Crime no Príncipe das Marés: Exame de sanidade mental para determinar suspeitas de inimputabilidade

24/04/2014 00:11 - Modificado em 24/04/2014 00:11
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psicologosicologoBonifácio Rocha, o autor da morte do cidadão marroquino Nouredinne Naciri a bordo do navio de pesca “Príncipe das Marés”, alega perturbações mentais. Neste sentido, o Tribunal requereu um exame psíquico ao Serviço de Saúde Mental para saber se o indivíduo acusado de um crime de homicídio padece de alguma perturbação psíquica. O NN apurou que o ex-cozinheiro está a ser acompanhado ao Serviço de Psiquiatria para fazer a sua avaliação psíquica para dar um despacho sobre a sua sanidade mental.

 

O ex-cozinheiro do “Príncipe das Marés”, durante o interrogatório, ao descrever os factos acerca do crime sublinhou que “no momento da ocorrência, por razões psíquicas, estava a ter alucinações: a ver imagens de pessoas a atacarem-me. E, por isso, ao defender-me dessas imagens, agredi uma pessoa sem me aperceber de quem se tratava e em que circunstâncias”.

 

Bonifácio Rocha, de 45 anos, explicou que só veio a aperceber-se da situação quando o imobilizaram no convés e foi informado pelos colegas que tinha assassinado um tripulante da embarcação. Para as consultas de controlo, o cidadão detido na Cadeia de São Vicente está a ser conduzido por agentes da GESP aos serviços de Psiquiatria do Hospital Baptista de Sousa, onde é submetido a uma perícia médica por parte dos psiquiatras.

 

Por outro lado, os familiares de Bonifácio confirmam ao NN que “ele andava muito perturbado” mas que, em Cabo Verde, nunca tinha sido observado por um psiquiatra. Apenas em Dakar, no Senegal, onde viveu, é que tinha passado pelos serviços de Saúde Mental.

 

Medidas de segurança

 

Quanto ao relatório médico dos serviços de Psiquiatria, o seu conteúdo vai ser anexado ao processo-crime e só na audiência de julgamento é que o Tribunal irá revelar pormenores sobre o parecer médico. Mas o certo é que a perícia a que Bonifácio está a ser sujeito é que vai permitir ao Tribunal saber se o arguido padece de perturbações mentais ou não.

 

O Tribunal mantém o homem em prisão preventiva, enquanto faz os preparativos para submetê-lo a julgamento. Com a decisão final sobre o processo-crime, caso o juiz vier a declará-lo inimputável, o arguido irá cumprir medidas de segurança. O que na prática significa que vai continuar na Cadeia da Ribeirinha, visto que em Cabo Verde não existe nenhum centro de internamento para doentes mentais que cometam crimes.

 

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