Despedimento em mini – mercado : funcionária diz que foi despedida por chegar atrasada

20/03/2014 07:23 - Modificado em 20/03/2014 07:23

COOKIE2Mais duas jovens passam agora a fazer parte das estatísticas dos desempregados em São Vicente. Neusa Braz e Ana Paula trabalhavam no Minimercado Verde e Verde, situado em Alto de Sentina, São Vicente e foram enviadas para o desemprego.

 

Segundo Neusa Braz que trabalhava como caixa no minimercado Verde e Verde desde Setembro de 2013 até 1 de Março do corrente ano e que recebia um salário de 11 mil escudos, alguns minutos de atraso levaram-na a perder o emprego.

 

Neusa Braz adianta que “no dia anterior trabalhei até depois do horário combinado, entretanto, no dia em que fui despedida, cheguei meia hora depois, como o combinado, pois quem trabalhava depois do horário podia descontar os minutos nos dias seguintes. Indignada, Neusa afirma que “todos os nossos direitos estão sendo roubados”. Neusa diz que ” Os funcionários são maltratados, não beneficiam de quaisquer regalias, não temos contrato assinado nem direito à segurança social e ainda somos obrigados a trabalhar como escravos, com uma carga horária de 10 horas por dia e sem direito a nenhum dia de descanso, as horas extras nunca foram pagas e o patrão faz o pagamento dos salários quando bem lhe apetece”.

 

A mesma adianta que “o patrão é quem dita as regras, por isso, pode mandar um qualquer funcionário lavar o seu carro ou fazer a limpeza da própria residência porque todos os seus funcionários têm de fazer aquilo que ele ordenar e ninguém tem direito a reclamar pelos seus direitos. Chama a atenção dos seus funcionários à frente dos clientes e quando chega o fim do mês, os funcionários têm de lembrá-lo para os pagar. Neusa confessa que uma vez faltou ao trabalho para lavar as roupas porque não tinha nenhum dia de folga.

 

Ana Paula, também trabalhou durante seis meses como empregada doméstica na residência do gerente e ainda prestava serviço no Minimercado Verde e Verde, usufruindo de um salário de 12 mil escudos.

 

Ana Paula alega que foi “despedida porque desapareceu um molho de chaves e desconhecia o paradeiro do mesmo. Fui tratada como lixo, injustamente humilhada e acusada de ter roubado as chaves. Surpreendeu-me a tamanha atitude do patrão porque mesmo sendo em pouco tempo, demonstrava-me confiança e eu honrava demonstrando também que podiam confiar no meu carácter cumprindo da melhor forma todas as tarefas confiadas. Os funcionários estão sujeitos a aturar todos os “abusos” do patrão porque é ele quem manda, mas ele nunca cumpre com os seus deveres como chefe, ninguém desfruta das regalias previstas na lei. Se um produto for roubado por um cliente, os funcionários são os responsáveis pelo pagamento do mesmo”.

 

Ana Paula disse que já prestou queixas à polícia contra o patrão por difamação e injúria.

 

Ambas afirmam que viram os seus direitos violados, chamaram a atenção do patrão numa reunião agendada pelos próprios funcionários, mas nada foi resolvido, por isso, prometem levar o caso à direcção de trabalho.

 

Gerente nega

 

O gerente Carlos Delgado diz que “a funcionária Neusa trabalhou somente três meses e o trabalho da mesma não me agradava porque chegava ao local de trabalho à hora que queria e quando queria, por isso, recorri ao despedimento. No meu entender, por direito, devia-lhe um mês de indemnização, paguei-lhe e ela foi para casa”.

 

Quanto à Ana Paula, o gerente adianta que “a mesma foi questionada sobre o paradeiro das chaves e não soube explicar o desaparecimento e confirmou que no dia do ocorrido não entrou ninguém em casa. É dever dela dar conta daquilo que lhe confiei, por isso, foi despedida com uma indemnização de um mês”.

 

Questionado sobre os direitos dos funcionários, Carlos Delgado mostra desconhecer os mesmos.

 

“Os meus funcionários trabalham para além da carga horária e não há folgas, porque no início foi isso o concordado, devido ao muito trabalho. O mesmo contradiz os funcionários defendendo que “os funcionários são compensados através do pagamento das horas extras”.

 

Carlos Delgado justifica que “no mês de Fevereiro as funcionárias passaram a receber um salário de 11 e 12 mil escudos incluindo as horas extras porque o contrato estabelecido no início com as funcionárias foi de 8 a 10 mil escudos.

 

“Há muitos jovens à procura de emprego, mas na verdade estão à procura de dinheiro e não de trabalho. Passaram muitos funcionários por este estabelecimento e permaneceram o máximo até três meses, porque têm muito trabalho, é necessário muito esforço e espírito de trabalho, não estão dispostos a sacrifícios, auto-despedem-se sem quaisquer justificativas”.

  1. zemas

    querem ter direitos trabalhar que é bom nada, depois vão procurar trabalho no estado ou nos sindicatos ai sim vão ter os direitos todos garantidos

  2. Fiat lux

    A entidade empregadora diz não conhecer a lei e os empregados idem. Estamos na presença de pessoas que desconhecem quais os seus reais deveres e direitos, em matéria laboral. O bom senso devia imperar e as partes ficarem satisfeitas. Como isso não se verificou deviam procurar alguém cujos conhecimentos e sensatez podia servir de árbitro para a melhor resolução da situação, salvaguardando o bom nome do estabelecimento e a satisfação dos ex-empregados. Caso queiram, ofereço-me como árbitro…

  3. Observa´torio JM

    Quanto ao despedimento” por não saber o paradeiro de um molhinho de chaves”, que justificação mais resquícia – isso é clara ausência de justificação. Não consubstancie qualquer causa de despedimento. È despedimento ilícito, sem justa causa.

    Quanto aos atrasos, percebe-se que possa ser justificação para despedimento, pois a soma dos minutos/horas de atraso, ao fim de algum tempo já é prejuízo para o empregador, e prejudica os interesses deste.
    Porém, se têm flexibilidade horária, “ continuam a trabalhar após a sua hora de saída do trabalho”, mesmo que recebem o extra, também essa flexibilidade dever-se-ia ter em conta no horário de entrada. Pois se é verdade que chegando atrasado, prejudica a empresa, o trabalho extra “após o período normal estipulado”, por outro lado, beneficia a empresa. Não podemos ver só o lado negativo por forma a molestar o trabalhador, há que balanciar ambos os lados no interesse destes.

    Na verdade, isso cheira-me reflexo negativo do salário mínimo. Não quiseram despedi-las expressamente com esse fundamento, evitando, assim, as consequências legais, inventaram um resquício qualquer.

    Não há que ter medo. Se entendam que o despedimento é ilícito, recorram aos tribunais. Essa escravidão tem de acabar. Ou é contratada para a caixa, ou é para lavar carros ou é para serviços domésticos. As funções têm de estar balizadas no contrato (ainda que verbal….). Desde logo, não tendo contrato escrito, já é uma boa arma contra a entidade patronal, pois fugiu ao regime fiscal, e, se não lhes deram contrato, já foi o intuito de as escravizar. Ou, por outro lado, se não têm contrato, em situações que deviam ter, não têm de cumprir formalidades, designadamente, subordinação jurídica(ordens, pontualidade assiduidade….), pois há ausência do requisito formal base – o contrato trabalho. Quanto muito prestação de serviços e, aqui, não há que obedecer ordens, nem cumprir horário, mas sim auferem consoante as horas de serviço prestados.

  4. sÓNIA

    Traboi ta pouco por isso k alguns patrão te busá de six funcionários. Ne verde e verde funcionários e obrigod a trabaia mais de 10 horas por dia e sem direito a um descanso semanal e se funcionários contestá ix te ba pe rua acompanhado da seguinte frase “Ne nhe lugar kem te mandá e mim n te po kualker um ne rua hora k n kizer”. Ao k parece k te adiantá nada ba pe direcção de traboi porque ix k te faze nada pe resolve problema e o próprio patrão cheio de confiança te avisá k nem direcção de traboi e nem tribunal tita ba resolve problema. Eis a questão ek k kre kalá: KUAL PORTA K FUNCIONÁRIOS NE ESSE SITUAÇÃO TE BATE?

  5. Soncentino

    É verdade que muitos patrões aproveitam-se da situação do país, mas também é verdade que muitos funcionários não querem trabalho, pensam somente no fim do mês, é verdade também que se ele confiou a casa a funcionaria esta é responsável por ela na sua ausência, mas também é verdade que eles tem direito a folgas semanais e a receber , mas também é verdade que deveriam dar graças a Deus por ter um emprego porque como anda a situação esta difícil para os patrões manterem o seu negócio.

  6. Morena

    Sr. Soncentino, existe patrões que apenas querem enriquecer as custas dos funcionários e esse Sr. Carlos é o tipo deles, pois todo aquele que conhece o mini mercado sabe que ali os funcionários não estão ali apenas para garantirem o fim de mês, ali o trabalho é duro e como já diz o outro, trata-se de escravatura moderna. É certo que ele confiou a funcionária a sua casa, porém esta dividi o trabalho entre a casa e o mini mercado, portando é impossível dar conta de tudo o que se encontra ali.

  7. Cara Sónia

    Qual porta tá baté?..para que servem os advogados e os tribunais…?? R: é precisamente pra isso… bjs

  8. Observatório JM

    Se isso que estão á dizer corresponder a Verdade ” patroes desse tipo li”..ao ponto de dizer é fazer essas coisas, então a situação é mAis grave do que imaginamos: è urgente denuncar essas situações às entidades competentes. Não estão a pedir esmolas, estão e pretendam trabalhar dignamente, por isso nao ha que ficar de jeitinho E ter medo. Os patroes precisam do nosso esforçao pa se enrriquecer…e nós precisamos das medinhas mas com dignidade. PESSOAL É RPECISO FAZER E NÃO,SÓ, FALAR. 😮

  9. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

    Es Dono des lugar ele é chei de mania, imagina kel kata dexa nos amudjer entra na se loja ke nos cartera, até na chinês no ta entra que cartera, conte mas na se loja.

  10. Nelson Cardoso

    A questão é simples: estamos num Estado de Direito e eles existem. Nós é que temos de procurá-los, exigi-los. Pena que muitas vezes não conhecemos os nossos direitos e não recorremos às instituições certas. De igual modo, o trabalhador só se lembra que existe o Sindicato quando estiver envolvido em problemas. Sindicaliza-te e terás direito a um advogado gratuito para defender os teus direitos laborais junto do patronato, da Direcção Geral do Trabalho e dos tribunais.

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