Receitas para carenciados: E quando o doente não está coberto por nenhuma pensão social ou seguro?

13/03/2014 01:49 - Modificado em 13/03/2014 10:07

COOKIE2No meio da guerra da prescrição de medicamentos que se estalou entre o INPS e médicos que assumem que prescreverem as receitas em nome de outras pessoas porque os consultados não têm como adquirir os remédios está um drama que tem a ver, as vezes, com a vida e com a morte.

 

Se por lado o INPS tem o direito de zelar pelo cumprimento da lei e quem não desconta não pode beneficiar. Por outro, deve-se deixar sem remédios quem não pode pagar? E quando na farmácia do Estado não existe o medicamento que precisa? E quando o doente não esta coberto por nenhuma pensão social ou seguro? Deixa-se sem tratamento? Certamente que este ê um problema de pobreza, de abandono dos mais necessitados e que o INPS e médicos foram envolvidos e muito dificilmente um juiz irá resolver esse problema

O NN foi falar com pessoas doentes, carenciadas e sem recursos para comprarem medicamentos.

 

Sofre do coração e fica sem remédios

Cândida Gonçalves tem oitenta e dois anos, foi funcionária da MDR e com o encerramento da empresa foi para o desemprego, recebia uma pensão, mas actualmente foi-lhe cortada porque recebia também uma outra pensão do seu falecido marido no valor de 6000 mil escudos. Diz que “a pensão que recebe não chega para suportar as despesas básicas, mora sozinha e tem de pagar renda, água e electricidade”. Cândida diz passar por diversas dificuldades; a idade já não lhe permite trabalhar e sofre de doenças do coração, é hipertensa, tem problemas nos ossos que lhe dificultam a deambulação. Cândida adquire alguns dos seus medicamentos através do cartão de pensionista da promoção social. Confessa e algumas vezes não encontra certos medicamentos na farmácia do Estado, pelo que tem de procurar solução para os comprar e, muitas vezes, pelo facto dos medicamentos serem dispendiosos não consegue adquiri-los e fica sem o medicamento.

 

Ficou sem remédios para a hipertensão

COOKIE2Alcidia Paula, 40 anos, tem seis filhos, diz estar desempregada e sofre de hipertensão. Admite adquirir os medicamentos através do atestado de pobreza, mas muitas vezes os medicamentos são caros ou não se encontram na farmácia do Estado. Para resolver o problema, pede ajuda a pessoas, tenta juntar aos poucos algum dinheiro para poder comprar o medicamento. Alcidia confessa que já tentou adquirir medicamentos para o filho através de uma amiga beneficiária da Previdência Social mas o médico recusou passar a receita.

 

Sem pensão. como vai ser

Faustino Delgado, sessenta e sete anos, não trabalha porque sofre de problemas da coluna e de uma hérnia. Não possui qualquer ajuda, afirma que “no passado mês de Dezembro de 2013, recebeu uma carta da Previdência Social acusando-o de ser beneficiário de outras pensões, por isso, foi-lhe retirado o seguro ficando sem qualquer pensão.”

COOKIE2Recentemente teve de fazer algumas consultas e certamente vão-lhe receitar medicamentos pelo que “receia não conseguir adquirir os mesmos porque não tem qualquer apoio.

 

  1. Ze Jorge

    Realmente existe muita gente que não tem como adquirir os medicamentos tão necessários para a sua saúde e a única forma é burlando a lei. Entretanto, é sabido que que existe burla com as receitas não com o objectivo de ajudar os mais carenciados mas para arrecadar dinheiro.
    O INPS deveria prestar mais atenção dentro da própria instituição.

  2. Dina

    Sr, Ze Jorge, dentro da Instituição (INPS) não existe médicos! E já agora aproveito para perguntar: Quanto aos pacientes que não podem comprar medicamentos (carenciados), no ato da consulta nas clinicas ( sim, porque muitas receitas são de clinicas privadas) estes são isentados de pagar as respetivas consultas??? São carenciados né???
    Esta pergunta vai para todos, especialmente para Drª Vanda Azevedo!
    Responda se faz favor!!!

  3. Vanda

    Existe alguns pontos a serem focados.Dª Cândida trabalhou no MDR, será que não descontou quando trabalhava? O Sr. Faustino, não trabalha porque é doente e foi-lhe cortada a pensão. Pergunto: se tem um familiar que trabalha é descontada pelo INPS e não usufruir dos seus descontos neste momento, não pode ajudar o seu familiar, porquê?
    Será que quando os beneficiários da INPS ficarem velhos vão ser tratados da mesma forma que estão a tratar esses dois casos, sobre tudo a da Dª Cândida.

  4. Carlos Alberto

    Vocês devem é controlar as empresas de segurança, principalmente a de SONASA que tem pessoas há mais de oito anos a trabalhar sem benificiar de nenhum tipo de seguro. É so ir aos aeroportos onde as seguranças que lá trabalham representa a referida empresa e certificar com os funcionarios. Mas eles já estão todos intimidados que na ora de abordarem o assunto sentem medo de falar. O que o inspector Geral do Trabalho anda a fazer que não sabe dessas irregularidades gritantes k existe em C.Verde.

  5. fernando fortes

    O INPS é um sistema privado.
    A Fármacia do estado é que dá de graça medicamentos aos carenciados.
    O sistema INPS dá cobertura aos seus contribuintes e familiares destes,cobertos de acordo com a lei.

    Qualquer médico que for apanhado a burlar o sistema deve ser punido e obrigado a ressarcir o sistema INPS pelos prejuizos causados.
    O Robin dos Bosques era um fora da lei,mas,vivia escondido.
    Quem quiser armar-se em herói deverá sofrer as consequências.

  6. C. Lopes

    Porque que os médicos não facilitam esse processo. Comportam desta forma para comentarem confusões. Vejam um exemplo: em Achada Grande Trás no Centro de Saúde há uma médica que faz consultas e não atende mais do 8 pacientes e comporta de seguinte forma. Quando chega no posto às 9H00 fica no consultório suportando os barrulhos de doentes em esperam e não esta nem aí faz a primeira chamada ás 11H00 e não leva mais de cinco minutos de atendimento e fica marando vela para chamar o seguinte meia hor

  7. Alexandrino Lima

    Concordo plenamento com “Ze Jorge”, agora uma coisa me fica estranho é a forma como o Sr Jornalista que fez essa peça vem tentando defender o médico implicado nesse esquema fraudulento, acho que esse ja é trabalho do advogado de defesa ou não.

  8. José Fortes

    Flisment cum cá ta duence pá modi um ta morre fepu. Saúde pá tud criston e cá nô escuse remede di terra

  9. Andrea Ramos

    O maior erro que as elites caboverdianas estao cometendo é a sua total cegueira perante as desigualdades sociais que cada vez sao mais claras e a sua ganância e obsessão incontrolavel na obtenção de cada vez mais riqueza material utilizando todos os meios, legais (tudo o que é legal nao é ético) e ilegais.
    A exibição de riqueza é simplesmente pornográfica. A pobreza que se alastra é visivel por todos os lados. Mas o que eles, os usurpadores esquecem ou fingem esquecer é que essas massas desprotegidas e exploradas, essas massas aparentemente dóceis e mansinhas podem transformar-se de um momento para outro no combustível ideal para uma Primavera Crioula.
    E aquilo que lhes foi negado, melhor dizendo roubado, será um motivo, um impulsionador para os retirar da letargia e exigirem, a bem ou a mal, o que lhes é negado.
    Podem dormir descansados nas suas mansões, podem circular com a cara fechada, zangada, com o nariz empinado, com toda a seu orgulho nos seus carrões de alta gama (uma perfeita aberração para um País que vive de esmola internacional e dividas) pois pode ser que um dia, talvez nao muito tarde, serão acordados abruptamente quando esses explorados lhes baterem a porta nao pedindo esmolas mas exigindo o que lhes foi negado para nao dizer roubado e estorquido.
    E essas massas andam apenas à espera dum “Capitão Ambrósio” e esse Capitão Ambrósio, surge sempre e ironicamente no seio das elites. Quem sabe se esses médicos irreverentes e nao conformistas com todas essas injusticas e desigualdades sociais são os anunciadores duma Primavera Crioula?

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