Suicídio de recruta: internautas denunciam maus tratos e posicionam-se contra o serviço militar obrigatório

14/04/2014 00:20 - Modificado em 13/04/2014 23:08

militaresO caso de um jovem recruta que se suicidou no Centro de Instrução Militar Zeca Santos no Morro Branco, é um assunto que despoletou reacções. Nas redes sociais e no espaço do fórum do NN, há pessoas a comentar a situação. Na sequência da ocorrência que culminou na morte de Adriano Fortes, de 19 anos, há internautas a levantarem questões sobre o modelo de Serviço Militar Obrigatório e a forma como as recrutas são tratadas durante o processo de recrutamento até ao Juramento da Bandeira. Ciente destas preocupações, as Forças Armadas pretendem eliminar os tabus da vida militar.

 

Adriano Fortes, natural de Santo Antão, suicidou-se ao saltar de uma rocha com cerca de 80 metros no CIM Zeca Santos, na tarde do dia 8 Abril. O Comando da Iª Região Militar na ilha de São Vicente lamentou o caso e explicou que “nada fazia prever que a recruta iria suicidar-se”.

Mas, para os internautas, situações dessa natureza podem estar relacionadas com a forma como as recrutas são incorporadas nas Forças Armadas: a questão da alimentação, dos treinos físicos e dos castigos.

Críticas

Por exemplo, Tukan Monteiro escreve que os castigos podem levar um militar a praticar o suicídio: no “dia em que pararem os abusos às recrutas e forem seguidas as regras militares sem abusos, não haverá mais situações do tipo”.

Um internauta, de nome Jorge Gomes, no fórum faz uma interpelação referindo-se ao processo do Serviço Militar Obrigatório em Cabo Verde. “E de quem é a culpa? Mais um jovem que perde a vida porque está a cumprir algo que é obrigatório, não escolheu ir para a tropa. É a triste realidade da nossa terra”.

Revisão

O caso do suicídio da recruta é visto pelos internautas como forma de repensar o sistema de recrutar jovens para prestarem o serviço militar e ainda a conduta dos superiores hierárquicos para com as recrutas. As pessoas continuam com a ideia de que os jovens são castigados ao ponto de sofrerem perturbações psicológicas que proporcionam frustrações ou a prática do suicídio.

“Talvez seja a hora de revermos a conduta nesses Comandos Regionais Militares, talvez seja necessário terem por perto o auxílio e/ou o apoio de uma equipa multidisciplinar com um psicólogo ou psiquiatra. Não creio que seja fácil para um jovem de 19 anos acatar de ânimo leve determinadas regras e condições junto do facto de estar tão longe de casa e da família, sem o suporte que é necessário para qualquer ser humano. A meu ver, este caso, que para a família é único e singularmente doloroso, vem-nos demonstrar a necessidade de repensarmos tudo”.

Esclarecimento

É certo que as Forças Armadas estão cientes dessas interpelações da sociedade. Entre os tabus estão a questão da alimentação, dos treinos físicos e dos castigos. “Queremos quebrar estes tabus porque queremos fazer parte da sociedade e aproximarmo-nos mais do cidadão”, esclarece o comandante. O projecto, como explica, pretende “dar a conhecer à população em geral como é que efectivamente decorre todo o processo da instrução” explica o Comando da Iª Região Militar.

O Comandante Amílcar Pires assegura que há toda uma perspectiva de desenvolvimento institucional “assente na melhoria das condições de vida e de trabalho, das condições de operacionalidade e de uma maior transparência na gestão diária”, o que perspectiva uma melhoria da organização militar em si.

 

 

  1. Ex-militar

    Sou Barra 94. Fiz recruta em Mindelo e completei o serviço militar na Praia. Durante o serviço, tive orgulho de servir o meu país, mas também o infortuno de ter como instrutores e comandantes pessoas iletradas, e pior, que não tem perfil de militar….uns autênticos frustrados.
    Estes senhores, encondendo-se nas suas patentes e num regime que os encoberta, praticavam abusos, os quais já resultaram na morte de alguns recrutas e soldados, e também na incapacidade física e mental de muitos outros.
    Contráriamente aos exercícios táticos, os exercícios físicos são excecivos, e a alimentação é péssima. O mérito não existe, mas sim o favoritismo, o amiguismo, padrinhagens e benção politico-partidária.
    Nos quartéis de Cabo Verde vê-se de tudo…. Servícias, alcoolismo, drogas, roubo de armas e munições, abuso dos bens militares, sexo com civis, enfim, tudo o que não devia acontecer. Tudo isto escondido debaixo das fardas.
    Com exceção dos bons militares que ainda temos (cerca de uns 10%), a maior parte deveria ser expulso da instituição, para não dizer que alguns deveriam ser presos. Quanto as chefias, desde dos Comandos ao Chefe Maior das Forças Armadas, só querem saber das beneces que o posto lhes atribui.
    Por isto e por outras que deixei, com muita tristeza minha o serviço militar (minha paixão), pois, enquanto homem e patriota não aceito ser comandado por seres que não dignificam a farda que vestem.

  2. CARLOS CRUZ

    EU TAMBEM FUI MILITAR BARRA 93 DA MINHA PARTE NAO TENHO RAZOES DE QUEXA MAS VI MUITOS ABUSOS NO MORRO BRANCO SITANDO UM QUE SE PASSOU COM O SR NA ALTURA TENENTE ARLINDO UM COLEGA MEU PEDIU MAIS UM POUCO DE COMIDA ELE MANDOU ENCHER A BANDEJA QUE E PARA COLOCAR OS PRATOS NA MESE CHEIA DE GRAO BICO E MANDOU ELE COMER TODO O PIOR DISSO TUDO FOI ELE TER COLOCADO 2 HOMENS ATRAS DELE COM SINTUROES OBRIGANDO _LHE A NAO DEIXAR NADA NA DITA TRAVESSA

  3. Cidadão Mindelense

    Eu acho que o recrutamento o militar devia ser repensado, pq muitas vezes prejudica muitos jovens o seus objectivos, prejudicam-lhes na escola, na vida familiar e a forma como são tratados no centro pelos superiores é mesmo um horror por isso que muitos jovens não aguentam essa pressão e por vezes suicidam, só para vos dar um exemplo, a muitos anos um Tenente chamado Paulo, por pouco deixava um recruta cego de um olho, ao disparar de forma abusiva uma arma com bala seca perto do seu olho, triste.

  4. José Manuel de Jesus

    Não temos a capacidade de entreter um Exército de profissão. Portanto temos de ter o Serviço Militar Obrigatôrio que até serve para fazer o homem. So não se deve deixar a instrução nas mãos de frsutrados e analfabetos como disse um ex-militar.
    Antes era orgulho dizer “fiz o meu serviço” Agora, temos mais bandidos e menos soldados.
    Sou de opinião que o SMO devia ser para ambos os sexos, cabendo a cada um exercer no lugar onde convier. Precisamos de defesa, mesmo assim.

  5. David

    Parece que muitos dos que já comentaram estão surpresos com isso que aconteceu e que acontece. O ex-militar e o Sr Carlos tem conhecimento do que se passa no serviço militar, o problema que origina é exatamente a parte do “OBRIGATORIO” outros paises tem militares qualidade superior a nossa porque aqueles que lá estão se inscreveram por, assim como o Ex-militar” tem paixão pela vida como militar, eles gostam de servir. Em Cabo verde é obvio que são frustrados, foram arrastados para a tropa.

  6. Barra levezinho

    O serviço militar em CV é só esbanjamento de dinheiro. Os esforços e dispendios gastos nas FA dariam mais jeito na PJ ou na POP, que estes sim, ja fazem algo, o resto é só engordar a pança até que chegue a reforma. Por favor, CV não tem capacidade para entrar em nenhum combate e quem ia querer invadir-nos? Os meios que as FA dispõe devia ser transferidos justamente com os oficiais para a autoridade da PJ, no combate contra o trafico, deliquencia de rua, jovas palhaços ke kerem so cantar rep….

  7. idels

    E OBRIGATORIO, MUITOS DEIXAM OS SONHOS PARA TRAS , A FAMILIA OS ESTUDOS, JA VI CASO DE BONS ALUNOS OBRIGADOS A PRESTAR SERVICOS MILITAR E PERDERAM DIREITO D ESCOLA E DEPOIS TEM E KE BUSCAR POR EMPREGO PARA CONSEGUIR PAGAR OS ESTUDOS PORQUE A IDADE NAO PERMITE VISTO QUE FORAM BRIGADOS A IR A TROPA. MUITOS NAO CONSEGUEM PAGAR OS ESTUDOS E DAI PERCAM MOTIVACAO ESPECTATIVA PARA VIVER PQ SO CNSEGUEM TRABALHOS QUE DA PRA VIVER SO O hOJE. ALEM DE SER OBRIGADOS ,SERAO MAL TRATADOS I ABUSADOS ETC ETC…

  8. Mário Dias

    Aco k deveria era abolir sim esses maus tratos pq eu em 2007 felismente numa semana que passei la vi muitas asneiras e pior é que não tens em quem recorrer.A ameaça de quando graduados irem para casa entendemos é o Pão nosso.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.