Emanuela: deixou de pagar a renda para comprar remédios e foi despejada

25/03/2014 07:32 - Modificado em 25/03/2014 07:32

balanca dinheiroOs pobres estão ainda mais pobres. Nalgumas zonas como certos bairros da ilha de São Vicente, a miséria é atroz. Esta é uma constatação feita por muitos mindelenses que tem e eco em muitos bairros da periferia .

 

Emanuela é uma jovem de 25 anos e mãe de quatro filhos. É natural de Santo Antão e, devido a uma série de dificuldades, as suas habilitações não foram para além da 3ª classe. Trabalhava para a fábrica de peixe Frescomar, mas teve de sair para cuidar do filho mais novo que sofre de asma e o pai das crianças não tem trabalho fixo.

Mora numa casa muito antiga sem condições, o tecto está a cair, não tem segurança, as portas fecham com a ajuda de pedaços de corda e não tem electricidade. Tem sobre a sua tutela outras três crianças e conta que vive da ajuda de vizinhos e amigos. O filho mais velho de oito anos vive com a avó.

“Manu”, como é conhecida, diz que não teve oportunidade de estudar, quer trabalhar mas já bateu em várias portas mas nenhuma delas se abriu, mas sonha um dia ver todos os filhos bem encaminhados. Entristecida, conta que “encontrou a casa onde mora com os filhos há dois anos abandonada e, como não tinha para onde ir, o companheiro resolveu limpar e fazer dela um espaço de agasalho para a sua família”. Desesperada diz que “há muito tempo que os herdeiros já pedem a casa para a construção e ameaçam despejá-los”.

Como estão ambos desempregados, não têm qualquer rendimento para arrendarem uma casa e muito menos para pagarem a água e a electricidade. As duas filhas de seis e quatro anos encontram-se em regime de semi-internato no Centro Nho Djunga.

Emanuela está habituada a fazer opções duras. Há três anos, um dos filhos adoeceu gravemente e teve de ser operado. Foi nessa altura que, para comprar os medicamentos, deixaram de pagar a renda na casa onde moravam e foram despejados.

Emanuela Silva já teve um emprego como empregada doméstica, mas foi nessa altura que engravidou e despediram-na.

Ana Bela, uma amiga assistente social tenta ajudar e incentivou-a a inscrever-se no projecto Casa para Todos e solicitou aos donos da casa onde vivem actualmente que aguardassem mais alguns dias para ver se conseguia fazer algo para ajudar as crianças que vivem em situação de risco. Regina e os filhos passam por diversas dificuldades, dependem muitas vezes de uma refeição que uma amiga cozinheira de um restaurante lhes leva sempre que pode.

A sua situação é de emergência absoluta, no entanto, não estão a ter apoio nenhum. Emanuela preenche todos os requisitos para beneficiar de apoios sociais: está desempregada, não aufere de rendimentos, tem quatro filhos a cargo, não consegue pagar renda.

 

  1. Realeza Negra

    Isso sim é um exemplo claro de contraste social. Enquanto uns fazem esbanjamento e essa jovem a viver além do limite..Como isso é possível? E os nossos governantes não deviam estar a par do assunto tentar ao menos resolver esta drama?

  2. PMI

    como é possível ter 25 anos e já com 4 filhos. já tem dificuldades demais ainda não para de parir. por favor vai ao PMI. depois a culpa é do governo. é o governo que anda a fazer estes filhos.
    pobre e cada vez mais pobre.
    tantos filhos tem muitas consequências, pobreza, desmprego, delinquência juvenil etc.

  3. verdade seja dita

    Pois, contraste social, rico ou classe media tm 1 ou 2 filhos e pobre, como e mais esperto faz logo 4. Isto sim e contraste social de mentabilidade.

  4. Ondina Ramos

    Com 25 anos e já com 4 filhos. A pergunta é quando é que Emanuela iniciou a sua carreira de engravidar? Se ela assim continuar quando chegar aos 35 anos já tem uma equipa de futebol.
    Como é normal Emanuela nao tem tempo nem possibilidade de executar um trabalho fora de casa. O pai de filho neste caso tambem tao ocupado com o seu papel de fecundador deve ter poucas energias para trabalhar fora de casa.
    Por todas essas “fraldas” temos PMI e as camisinhas sao distribuídas gratuitamente e sem limites bem assim como metodos contraceptivos.
    “Depôs de sáb morrê ca nada”. E a sociedade é que tem de acarretar pelas consequencias de um comportamento irresponsável de muitos cidadãos.
    Todos as campanhas para irradiar a pobreza estao condenadas ao fracasso enquanto nao houver uma mudança radical de mentalidade, atitude e comportamento e enquanto as pessoas nao se consciencializarem da sua responsabilidade como pais e educadores.
    E quem paga a maior parte desta factura sao essas infelizes crianças que nao pediram para vir a este mundo, fruto dum libido insaciavel e incontrolavel. Elas é que sao as verdadeiras vitimas, essas criancas, as tao sublimadas “flores da revolução”.

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