Líder militar do Egipto lança candidatura à presidência

27/03/2014 07:43 - Modificado em 27/03/2014 07:43

sissiNinguém tinha dúvidas de que o marechal Abdel Fattah al-Sissi seria candidato às eleições presidenciais do Egipto. Só falava que o próprio o anunciasse, como fez ao início da noite uma declaração transmitida pelas televisões do país.

 

Depois de esclarecer que já se demitiu do cargo de chefe do Exército e de ministro da Defesa, o que era obrigado a fazer para se candidatar, prometeu que ia trabalhar para um país “livre do medo” — o combate ao terrorismo tem sido a mensagem permanente dos militares que tomaram o poder o ano passado, depois de deporem Mohamed Morsi, o islamista que foi o primeiro Presidente eleito democraticamente no Egipto.

 

Sissi, de 59 anos, também disse que não podia “fazer milagres” e pediu a todos os egípcios que trabalhem para melhorar o país.

 

Desde o golpe contra Morsi, em Julho de 2013, Sissi tornou-se na figura mais popular do país, com os media a aplaudirem a dura repressão desencadeada contra a Irmandade Muçulmana. Pelo menos 1400 membros e apoiantes da confraria morreram entretanto, a maioria em confronto com forças de segurança na sequência de protestos.

 

Já esta semana, mais de mil dirigentes e militantes da Irmandade foram condenados em julgamentos em que os advogados de defesa não chegaram a poder ser ouvidos — os processos foram denunciados pela ONU como “violação da lei humanitária internacional” e descritos pela Amnistia Internacional como “exemplo grotesco das falhas e da natureza selectiva do sistema judicial egípcio”.

 

No primeiro processo, 529 pessoas foram já condenadas à morte; no segundo, 693 homens vão conhecer a sentença no dia 28 de Abril. Mas dos mais de 1200 réus, só uns 200 estarão presos — os restantes foram julgados à revelia. Todos foram julgados por homicídio, incitação à violência e destruição de propriedade.

 

O julgamento, apenas um de dezenas de processos iniciados em todo o país contra a Irmandade, considerada entretanto uma “organização terrorista”, já reacendeu as tensões no país: uma pessoa morreu e 30 ficaram feridas nos protestos e há mais manifestações marcadas.

 

Os últimos meses não foram apenas marcados pela repressão aos islamistas: vários jovens que lideraram os primeiros protestos contra a ditadura de Hosni Mubarak também foram detidos, acusados quase sempre de organizarem manifestações ilegais. O governo interino nomeado pelos militares aprovou em Novembro uma nova lei que permite ao Ministério do Interior proibir qualquer protesto e prevê penas severas para quem violar as ordens das forças de segurança.

 

O homem a quem alguns apoiantes já chamaram o novo faraó será com toda a certeza eleito numas presidenciais ainda sem data marcada. Até agora, o único político que anunciara a sua intenção de desafiar Sissi nas urnas é Hamdeen Sabahi, o nacionalista de esquerda que surpreendeu ao ficar em terceiro nas presidenciais de 2012.

 

 

publico.pt

  1. José Manuel de Jesus

    Não se pode concordar com a condenação somària. Aliàs os “Direitps Humanos” o disseram. Mas, pergunto, onde andavam estes quando os adeptos do Morsi actuavam preconizando a charia?
    Os abusos engendram abusos e é assim que começa a escalada para selvajaria o que temos (camufladamente) bem perto de nôs.
    No more comment !!!

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