Licenciados servem mesas de bar com vencimento de 10 mil escudos

25/04/2014 08:02 - Modificado em 25/04/2014 08:02

simbolos_de_los_licenciados-19898Numa altura em que o Primeiro-Ministro José Maria Neves afirma que o desemprego diminuiu, o número de licenciados ocupados em trabalhos desqualificados e precários tem vindo a aumentar. A muitos deles, que durante anos, pensavam que iriam trabalhar nas respectivas áreas de estudo, não resta senão uma mesa de bar para servir.

 

Numa altura em que se diz que o desemprego diminuiu, encontramos jovens licenciados a trabalhar em bares e restaurantes. Para não ficarem sem emprego, Ruth e Fabrícia servem à mesa porque, pouco “conta e nada não conta.”

Ruth Delgado de 28 anos estudou sociologia durante quatro anos com o objectivo de encontrar trabalho. Mas as coisas não correram como sonhava: “terminei há dois anos e ainda não consegui um trabalho na minha área”. Ruth diz que é difícil depender dos outros, por isso, decidiu trabalhar em qualquer lugar, “desde que seja digno, quero trabalhar”. Ela recebe 10 mil escudos a trabalhar atendendo à mesa no Restaurante Felicidade, mas afirma que é pouco, “o salário é pouco, mas é melhor do que nada”. Ruth adianta que em muitas empresas dizem precisar de sociólogos, mas “não têm verbas para pagarem uma pessoa com o meu nível de escolaridade”.

Ruth sonha ainda em conseguir um emprego e alcançar todos os objectivos traçados mas, por enquanto, vai trabalhando e dando o seu melhor até que apareça trabalho na sua área.

Fabrícia está na mesma situação de Ruth. Terminou os estudos há um ano e ainda anda à procura de emprego na área de Direito. Ela diz que “já entreguei os meus documentos em vários lugares mas ainda não me deram nenhum feedback”. Continua uma espera que nunca acaba: “dizem apenas para esperar, depois contactam”.

Cansada de depender dos pais, Fabrícia resolveu procurar emprego: “tenho de conhecer gente e tentar fazer os meus contactos para ver se aparece algo melhor”. A jovem de 26 anos ganha dez mil escudos que segundo ela “só dão para as necessidades básicas”.

  1. Monika Monteiro

    Compartilho a mesma historia, vivo o mesmo drama e tenho a absoluta certeza que milhares de jovens estão na mesma situação. Sou Licenciada em Historia e actualmente sirvo mesa num bar em Assomada, o salário não compensa em nada mas os mais velhos já diziam ” pa boca sissi dexa lingua intxadu”. O cenário é pior do que aquilo que se pinta, no entanto, continuo acreditando nos meus sonhos e espero que dias melhores virão. .

  2. Carvalho moniz

    Venham para a Praia aqui aparece o trabalho…

  3. Atento

    Pela quantidade de jovens que se formam aqui e no exterior, e com um mercado tão reduzido como o nosso, onde não temos economia de escala, já era de se esperar. Uma das soluções passa pela emigração de quadros para países que têm défice de quadros formados

  4. cg

    Este foi o principal motivo que lebam a tchora kanto nhas filhas ta poi fita de 12 ano,sera que tudo kes centenas de meninos li sta bem consigui continua ses estudos, dimeu por acaso consigui, e agora passado 4 anos dje termina sera que sta bem consigui um trabadju digno, NAO, dja passa quase 3 anu e NADA, nta fica ate ku inveja e incapacitado de fazi nada pael, ora quim odja midjores fidju di nos terra ta bem di curso ja kum emprego e na altos cargos.

  5. a. sousa

    É a esse subemprego que os políticos e demais egoístas chamam de redução de desemprego. Que nada tem engana-se com um quase nada. Haja descaramento!

  6. Jorge Barbosa

    Claramente que o sistemas educativos e políticos em Cabo Verde não funcionam. Temos uma população totalmente desligada da realidade caboverdiana. Queremos viver de acordo com as referencias do sistema português de ensino, social e de trabalho, sem termos em conta que temos uma realidade e um povo diferente. Quando criarmos as nossas referencias de acordo com a nossa realidade e com a cultura do nosso povo ai sim teremos sucesso.O pior ainda está por vir.

  7. Ondina Ramos

    Este eterno complexo dos caboverdianos em obterem uma licenciatura em ramos profissionais que de antemão já sabem que ficam totalmente limitados. Uma solicitacao directa para o desemprego. Licenciados temos de toda a espécie.
    Apenas se precisarmos de um competente canalizador ,mecânico, carpinteiro, pintor, etc, etc, nao temos e nem vamos ter a curto período. Todos obsecados nas pseudo Universidades. Todos querem ser doutores e mesmo sem o minimo de IQ e a devida formação. No papel temos centenas de doutores. Infelizmente um pouco depreciativamente direi “doutores da mula russa” Está claro que essas universidades são apenas para gerar jobs e garantir salários a um determinado grupo que aproveita a ignorancia e o espirito exibicionista de muitos pais e tambem dos jovens totalmente desinformados. E o resultado está à vista. E esses jovens entrevistados sao apenas uma ínfima ponta do icebergue.

  8. Jorge Amado

    Com a crise que vai entrou e fortemente em Cabo Verde (de nada nos vai servir a propagada blindagem contra a crise) a chamada classe media e alta em S.Vicente, pelo menos uma maioria consideravel, vai perder o seu estatuto economico consequencia da perda de trabalho, cortes enormes nos salários, pensões e demais auferimentos, aumento do custo de vida etc,etc,.
    Muitos vão perder as suas mansões, os seus carrões pois os bancos não vão ter compaixão, o que é lógico.
    E essa juventude um tanto ou quanto “soberba”, arrogante, habituada a uma vida de bem-estar material, mais virtual do que real, vai sofrer um choque enorme. Nada de novo aqui se deitarmos uma olhadela para além fronteiras, veja Portugalo, Grecia, Espanha, Italia, etc,etc.
    E o pior ainda é que um numero consideravel dessa juventude está em posse de um diploma que lhe abre as portas directamente para o desemprego imediato e permanente, pois os postos de trabalho serão cada vez menos, tanto no sector publico como no privado.
    Os filhos da classe mais desfavoravel, a classe dos chamados bairros problematicos terão menos problemas. Já estão habituados a não terem “tres por dia”, habituados ao seu arroz com cavala, ao seu “bife de caneca” pelo que o impacto da crise não será tão sensível
    Todos esses ingridientes acima apontados não terão um efeito positivo na psique dos jovens atingidos pela calamidade.E o resultado é que muitos, mais do que agora, vão procurar uma fuga no alcool e na droga tentando eliminar ilusoriamente a sua frustração.
    Infelizmente,(eu sou pai tambem responsavel por esta crise não só economica mas tambem de valores e moral) podemos falar de uma geração nao apenas “`a rasca” mas tambem perdida.
    Alguns poderão achar o meu comentario pessimista e de todo o coração espero que eles tenham razão. Mas temo que neste caso “a razão terá razões que a razão desconhece”.

  9. Américo Brito-Olanda

    só 1 táná, podé craditá ke um cursinhe kualker tirade na Cabo Verde, podia ranjá traboi na sé área. Se bezote cré realizá sonhe, bezote ten de saí pa Fora de Cabo Verde. Lá tem SÓ demagojia! ou anton, ranjá 1 titiu pa dá sponssa…

  10. Silvestre Varela

    O pior de Cabo Verde é que quem governa recusa a reconhecer os erros que comete e atribui a culpa aos outros ou lê os dados de forma inviesada com intuitos eleitorais. Dizer que o desemprego está a baixar é sinal que o Governo não vai tomar medidas para combater o desemprego. Dizer que a política de betão e de estradas vai gerar emprego leva-nos a esta situação. Primeiro é preciso produzir e depois investir em obras de escoamento dos produtos. Os resultados dos investimentos feitos neste 13 anos

  11. Silvestre Varela

    O pior é que o país está endividado. Qual seria melhor fábricas de conserva de peixe ou a estrada alcatroada Mindelo / Calhau / Baía. Barragens ou barcos de pesca de longo curso para abastecer as fábricas de conserva. As barragens dependem das chuvas. Com chuvas armazenam água e sem chuvas nada. Tudo foi feito com dinheiro emprestado. Como vamos pagar. O pior está aibnda para vir.

  12. Lino Pinto Monteiro

    Há que reforçar no ensino secundário os gabinetes de orientação profissional com vista a aconselhar os alunos a enveredarem por cursos com maior empregabilidade. Cursos virados para as actividades produtivas. Fácil de dizer e difícil de aplicar. Mas há que procurar saídas.

  13. zemas

    Reclamam porque se nem para isso estão capacitadas.

  14. José Maria Nevada

    Os jovens caboverdeanos precisam pensar melhor o estudo e a educação. Durante largos anos de estudo, inclusive no 3º ciclo, muitos estudantes fazem de conta, em vez de investirem, sacrificarem dois anos para aprenderem os conteúdos e terem notas altíssimas ,
    ficam a marcar passo nos liceus, quando terminam o 12º. com médias de 10, 11, 12, 13, 14 e 15, entram nas universidades param fazer cursos que não têm enquadramento profissional em Cabo Verde.

  15. José Maria Nevada

    O pior é que os recém formados não querem sair das suas ilhas, mormente para pensarem em sair de C. Verde. Por que razão é que a maioria foge da Matemática e da Física? Por q ue razão é que não vão ao curso de pilotagem que tem mercado de imediato, pelo menos por agora? Muitos nem terminam , ficam com trabalho de monografia por fazer e ficam a enganar os pais.
    Ao jornalista: servir bar não é desprestigiante, o problema é o vencimento, mas quem paga o vencimento é o patrão que devia melhorá-lo.

  16. José Maria Nevada

    Nos EUA, licenciados caboverdeanos, servem bares, são jardineiros, cuidam de bebés, e ninguém é frustrado, pq ganham bem. Nós precisamos nos orientar melhor, orientar melhor os nossos filhos, em vez de deixá-los à deriva e qd chegarem à fase universitária e de procura do 1º emprego ficarmos desesperados. Pai deve orientar o filho sempre, e orientar é ORIENTAR!

  17. Lenine

    hoje em dia com a proliferação das intituições de Ensino Superior no Pais, ter uma licenciatura virou presa fácil e os cursos disponibilizados não estão em sintonia com as necessidades do Mercado! eu quando terminei o 12º Ano a primeira coisa que fiz foi uma formação proficionalizante, e graças ao Know How que adiquiri durante a formação consegui um emprego! Mas atenção eu não fiz a formação na minha profissão de sonho! eu escolhi uma area na qual eu sabia que existia oportunidades!

  18. Di Santi

    O problema é que todos querem ser doutores.Na América não se importam de pintar pontes,mas em CV é essa basofaria….

  19. professor

    Caro companheiros.
    Tenho a dizer que Caboverde ou os Governantes cairam na armadilha da Crise.
    Explicando….
    Portugal é um exemplo claro, eles os tugas investiram quase todo o dinheiro que a entrada no euro lhes proporcionaram em outo-estradas e aeroportos. Estes são bens não transacionaveis, ou sejá , não são produtos que podem ser exportados.
    Como no comentario acima, primeiro deve-se produzir para depois para pensar em meios de transportes. (deltaPIB=deltaPopulação+deltaProdutividade).

  20. Julio Goto

    Papagaios e nada mais .

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