Crianças pedintes : “prefiro pedir esmola e não roubar para ir parar a cadeia como o meu pai“

19/03/2014 07:19 - Modificado em 19/03/2014 07:19

ESMOLAVárias crianças de algumas zonas periféricas da cidade do Mindelo pedem esmolas em frente dos estabelecimentos comerciais da ilha. Uma prática antiga .Só que o número de crianças e adolescentes pedintes tem vindo a aumentar . Sobre os motivos que lhes leva a pedir maioria diz que é para ajudar os país. O que não é certo ,pois sabe-se que muitos utilizam o dinheiro arrecadado para alimentar pequenos vícios . Facto que eles não assumem.

 

Rui é uma das crianças que pede esmola diante de um supermercado no centro da cidade, “a minha mãe vai trabalhar como empregada doméstica e eu aproveito para vir à cidade, pedir para comer”. Questionado se a mãe não lhe deixa comida, Rui declara, “às vezes ela não deixa comida, porque não tem dinheiro para comprar”. Ele estuda o quinto ano, à tarde na Escola de Cruz João Évora. De manhã vira pedinte .

 

Daniel Santos de 9 anos de idade , diz que , às vezes passa fome, quando a mãe não deixa comida, “muitas vezes, como em casa de vizinhos”. A mãe de Daniel trabalha na Frescomar e só regressa à tarde e o pai está preso por furtos, por isso, ele diz que “prefiro pedir esmola e não roubar para ir parar para a cadeia como o meu pai”. Daniel estuda a quarta classe na Escola da Ribeirinha, mas já reprovou duas vezes. O que o indica que pode passar mais tempo a “pedir” do que na escola .

Paulo Renato tem 11 anos e vive com o pai e a madrasta, em Ribeirinha. Adianta que o pai não sabe que pede esmola, “se souber vai proibir-me, porque ele diz que criança tem de estudar”. Paulo diz que só vai para acompanhar alguns amigos e aproveita para facturar algum dinheiro. Neste cenário enquadra-se a maioria dos casos : por influência de amigos começam a pedir para satisfazer alguns vícios e não para contribuir com algum dinheiro para a alimentação .

 

Evandro Lima nega isso porque segundo ele, a mãe não tem condições para sustentá-lo, “peço esmola para ajudar em casa”. Para ele, não é preciso estudar, porque “quero ser mestre de obra e não gosto de estudar”.

 

A maioria destas crianças é de famílias monoparentais, e quando a mãe sai para trabalhar aproveitam para ir ao centro da cidade para pedirem esmola.

 

  1. Eduino

    essas crianças são mais inteligentes e espertos do que o próprio jornalista , pois tem resposta para tudo e sabem qual é a respostas que normalmente gostam de ouvir, pedir para ajudar os pais? pedem para saciar vícios, claro que muitos destas crianças os pais nem sabem dar conta delas.
    obs: sei que esse comentário não sairá de certeza

  2. Andrea Fortes

    “Crianças sao flores da revolução”. Maldita a hora que esta frase foi formulada. E os homens, nao esquecer tambem as mulheres, estonteadas com os slogans ilusórios da revolução perderam todo o controlo sobre o seu desejo sexual.
    Milhões foram investidos em campanhas de consciencialização sobre uma reprodução responsável, milhões foram investidos em artigos anti conceptivos, dinheiro perdido, tempo perdido.
    O libido incontornável e indomavel falou mais alto. A cabeça deixou de funcionar, a noção de responsabilidade desapareceu e o resultado está à vista de todos.
    Uma paternidade irresponsável, crianças trazendo ao colo crianças, miséria alargada e o pior ainda essa explosão duma população jovem e sem nenhuma perspectiva vai funcionar como uma bomba atómica debaixo desta sociedade.
    Crianças que na verdade deveriam ser umas flores e como tais tratadas, pois nao pediram para vir para este mundo, foram finalmente as maiores vitimas da revolução.

  3. Temos fome na terra,uns tem2 3 4traboi outros nao tem nada

  4. Carlos Silva - Ralao

    O comentador Eduino esta certo, infelizmente, uma grande parte das criancas pede dinheiro para saciar vicios. Tem dois grupos de criancas que quase todos os dias vao na minha casa para pedir comida e/ou dinheiro. Eu, apenas, lhes dou comida ou roupa, e em troca, prestam o servico de ir deitar lixo no contentor. Assim sabem que nada na vida cai na nossa mao de graca, e’ preciso correr atras e lutar quando se quer algo. Deve-se fazer primeiro para depois receber.

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