Advogado oficioso “A juíza condenou Zezinho Catana para satisfazer à sociedade”

17/03/2014 01:25 - Modificado em 17/03/2014 01:25

prisao5Zezinho Catana é inimputável ou não? O advogado oficioso sustenta que sim. E declara: “o Tribunal condenou-o apenas para dar resposta à sociedade”. E diz que para cumprir “essa satisfação”, a juíza ignorou todos os laudos médicos apresentados que atestam que o arguido não é uma pessoa que está no seu perfeito estado de saúde. Ele apresenta anomalia psíquica e sofre de psicopatia, conforme um relatório médico feito por três psiquiatras e por uma psicóloga forense.

 

A juíza passou por cima do parecer médico, pois considerou que o “facto de Zezinho Catana ter ocultado um cadáver, de ter tentado esconder as provas que o incriminassem e também levando em conta as explicações que dava pela ausência da vítima, entre as quais que a mesma estava hospitalizada, demonstram que o arguido estava lúcido”. Mas, de acordo com a lei, cabe ao juiz declarar a inimputabilidade do arguido e não os médicos. Ou seja, o acusado deve ser submetido a um exame médico, mas cabe ao juiz decidir se o arguido é inimputável ou não. E a juíza decidiu que Zezinho Catana é imputável: teve a capacidade de entender que o seu acto era ilícito e que agiu de acordo com esse entendimento. Mas é neste ponto que os médicos da área da psiquiatria e os juristas consultados por este online, como o Dr. Aristides Delgado ou o advogado João do Rosário, parecem não concordar com a juíza. Teria o arguido entendido o seu acto quando matou alguém que apenas o ajudou? Terá entendido o seu acto quando esquartejou o amigo, enterrou os ossos e vendeu a sua carne? Terá Zezinho entendido o seu acto quando, em Santo Antão, esmagou a cabeça de um homem apenas para lhe tirar um blusão de ganga que queria vestir porque estava na moda? Teve a capacidade de entender que o seu acto era ilícito e que agiu de acordo com esse entendimento quando, de acordo com a sua confissão e a investigação deste jornal, em São Vicente, matou uma mulher apenas porque esta deitou detergente Tepol, em vez de óleo numa comida? Se sim, estamos na presença do pior criminoso da história de Cabo Verde capaz de entrar na galeria dos crimes horrendos a nível mundial e a pena de 25 anos sabe a pouco e legitima os que pedem o aumento das penas. Se não, o advogado oficioso está certo quando afirma: “a bola está do lado do tribunal que acusou, julgou e condenou um doente”. E mais: que passou 23 anos preso, saiu e voltou a matar. E tudo indica que “pode voltar a matar quando voltar a sair”. Este caso vem chamar a atenção para outros indivíduos que estão a cumprir pena, como o “Cadeirudo” e que existe a consciência que “são doentes, psicopatas que estão presos em vez de estarem a ser tratados e que podem voltar a matar quando saírem da cadeia”.

Zezinho Catana volta para a prisão, mas os factos parecem dar razão ao psiquiatra Aristides Delgado que afirmou: “devia ter sido monitorizado pelas autoridades quando foi colocado em liberdade”.

  1. Alceu Lamas

    Frequentemente, quando zangada, minha avo gostava de referir sempre: BOCA FECHADA, NAO ENTRA E NEM SAI MOSCA! Ela dizia que o homem é inteligente quando procura manter a boca fechada, porque, senão entra m…., tambem nao sai m….

  2. Jova

    O Sr. Advogado, e daiiiiiii???? ha lei as vezes tem que fechar um olho, afinal, num dos simbolos do direito, aparece uma deusa com os olhos vendados. Na sondagem votei “não” porque não estou de acordo com a pena que ele apanhou, apesar de ter sido a maxima estipulada por lei, 25 anos para quem teve coragem de fazer o que ele fez é pouco, a pena de morte seria o mais indicado. Não querendo incitar a violencia….

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