EUA enviam peritos para ajudar Nigéria a localizar jovens sequestradas

7/05/2014 10:21 - Modificado em 7/05/2014 10:21

nigeriaCresce pressão internacional para a libertação das jovens. Barack Obama descreve o Boko Haram como “uma das piores organizações terroristas regionais”.

 

Os Estados Unidos enviaram uma equipa de peritos, militares e civis, para ajudar as autoridades da Nigéria a localizar o paradeiro das mais de 200 jovens sequestradas em Abril pelo Boko Haram, grupo islamista que o Presidente norte-americano, Barack Obama, descreveu como “uma das piores organizações terroristas regionais”.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, a equipa destacada por Washington inclui militares e investigadores especializados em recolha de informações e negociações em casos de sequestro, oficiais de ligação e peritos em apoio a vítimas. O objectivo do grupo, afirmou Obama em entrevistas a duas cadeias de televisão americanas, é “tentar identificar onde estão, de facto, as raparigas raptadas”. De fora da equação está o envio de forças armadas para participar numa eventual acção contra o grupo islamista, assegura a Casa Branca.

 

O jornal Guardian adianta que também o Governo britânico se ofereceu para ajudar a Nigéria a localizar as jovens levadas a 15 de Abril de uma escola secundária em Chibok, zona remota no nordeste da Nigéria. Do grupo de 300 que pernoitavam na escola, algumas dezenas conseguiram escapar, mas a grande maioria permanece desaparecida. Responsáveis governamentais britânicos revelaram que, além de peritos em sequestros, Londres está disponível para enviar para o terreno aviões de reconhecimento e soldados das forças especiais, mas uma decisão oficial só deverá ser tomada nesta quarta-feira.

 

O repúdio internacional pelo sequestro — o maior de muitos organizados nos últimos anos pelo Boko Haram — cresceu depois de, na segunda-feira, o líder do grupo, Abubakar Sheka, ter surgido num vídeo a ameaçar vender as jovens para casamento. Um dia depois, surgiu a notícia de que o grupo sequestrou outras oito meninas durante um ataque, no domingo, a uma aldeia da mesma região, no qual várias pessoas terão sido mortas.

 

Obama, pai de duas raparigas com 12 e 15 anos, disse esperar que este sequestro “revoltante” e “dramático” possa “ajudar a mobilizar toda a comunidade internacional para que finalmente se faça alguma coisa contra esta horrível organização”. O Presidente, a quem um grupo de senadoras norte-americanas pediu para que convença as Nações Unidas a aprovar sanções contra o grupo islamista, disse que o mundo não pode ficar indiferente “ao problema que representam organizações como esta”.

 

O vídeo e a crescente mobilização internacional forçaram também o Presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, a quem as famílias das jovens acusam de pouco fazer para as localizar, a pedir ajuda externa. Num comunicado em que anuncia a partida imediata dos peritos para a Nigéria e a criação de uma “célula de coordenação” na embaixada dos EUA em Abuja, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, revela que Washington só não avançou mais cedo para o terreno porque o Presidente nigeriano “tinha definido as suas próprias estratégias” de actuação. Mas os novos desenvolvimentos “convenceram toda a gente de que é preciso um esforço maior” para pôr fim ao sequestro.

 

“Todos nós somos pais e tremo só de pensar que a minha filha poderia ser uma delas”, reagiu também o Presidente do Gana, John Dramani Mahama, numa carta em que, em nome dos outros 14 países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), oferece a ajuda da região à Nigéria.

 

O Boko Haram, que literalmente quer dizer “a educação ocidental é proibida”, luta desde 2002 pela instauração de um Estado islâmico, regido pela interpretação mais rígida da sharia, no Norte da Nigéria, onde a população muçulmana é maioritária. As igrejas e as escolas são um dos seus alvos preferenciais — além de sequestros, o grupo atacou e incendiou nos últimos meses vários estabelecimentos de ensino, provocando a morte a dezenas de alunos e professores. Só no nordeste do país, a insurreição dos últimos cinco anos terá provocado mais de quatro mil mortos e forçou mais de meio milhão de pessoas a abandonar as suas casas, segundo uma estimativa do International Crisis Group.

 

 

publico.pt

  1. José Manuel de Jesus

    Que não me venham dizer que somos irmãos e que devemos abrir-lhes as portas.
    E hà quem queiram a implantação dessa religião por ser a que adequoa connosco.

  2. Irene Fontes

    Faço votos que as alunas voltem à casa são e salvas (o que duvido…) e espero que esta barbarie sirva de matéria para reflexão aos que preconizam portas “escancaradas” para os que chamam de nossos irmãos..
    Salvo seja!!!

  3. José Manuel de Jesus

    A impressão que se tem é que comem os comentàrios
    Façam uma coisa: – Arragem os vossos e pomos uma +

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