Elisângelo Ramos: editor do jornal da manhã da RCV a vendedor de sucata

9/04/2014 07:28 - Modificado em 9/04/2014 09:47

radioEsta é uma história de um drama anunciado .Um drama e uma história que se repetem no anonimato .No silêncio da dor quando o gritos de desespero já não se ouvem. Está é a história do jornalista Elisângelo Ramos.O drama de um bom profissional que a doença atirou para o fundo do poço , mas que luta para sair , para viver. Fez o caminho de editor do jornal da manhã da RCV a vendedor de sucata.

 

Elisângelo Ramos, jornalista, é um antigo quadro da RTC que está a tentar encontrar uma forma de voltar ao seu antigo trabalho. Ele sofre de transtorno delirante e, “no momento que mais precisava da empresa, a RTC não o soube apoiar”. O caso remonta a 2011. E é uma situação que, como afirma Elisângelo, “todos os dias tenho de pensar”. Hoje vive sem trabalho e depende da mãe. Diz que trabalha vendendo ferro velho para conseguir sobreviver. Elisângelo desempenhou várias funções na RCV entre as quais a de editor do Jornal da Tarde, delegado substituto na Assomada, produziu, realizou e apresentou vários programas na estação pública.

 

Relembra que na altura, quando pediu para sair da RCV, era o editor do Jornal da Manhã. E todo o stress proveniente do trabalho, acumulado com vários problemas pessoais como a separação da companheira e dívidas, fez com que a doença começasse a manifestar-se. Mas como diz, “não me impedia de fazer o meu trabalho”.

 

Confessa que toda essa situação o afectou mais do que pensava na altura porque não tinha a noção da doença e tão pouco assumia os problemas com o álcool. “Tudo isto baralhou o meu bem-estar mental e emocional, perdi a noção da realidade e, para resolver um problema, arranjei mil e, nesse sentido, acabei por pedir a rescisão do meu contrato por mútuo acordo. Mas a RTC não tinha interesse em rescindir contrato”.

 

Revela ainda que a direcção achou que estava a ser precipitado e que deveria procurar auxílio médico. Mas não fiz isso. Não tinha a consciência da doença. E fui perdendo a consciência dos meus actos. Já não controlava as coisas. Diz que fez coisas de que não quer falar, devido à doença

 

Mas a parte mais triste e que Elisângelo sente vergonha de contar, é o episódio em que foi levado para o hospital. “O meu espanto foi quando entraram três agentes da polícia armados que perguntaram quem era o Elisângelo e que precisavam de falar com ele. E, sem mais nem menos, levaram-me para o Hospital Psiquiátrico da Trindade. Mas diz que não lembra o motivo pelo qual foi levado.

 

E já ali, “disseram-me para aguardar o médico que depois me analisou”, relembra Elisângelo. Diz que todos ficaram estupefactos porque, quando é uma urgência, chama-se a ambulância e não a força policial. Mas, na realidade, quando se trata de casos relacionados com denúncias de actos cometidos por perturbação mental, é a PN que deve ser accionada.

 

E sente que a situação foi-se degradando e ele foi perdendo a auto-estima. Acabou por regressar ao trabalho devido a um atestado médico, mas manteve a ideia de rescisão, apesar da RTC defender que o trabalhador deveria ser tratado.

 

Conta que o seu desequilíbrio fez com que fosse levado pela polícia, mas desta vez, por distúrbios à frente da sede da RTC, razão pela qual foi proibido de entrar nas instalações da empresa. Diante da RTC, diz que insultou a direcção. E diz não se lembrar de muita coisa, isto por causa do seu estado debilitado.

 

A RTC aceitou a proposta de rescisão, com a condição de lhe pagar vinte e um dias de férias, cerca de vinte e três mil escudos. E também comprometia-se a pagar-lhe algumas dívidas. As férias foram o único dinheiro que recebeu.

 

Confessa que dormiu muitas vezes na rua e que, às vezes, não levou o tratamento tão a sério como deveria.

 

As esperanças de Elisângelo

 

Mas agora que voltou para São Vicente, com a ajuda de alguns amigos, está a tentar fazer com que o seu processo seja reaberto pela empresa para discutir a sua situação. Alega que na época estava doente e que não tinha poder sobre os seus actos e que, por isso, espera ser reintegrado na empresa.

 

“Neste momento, sinto-me bem de saúde, fiz tratamento e agora o meu maior sonho é ver a minha situação resolvida e ver se se consegue fazer alguma justiça nesta situação”, diz Elisângelo. A justiça seria ser reintegrado sem ter de recorrer a outros meios como o tribunal.

 

E pretende ainda voltar para a Praia para conseguir os documentos que precisa para reabrir o processo. Isto porque todo o processo decorreu na cidade da Praia.

 

  1. António Miranda

    Força meu Caro. Deixas falta na Rádio. Vais conseguir vencer. É uma questão de acreditar e ter muita força de vontade. Estamos juntos

  2. Depois do sofrimente vem a bonanza. Espero que Deus lhe ajude a resolver todo esse sofrimento brevemente

  3. Baldoque

    Não percebi. Onde é que há injustica neste caso? O róprio Jornal diz que a RTC tentou ajudar. é reconhecido pelo próprio Elizangelo. Sinceramente não percebi nada. “Espera justiça…”. Sim era uma doença. A RTC, julgo que a decisão partiu dela, tentou interná-lo, mesmo sem que o Elizangelo desse conta do que tinha feito… Enfim. QUem de direito me elucida porque não entendo de injustiça neste caso. Fico, entretanto, a espera que outros digam de sua justiça para que melhor possamos compreender.

  4. Djê Guebara

    Força meu amigo e irmão caboverdeano nunca das por vencido:

    Escuta o meu conçelho: (Se algum dia cais-te não te preocupas,faz como o sol,que caì pelas as tardes e se levanta cada amanhã com mais explendor)
    Desde da Florida sou Djê Guebara.

  5. Fiat Lux

    Olá Elisângelo! Há alguns dias estivemos a conversar e disse-te que a vida em sociedade é uma autêntica selva, mas que pode ser transformado num paraíso se seus membros adquirirem a consciência de que auxiliando seus semelhantes estão ajudando a si mesmo, pois quanto menos problemas sociais mais harmonia. Quem está sendo ajudado deve ter também a consciência que precisa demonstrar que merece essa confiança/oportunidade. Todos precisamos de uma segunda oportunidade. Força caro amigo.

  6. Fiat Lux

    Sr. Baldoque. Para confirmarmos se houve ou não injustiça teriamos que analisar todo o processo, o quadro clínico do Elisângelo desde o início, as medidas que foram tomadas, por quem e porquê, etc, O conceito de justiça todos o temos bem enraizado na nossa consciência e se estivermos atentos e analisarmos uma situação aplicando lógicas simples, sem tomar partido de A ou B, facilmente chegaremos à conclusão se houve ou não injustiça. Para tal são precisos dados e esses, ao que parece não os temos.

  7. Any Brito Benrós

    Bom profissional. Tive o privilégio de trabalhar com ele na RCV. Aprendi muito com o jornalista Elisângelo Ramos.
    Força amigo…tudo resolverá…

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