Violação em Mão Pra Trás: Mãe da jovem com atraso mental cuida da filha e do neto

27/03/2014 07:30 - Modificado em 27/03/2014 07:30

Mon pa trasO processo esteve seis anos a mofar nas gavetas da Procuradoria da República da Ribeira Grande . Enquanto isso nasceu uma criança também com atraso mental , sem pai . Como é que viveram? Como sobreviveram ao estigma e a falta de recursos? A investigação vai levar mais quantos anos ? O processo vai prescrever e contar apenas no Relatório Departamento de Estado dos Estados Unidos como mais um caso de agressão sexual não resolvido? Mas neste caso é preciso que o processo chegue a julgamento. Para que , enfim se faça justiça.

 

O NotíciasdoNorte prossegue com a investigação para conhecer o perfil de uma jovem que sofre de retardo mental e que há seis anos foi violada e ficou grávida na localidade de Mão Pra Trás, Santo Antão. A vítima teve um filho que padece do mesmo problema de saúde. A mãe, dada a sua doença, não consegue cuidar do filho. Já a criança passa a maior parte do tempo ao colo de familiares, pois apresenta problemas de locomoção. Por sua vez, a família da vítima vive um trauma resultante de um caso de violação que “caiu que nem uma bomba de fragmentação ” entre a população de Mão Pra Trás.

 

A jovem que na altura dos factos tinha 19 anos, vivia em casa da avó, pois a mãe tinha ido viver e trabalhar na Itália. A cidadã que sempre necessitou de cuidados especiais por sofrer de atraso mental passou a estar sob a tutela de familiares que residem na localidade de Mão Pra Trás. Apesar de estar a viver no estrangeiro, a mãe da vítima é quem garante o bem-estar da filha e do neto, fazendo com que os dois tenham uma vida digna, sem dificuldades de sobrevivência.

 

O NN apurou que a jovem frequentou o ensino pré-escolar, mas que dada a sua deficiência teve problemas para se enquadrar no ensino primário. Devido ao seu problema de aprendizagem e de fala, a jovem não prosseguiu os estudos e a casa da avó em Mão Pra Trás passou a ser o seu refúgio. Mas há cerca de dois anos que a jovem e o filho deixaram essa localidade para viverem em Povoação sob os cuidados de uma tia. O NN sabe que a criança, por necessitar de cuidados especiais, deverá ser encaminhada para Itália, onde vai ficar sob a tutela da avó.

 

A zona de Mão Pra Trás faz a ponte entre a cidade da Ribeira Grande e o Município do Paul. Situada à beira-mar, Mão Pra Trás é conhecida por ser “uma zona pacata pela hospitalidade da sua população, de clima ameno, com águas límpidas da nascente e um vale verdejante rodeado por vários terrenos agrícolas. Cerca de 150 pessoas continuam a residir nessa localidade que viu parte da sua população partir para as outras ilhas e para o estrangeiro, à procura de um emprego ou para prosseguir os estudos”.

 

Choque

Como em todas as localidades de Santo Antão, em Mão Pra Trás, a sua gente tem histórias que deixam marcas: “umas de sucesso, outras de dor ou de revolta”. Em 2008, quando veio a público a história da violação de uma jovem com deficiência mental que ficou grávida, os moradores de Mão Pra Trás ficaram em estado de choque. Segundo alguns moradores contactados pelo NN “quando disseram que ela foi violada e que estava grávida, a notícia caiu que nem uma bomba sobre a nossa comunidade. A situação abalou as pessoas, porque não se esperava que alguém fizesse um acto de barbaridade para com a vítima, uma cidadã que não perturbava ninguém”.

 

Justiça

Os familiares apresentaram uma queixa-crime às autoridades criminais para que o autor fosse punido mediante a aplicação das sanções previstas pela lei. Um homem foi referenciado como suspeito, mas sabe-se que a investigação procura confirmar e provar se “a jovem foi violada por outros homens”, pois foram recolhidos depoimentos que dizem “que a jovem doente era deixada sozinha e que alguns homens aproveitam-se da sua deficiência para obrigá-la a ter relações sexuais.”

 

Volvidos seis anos, o processo foi resgatado dos arquivos da Procuradoria da Ribeira Grande para que “a culpa não morra solteira e o caso não seja mais um dos mistérios por resolver em Santo Antão”. A PJ esteve no terreno para recolher amostras do suspeito referenciado, da jovem e do filho para realizar exames de DNA para determinar quem é o pai da criança. Para a família da vítima e para os moradores, a reabertura das investigações surge como uma luz no fundo do túnel para a descoberta da verdade dos factos. Os cidadãos sublinham que “quem quer que seja o autor, terá de arcar com as suas responsabilidades e responder perante o Tribunal para que Justiça seja feita de acordo com a gravidade do caso”.

 

  1. José Manuel de Jesus

    Hoje em dia há indivíduos na nossa terra a quem não dou o meu cão para guardar mais de cinco minutos. Notem bem que não disse cadela mas cão. Ê que, depois de 1975, prolifera a raça de “catchorre de dôs pé” que tudo faz para que haja descrétido, desconfiança e perde de fé no humano. Esquecem-se que facilmente a atmosfera pode envenenar-se e o ambiente ser da lei do mais forte porque mijam nos deveres e esquecem (ou fazem-se de esquecidos) que “a nossa liberdade termina quando começa a liberdade do outro”.
    Não há respeito nenhum pelas mulheres (as nossas, quanto mais as dos outros) e os meninos são considerados potencial carne fresca de consumo na primeira ocasião.
    O que é isso? Se não somos capazes de dominar os nossos ímpetos temos de ser seguidos para o bem da sociedade.
    Alerta às autoridades que são o garante da nossa segurança.

  2. Carlos Ramos

    E quem vai investigar a Justica por este atraso aberrante?
    Será que alguem com influencia tenha tentando sabotar o andamento deste caso?
    Perguntas que nao poderão ficar sem responder pelos responsáveis.
    Se fosse num “Estado de Direito” muitos ou alguns teriam de responder por este atraso inexplicável e inaceitável. Assim funciona a nossa Justiça.

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