Compra de votos: “ por duas vezes vendemos os nossos votos por dez mil escudos “

27/06/2012 02:44 - Modificado em 27/06/2012 02:44

A compra de voto tem sido um tema habitual durante as campanhas eleitorais realizadas em Cabo Verde, onde os partidos políticos acabam por se acusarem uns aos outros dessa prática. Mas, na verdade não passam de suspeições nunca provadas em Tribunal e por isso nunca ninguém foi condenado por essa prática. Embora haja quem diga que já recebeu, mas não consegue provar. Por isso a compra de votos é um mistério entre a fantasia e verdade. O sigilo é mãe desse mistério. NN falou com alguns cidadãos que dizem que já venderam os seus votos e outros que dizem que estão na disposição de vender o seu voto. É apenas uma questão de preço e de necessidade.

 

A troca de acusações entre as forças políticas tem sido o espelho das campanhas eleitorais em Cabo Verde, onde os dirigentes acusam os adversários de condutas que violam o Código Eleitoral. Entre essas acusações estão as ofertas de dinheiro em troca de um voto que ajude o partido a vencer as eleições. Nestas circunstâncias apuramos que há partidos que durante a campanha eleitoral aproveitam dos problemas financeiros que assolam as famílias para ajuda-los financeiramente em troca do voto das pessoas que compõem o aglomerado familiar. Mas não há provas.

O NN conversou com alguns cidadãos que dizem ter participado nesse esquema. Mas nota-se que há um medo dessas pessoas em mencionar o nome do partido que lhes deu dinheiro em troca de um voto. Neusa Soares e André Brito afirmam que por duas vezes aceitaram vender o seu voto “a falta de dinheiro para sustentar os nossos filhos fez-nos aceitar as ofertas das pessoas que estavam na nossa zona a pedir votos”. De acordo com Neusa e André, das duas ocasiões receberam uma quantia de cinco mil escudos. Mas não conseguem provar. Não querem e não tem como provar. Dinheiro vivo não fala.

 

Você venderia o seu voto?

Por outro lado o NN questionou algumas pessoas, no sentido de saber-mos se venderiam o seu voto, por quanto e quais os motivos que as levariam a aceitarem as ofertas dos membros dos partidos políticos. Belinda Monteiro afirma que “sou estudante, neste momento estou com dificuldades para liquidar a propina, por isso caso os partidos vierem ter comigo não terei problema em vender o meu voto. Porém não irei aceitar menos de 5000 escudos, uma vez que este valor é perfeitamente favorável para driblar as minhas dívidas”.

Já Janine Gomes defende que pensaria duas vezes se valeria a pena vender o seu voto, mas caso algum membro das forças políticas lhe entregassem três mil escudos caía na tentação, uma vez que precisa desse valor para quitar um débito, junto de um espaço comercial. Por seu lado Miguel Tavares é peremptório e afirma que o seu voto custa apenas mil escudos justificando que numa época de crise e sem dinheiro nos bolsos, o valor daria bom jeito na sua alimentação.

 

Voto não tem preço

Porém há aqueles que defendem que o seu voto não tem preço, como o caso de Amílcar Chantre “não podemos nos submeter aos subornos dos políticos, uma vez que o voto é a nossa consciência política. Porque assim estamos a violar os nossos princípios de decisão própria, na medida que deixamos ser levados pelas coisas materiais e pelo engodo das forças políticas”. Ernesto Veiga partilha da opinião de Amílcar, mas acrescenta que “ ao vender o nosso voto estaríamos a cooperar com aqueles que violam o Código Eleitoral. Porque a compra do voto é um acto ilegal e que limita ao cidadão o poder de questionar a actuação do partido que cedeu-lhe o dinheiro”.

Entre a ficção e a realidade. As denúncias de todos os partidos políticos. As afirmações de quem diz que vendeu o voto, mas não tem como provar. A disposição de muitos para vender o voto.

Entre isso tudo, ficamos com o velho ditado: onde há fumo há fumaça.

  1. jose alkves

    Mas Será que eles vão votar na quem comprou?
    Oueles caçam os documentos tais B I Passaport para que não venham conseguir vatar
    no dia das eleiões?

  2. eta-nois-.na-fita

    Pois. Um estudante universitário a pensar desta forma. Belos quadros teremos no futuro. Então quando estiveres empregada e se por ventura estiver passando alguma necessidade financeira, irás com certeza roubar a entidade empregadora “se possível”, pois a sua consciência nem está por ai. Se tens problema de propina, suspende a matricula procura a solução de outra forma, mas de forma digna. Onde vão parar os valores da sociedade de hoje em dia.

  3. Valores morais

    Meus amigos entendo que os valores morais devem ser preservados e a consciência humana deve sobrepor aos interesses económicos e financeiros.

  4. Jose Teixeira

    Meus senhores, esses coitados vendem os seus votos,isto e ilegal moral e eticamente, outro sim, eles posteriormente venham ser castigados por aquele que saiu vitorioso, mesmo que esse os tenham comprado a consciencia. A politica deve ser feita com muita moral e etica. Estes bandidos devem ser corridos de Cabo Verde, o mais rapido possivel, que vao para aquela parte que aqui nao posso dizer, mas eles bem sabem o que eu quero dizer. Abaixo os bandidos, abaixo os corruptos,Viva a democracia!!!

  5. ANM

    Isso a propósito de cassar os documetos de identificação, me lembrei dessa :

    ” alguém que confessou ter vendido o seu voto por 2 mil escudos e mais uma botija de gaz, – votou no Partido de sua preferência, com o Passaporte ( Esteve para emigrar na ocasião de eleições anteriores”. Viram mais essa ?!…

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