Compra de bilhetes de identidade: “só nos entregaram os BIs sete dias depois das eleições”

29/06/2012 06:37 - Modificado em 29/06/2012 21:49

A compra de bilhetes de identidade é um assunto que faz parte da esfera das campanhas eleitorais. O NN investiga de que forma os partidos políticos fazem esta prática e fica-se a saber que é um modo de fazer com que determinado cidadão não vote na força política contrária. Isto parece uma história de ficção de quinta categoria ou filme indiano . Parece, mas não é .Isto porque os partidos políticos fazem essa denúncia, mas nunca nenhum apresentou queixa na CNE. Encontramos pessoas que dizem que “venderam” os BIs. Mas recusam-se a dizer a quem entregaram os seus bilhetes a troco de dinheiro.

 

Daniel Machado disse ao NN  ” já fui subornado por membros de um partido com crenças políticas, contrária a minha. Foram a minha casa fazer campanha e a minha esposa queixou-se de alguns problemas financeiros que afectavam a família. Então passados alguns dias vieram ter connosco, com uma conversa que caso quiséssemos ajuda teríamos que entregar os nossos BI. Porém não fui nessa conversa, porque tive informações que durante as eleições, há partidos que compram o voto ou retiraram as pessoas o seu Bilhete de Identificação, de modo que ele não exerça o seu direito de voto”.

Mas Daniel diz preferir não mencionar o nome do partido, porque tem medo de sofrer represálias a nível profissional.

Já Miriam Costa, natural da cidade de Ribeira Grande, explica que em 2011, juntamente com algumas conterrâneas ficaram sem votar nas eleições presidenciais. Segundo Miriam “como acontece em todas as eleições, os partidos políticos subsidiam as viagens das pessoas para votarem na ilha onde estão inscritas. Desta forma eu e outras quatro amigas procuramos apoio e nos deram 2000 escudos de subsídio. Porém não chegamos a ir porque os nossos bilhetes ficaram retidos na sede desse partido. Eles nos entregaram os BI sete dias após a realização das eleições dizendo que tiveram problemas para comprarem os bilhetes de passagem”.

Mas quando o NN quis saber o nome do partido ou pessoas entramos no filme indiano , na ficção , no mistério , no caminho entre acreditar e não acreditar . E para complicar cada um tem uma razão mais ponderosa do que o autor para não revelar os nomes. Mas razão mais poderosa é que não podem provar nada do que dizem .

 

Na boca da urna

Apuramos que a compra do Bilhete de Identificação também se faz a porta dos locais de voto. Segundo alguns cidadãos que pediram anonimato, os membros dos partidos chegam em viaturas e estacionam nas imediações onde decorrem as votações. “Eles chegam para fazer a “boca de urna”, mas também para entregar dinheiro em troca de votos, ou impedir que as pessoas indecisas cumpram o seu exercício de voto. A operação é realizada de forma sigilosa para não dar nas vistas e muitas vezes metem os visados no interior das viaturas. Nomeadamente são cidadãos que padecem de problemas financeiros que entregam o seu BI e regressam a casa com algum dinheiro no bolso para suprimir as dificuldades”.

 

Como provar

Mas a verdade é que não se consegue provar. O que não quer dizer que não seja verdade. Nesta investigação fica claro que se a história de sequestro dos BI a troco de dinheiro é fantasiosa , digna de novela mexicana é mais difícil acreditar que toda essa gente e todos os partidos políticos estejam a mentir e fornecer um roteiro para um filme de ficção de gosto duvidoso.

 

  1. luis cardoso

    Como não foi mencionado o vendedor e comprador, para mim, este artigo é uma pura ficção baseado nos pressupostos que ocorrem todas as vezes que hajam eleições.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.