Novas autoridades de Kiev acusam Rússia de envolvimento nas mortes de Fevereiro

4/04/2014 09:04 - Modificado em 4/04/2014 09:04
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kievAgentes dos serviços secretos de Moscovo teriam participado no planeamento da repressão. Moscovo reagiu dizendo que a alegação é contrariada por “numerosas provas”. Polícia anti motim de Ianukovich responsabilizada por assassínio de manifestantes.

 

As novas autoridades ucranianas acusam os serviços secretos russos e o antigo Presidente, Viktor Ianukovich, de envolvimento directo nos disparos que, em Fevereiro, resultaram na morte de dezenas de manifestantes em Kiev, nos últimos dias do regime deposto.

 

“Agentes do FSB [serviços secretos russos] participaram no planeamento e na execução da alegada operação antiterrorista” contra os manifestantes, disse o actual chefe dos serviços de segurança da Ucrânia, Valentin Nalivaichenko, numa conferência de imprensa em que foram anunciados os resultados preliminares de um inquérito à morte de 76 pessoas, entre os dias 18 e 20 de Fevereiro. Durante os protestos que levaram à queda do regime foram mortas mais de cem pessoas.

 

Nalivaichenko disse que equipas do FSB estiveram em Dezembro e Janeiro nas instalações dos serviços de segurança do regime e que dois aviões transportaram da Rússia para a Ucrânia, a 20 de Fevereiro (um dos dias mais sangrentos da repressão), “toneladas” de explosivos e armamento.

 

As imputações das autoridades de Kiev motivaram uma reacção do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, que diz serem “contrariadas por numerosas provas”. A investigação sobre a autoria dos disparos deve ser feita de modo “transparente”, disse também Serguei Lavrov.

 

O serviço de imprensa do FSB tinha já comentado a acusação, desmentindo-a implicitamente, numa resposta à agência russa Ria Novosti: “Que essas declarações fiquem na consciência dos serviços de segurança ucranianos.”

 

As acusações ucranianas surgem numa altura em que a Rússia anunciou que alguns dos batalhões que tem mantido concentrados junto à fronteira com a Ucrânia deverão regressar às suas bases. O governo de Moscovo anunciou também esta quinta-feira que quer esclarecimentos da NATO sobre as suas actividades na região. A aliança atlântica prometeu, na sequência da anexação da Crimeia pela Rússia, reforçar a defesa dos países-membros mais próximos da Rússia.

 

Os resultados do inquérito preliminar aos disparos sobre manifestantes no centro de Kiev acusam atiradores da Berkut, a polícia antimotim entretanto dissolvida, da autoria material dos disparos. A procuradoria ucraniana anunciou, também esta quinta-feira, a prisão de 12 dos elementos de uma das células, a chamada “Unidade Negra”. Mas a operação de repressão ocorreu “sob a liderança directa” de Ianukovich, acrescentam.

 

Ao antigo Presidente, que a 21 de Fevereiro fugiu para a Rússia, é atribuída a autorização do uso de armas contra manifestantes. As novas autoridades emitiram mandados de captura contra Ianukovich e Oleksandr Iakimenko, antigo chefe dos serviços de segurança.

 

A maior parte dos manifestantes assassinados nos últimos dias do poder de Ianukovich foram mortos na rua Institutska, junto à Praça da Independência, conhecida como Maidan, local das grandes concentrações que se prolongaram por meses e levaram à queda do regime.

 

Segundo o ministro interino do Interior, Arsen Avakov, citado pela BBC, o inquérito determinou que, num dos episódios de repressão, oito manifestantes foram mortos por balas disparadas pela mesma metralhadora. E que uma unidade comandada por um major é suspeita da morte de, pelo menos, 17 pessoas. Mas tanto Avakov como Nalivaichenko disseram, segundo a AFP, não poder identificar sem margem de erro os autores dos disparos mortais.

 

Ianukovich tem negado as acusações de responsabilidade na morte de manifestantes. Numa entrevista televisiva divulgada na quarta-feira disse que os disparos foram feitos a partir de edifícios de Kiev controlados por opositores do seu governo. Na mesma linha, as autoridades de Moscovo atribuem os disparos a movimentos nacionalistas ucranianos, nomeadamente ao grupo de extrema-direita Sector Direito.

 

 

 

publico.pt

 

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