São Vicente ilha de poetas: A poesia caiu no esquecimento

9/05/2014 01:04 - Modificado em 9/05/2014 01:04

poesA ilha de São Vicente, terra onde nasceram grandes poetas e escritores, palco das mais lindas poesias onde se realizavam diferentes concursos de poesias, caiu no esquecimento dos mindelenses.

 

Adilson Spinula, um jovem amante da poesia inspirado pelo poeta Jorge Barbosa, autor de diversos poemas, lamenta a ausência da poesia no Mindelo. “A poesia foi uma das vertentes fortes do mindelense, com programa na rádio, televisão, nas escolas. Falava-se muito de poesia. Hoje, dificilmente encontramos uma criança que saiba declamar um poema, actividade frequente nas salas de aulas de outrora, uma forma de aprender a reconhecer os autores poetas cabo-verdianos”.

 

“As crianças de hoje não conhecem os poetas cabo-verdianos. Há uma necessidade de introduzir nos planos educacionais a vertente poesia para que as gerações futuras possam aprender a reconhecer os autores poetas cabo-verdianos e aproveitar aquilo que a cultura tem de bom e educativo, perpetuar a memória dos poetas cabo-verdianos”.

 

O amante da poesia diz que “Manuel Estêvão, grande homem da poesia, declamava poemas nas escolas, chamava a atenção de muitas pessoas, conseguia encaixar os poemas, encantar os alunos e muitos que tinham a alma da poesia seguiram o caminho da poesia”.

 

Éden Park, Centro Cultural do Mindelo, eram o palco das poesias onde muitos jovens declamavam poemas nas noites poéticas, nos concursos de poesia, no prémio Pantera que incentivava muitas pessoas a escrever.

 

“São Vicente precisa de incentivos para levantar a alma poética dos mindelenses, além de conhecer os poetas cabo-verdianos, escrever os próprios poemas, enaltecer a cultura através da poesia”.

 

“Um dos hobbies de pessoas de várias idades era a poesia. Actualmente, a poesia está esquecida e ninguém fala dos poetas, autores cabo-verdianos”.

 

Jorge Barbosa, António Nunes, poetas Claridosos, despertaram no jovem a alma da poesia e começou a escrever os próprios poemas. Para colmatar a necessidade da poesia, há 3 anos, Adilson Spinula juntou um grupo de jovens e criaram o evento “Noite de Poesia” no Centro Cultural do Mindelo, onde declamavam as próprias poesias e também as de autores cabo-verdianos, incentivando assim a sociedade a declamar de modo a despertar no seio dos mesmos a alma da poesia. Porém, há um ano para cá, o evento não se realiza e a poesia em São Vicente continua no esquecimento.

 

Adilson Spinula termina caracterizando a poesia deste modo: “Poesia, algo interior da alma, um pintor que pinta sobre a tela os seu sentimentos, liberdade de expressão onde se pode exprimir com rimas seguindo um sentimento”.

 

  1. Carlos Ferreira

    Adilson tive o privilegio de ouvir varias vezes o Senhor Francisco Mascarenhas declamar alguns poemas aí junto ao mar à noite na Avenida Marginal e devo confessar que a sua paixão pela poesia, a sua sensibilidade poetica é contagiante. Poesia ao ar livre, acompanhada pelo murmurio do bater do mar e com a Baia do Porto Grande como pano de fundo é simplesmente fenomenal. Um talento que eu desconhecia, o que é normal, pois eu sou emigrante e com muitos anos ausente da Terra-Mãe. Quando ele declama tenho a sensação de estar ouvindo o declamador portugues do seculo passado João Villaret, que muito influenciou a minha geração e nao só. A paixao do Senhor Mascarenhas pela poesia, a sua expressão, o seu entusiasmo sao simplesmente contagiosos e ainda mais com uma dicção impecável o que é bastante rara nos últimos tempos.
    Seria uma pena e tambem uma grande perda se tu e os poucos amantes da poesia que ainda restam em S.Vicente e nao só, como tambem a Radio com programas culturais e educativos, (e para que a Poesia nao caia no esquecimento) nao aproveitassem esse talento nato de recitador que é o Senhor Francisco Mascarenhas.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.