Turquia pede reunião urgente da NATO por causa de jacto abatido pela Síria

24/06/2012 16:19 - Modificado em 24/06/2012 16:19

O Governo turco revelou este domingo ter dados que comprovam que o jacto das suas forças aéreas abatido pela Síria, na sexta-feira, entrou de facto em território do país vizinho mas que foi atingido quando já se encontrava em espaço aéreo internacional. Ancara pediu já uma reunião urgente da NATO para a próxima terça-feira.

 

“Segundo as nossas conclusões o avião foi abatido a 13 milhas náuticas [24 quilómetros] de distância da Síria, ou seja, em espaço internacional”, precisou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ahmet Davutoglu, numa entrevista esta manhã à televisão TRT. O chefe da diplomacia turca frisou ainda que o jacto entrou em espaço aéreo sírio por erro e que já se tinha afastado quando, “vários minutos depois”, foi abatido. Este incidente tem um potencial elevado de agravar a actual situação de tensão e deteriorar ainda mais as relações entre Ancara e Damasco.

A Turquia pediu mesmo já uma reunião urgente dos aliados na NATO, foi revelado por fonte diplomática turca à agência noticiosa francesa AFP. Esta fonte precisou que Ancara invoca o artigo 4º do tratado fundador da organização, segundo o qual um dos países membros pode levar ao Conselho da Aliança para debate e análise questões em que “a sua integridade territorial, independência política ou segurança esteja ameaçada”.

A reunião ocorrerá na próxima terça-feira, confirmou entretanto porta-voz da NATO, Oana Lungescu, onde é esperado que a Turquia “faça uma apresentação sobre este incidente” perante os embaixadores dos 27 países da organização.

Do lado de Damasco, continua a ser argumentado que o jacto turco, um Phanton F-4, foi detectado pelos radares a voar em espaço aéreo sírio “a alta velocidade e baixa altitude”, e atingido “de acordo com as leis que regem estas situações” – fazendo crer que o engenho ainda se encontraria dentro da zona aérea territorial de 12 milhas náuticas a partir da costa, como assim é definido pelas leis internacionais.

Davutoglu insistiu ainda esta manhã que o jacto abatido pelas defesas aéreas sírias não estava a fazer nenhuma operação secreta relacionada com a crise naquele país – mergulhado em conflito armado desde a eclosão da revolta contra o regime há 15 meses –, antes uma missão de treino para testar as capacidades dos radares turcos.

O F-4 partira da base aérea turca de Erhac, pelas 10h28 (hora local, menos duas horas em Portugal continental) de sexta-feira, tendo o comando militar turco perdido o contacto com o avião pelas 11h59, quando este sobrevoava a província de Hatay. As autoridades de Damasco sustentam que o engenho entrou no espaço aéreo sírio às 11h40 e que dispararam contra ele quando este se encontrava a cerca de meia milha de distância da costa, acabando por cair no mar a uns dez quilómetros para oeste da aldeia de Om al-Tuyour.

Ambos os países prosseguem as buscas pelos pilotos do F-4 desde ontem nas águas do Mediterrâneo e, segundo os media turcos, foi encontrada esta manhã a fuselagem do jacto em águas territoriais sírias a uma profundidade de 1.300 metros.

Este incidente tem o potencial para causar um agravamento sério da crise na Síria e ter um efeito de contágio para os países vizinhos, sobretudo no contexto em que as relações entre Damasco e Ancara azedaram drasticamente ao longo do último ano. A Turquia colocou-se na linha da frente das críticas internacionais ao regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, pela repressão violenta com que reagiu ao movimento de contestação no país, mobilizando tropas e tanques para as cidades onde eclodiram as primeiras manifestações anti Governo em Março de 2011.

Mais de 15 meses passados, um balanço de vítimas mortais que ronda as 15 mil pessoas, e alertas de vários líderes mundiais de estar aberta uma guerra civil na Síria, o antigo aliado e parceiro político e económico de Damasco pede agora, como muitas capitais ocidentais, a partida de Assad do poder. É também um dos mais importantes portos de refúgio para milhares de refugiados do conflito e também de desertores do exército sírio, incluindo o chefe do Exército Síria Livre (braço armado da revolta), Riad al-Assaad – provocando a fúria de Damasco que acusa a Turquia de armar os rebeldes.

Desde sexta-feira à noite, aliás, que o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, avisou que a Turquia “tomará uma atitude definitiva e medidas de forma determinada” depois de apurados todos os pormenores em que o F-4 foi abatido. Mas, até agora, foi também mantida especial cautela nas declarações, evitando tons de provocação, tanto por Ancara como por Damasco, mostrando que nenhum dos dois países está interessado em lançar mão de respostas militares.

 

 

 

publico.pt

  1. Dje Guebara

    Bem por Siria espias ao servicio do NATO.

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