Uma vida à procura de um ganha-pão e a fugir dos “caçubodistas”

17/04/2014 07:50 - Modificado em 17/04/2014 07:50

taxi svNo Mindelo, os taxistas são um alvo fácil para os “caçubodistas”. Transportar passageiros à noite tornou-se numa roleta russa: não se sabe quando é que um assaltante entra no carro. A classe está preocupada com os casos de assaltos em que taxistas foram agredidos e perderam os pertences e o dinheiro de um dia de trabalho roubados por gatunos que actuam na ilha de São Vicente.

 

Os taxistas da ilha de São Vicente têm vindo a reclamar do mercado do trabalho: muitos táxis por turnos de trabalho, concorrência desleal dos transportes turísticos, preço dos combustíveis sempre a subir e a insegurança pertencem ao roteiro de reclamações de quem presta serviço público à procura de um sustento para a família.

 

Alberto Santos explica a razão dessa situação: “não se sabe a quem estamos a prestar serviço, porque seria inadmissível perguntar ao cliente qual a sua profissão ou se pratica assaltos”. Santos, considera que os taxistas da cidade do Mindelo se transformaram num alvo fácil para os indivíduos que praticam actos ilícitos na ilha.

 

Este taxista afirma que têm de carregar todos os passageiros pois, quem não é proprietário tem de apresentar os resultados ao patrão. “Se você é patrão escolhe quem transporta e, se não for, tem de apanhar todos os clientes que accionarem os teus serviços”.

 

Por seu lado, Jorge Silva explica que já foi vítima de um “caçubody” perpetrado por dois indivíduos que lhe roubaram o telemóvel de serviço e mais 4400 escudos. O caso ocorreu atrás do Cemitério e chegou inclusive a travar uma luta com os assaltantes, ferindo um dos gatunos nas mãos. Depois dessa acção de defesa, os meliantes puseram-se em fuga e a vítima apresentou queixa na Polícia Nacional.

 

Jorge assegura que por causa do assalto não vai desistir do trabalho que faz há mais de dez anos, pois é a sua forma de ganhar um sustento. O entrevistado deixa um alerta aos colegas para terem cuidado com os fretes realizados na proximidade do hospital.

 

“Há gatunos que estão a actuar nessa área, usando o pretexto de terem familiares internados e que precisam de ir à própria residência buscar-lhes alguns pertences. Pelo caminho, atacam quem está ao volante roubando o dinheiro e outros bens. Quanto à PN, deveria fazer algumas patrulhas para interceptar esses “caçubodistas” que não querem trabalhar mas apenas viver às custas do vício de roubar as coisas alheias”.

 

Já Adérito escapou de uma tentativa de assalto quando lhe colocaram dois contentores na estrada de acesso ao Campim. Mas acrescenta que “consegui escapar do assalto, mas tive prejuízos com o carro, porque ao tentar a fuga bati num dos contentores. Neste aspecto, apesar dos danos, o ponto positivo é que escapei de uma agressão com contornos de violência que poderiam deixar marcas por toda vida, já que os quatro assaltantes estavam armados com um taco de basebol e outro de golfe”.

 

Os taxistas dizem-se preocupados com a situação de insegurança e que a Polícia Nacional está a par da questão. Por outro lado, há quem defenda que “continuamos a trabalhar desprotegidos e com receio de recorrer às armas e gases para não nos envolvermos em problemas com a Polícia”. Mas apelam para que medidas sejam tomadas para protegerem a integridade física e profissional dos taxistas.

 

  1. condutor

    Sei que há bons taxistas e que merecem todo o meu respeito. Mas há muitos também que só sabem reclamar, são muito abusados, pensam que meio de estrada é garagem deles e ainda por cima muito mal educados e agressivos. E com esses? A policia não tem que fazer nada????????

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