticamente excluídos do processo de selecção, porque as empresas preferem uma pessoa com um nível mais baixo, alegando não terem condições financeiras para suportarem um salário de um licenciado”.

 

Carlos Delgado: “Na maioria dos concursos públicos, exigem pessoas com habilitações do 12º ano. Ao entregar um diploma de licenciatura, é evidente que a exclusão é certa. Sou licenciado, trabalho para uma empresa e não vejo possibilidades de progredir, por isso, acho que um título de licenciatura não me leva para longe, no entanto, penso um dia defender a monografia”.

 

São situações difíceis e realidades diferentes que ultrapassam as possibilidades dos universitários.

 

  1. Ondina Ramos

    Este eterno complexo dos caboverdianos em obterem uma licenciatura em ramos profissionais que de antemão já sabem que ficam totalmente limitados. Uma solicitacao directa para o desemprego. Licenciados temos de toda a espécie.
    Apenas se precisarmos de um competente canalizador ,mecânico, carpinteiro, pintor, etc, etc, nao temos e nem vamos ter a curto período. Todos obsecados nas pseudo Universidades. Todos querem ser doutores e mesmo sem o minimo de IQ e a devida formação. No papel temos centenas de doutores. Infelizmente um pouco depreciativamente direi “doutores da mula russa” Está claro que essas universidades são apenas para gerar jobs e garantir salários a um determinado grupo que aproveita a ignorancia e o espirito exibicionista de muitos pais e tambem dos jovens totalmente desinformados. E o resultado está à vista. Milhares de formados, sem emprego, sem nenhuma perspectiva, frustrados, enfim um catalisador incontrolavel, quem sabe, para uma “Primavera Crioula”

  2. Carlos Ramos

    Extraido do artigo “Desemprego dxi? Bô tá na goze ma mim, nê! publicado no jornal online Expresso das Ilhas.

    [Pior, as pessoas começam a sentir-se inúteis, a pensar apenas em viver o dia-a-dia, porque ficam preocupadas com a satisfação das necessidades básicas, como conseguir uma refeição. E os primeiros a sentir esse desânimo são os mais novos. Melissa Alves pertence à Associação de Jovens Quadros. Ela própria é um exemplo de uma jovem qualificada que não está a trabalhar na área de eleição. Formada em microbiologia, e a tirar um doutoramento em desenvolvimento sustentável e social, é actualmente prestadora de serviços numa empresa de turismo. E é peremptória: esteve a enganar-se uma geração. “Há demasiadas universidades e tornaram-se num negócio, o objectivo não é formar bem mas ganhar dinheiro com os jovens. Os alunos não saem preparados. Não saem com inglês eficiente, com conhecimentos de informática, não saem com o dom de resolver problemas. Por exemplo, na minha empresa, o meu patrão dá prioridade à contratação de cabo-verdianos, mas agora teve de ir buscar.]

  3. Américo Brito-Olanda

    Cursse de univarsidade na Cabo Verde, ká tá dá pa mandá cantá 1 seg na eurropa!… Pa perdê tempe ma luviandade antes fecá na Laginha…

  4. Jandira Lopes

    “Requiem” para os nossos jovens licenciados ou em via de licenciarem-se, mas cuidado que nao digo “licenciar à la Relvas”.
    apenas triste que perante um assunto gravíssimo como este donde depende o futuro de centenas de jovens ninguém reage perante tais noticias alarmantes e preocupantes. Veja a ausência neste jornal online de comentários após dois dias da sua publicação.
    Se fosse um “Tony Park” que tivesse escrito mais um artigo sobre a realidade de Mindelo centenas de pessoas já tinham assentado à frente do computador para despejarem a sua indignação, que nesse caso nao passava mais de uma falsa indignacao para nao dizer ausencia de espirito de realidade e falsa demonstração de “amor à Terra”..
    Mas voltando ao tema Universidades é de lamentar essa apatia, esse desinteresse, esse laxismo, esse “laissez faire, laissez passer” nao só dos universitarios,mas tambem bem dos pais, tutores e da sociedade no geral.
    Uma juventude apática, sem energia, sem motivacao, sem coragem para mudar a sua situação.
    Simplesmente uma juventude “à rasca”.

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