Detectado destroço que poderá pertencer ao avião da Malaysia Airlines

10/03/2014 08:38 - Modificado em 10/03/2014 08:38
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Malaysia AirlinesO aparelho pode ter tentado inverter a marcha, revelaram os dados dos radares. A confirmação de que dois passageiros embarcaram com passaportes falsos levanta possibilidade de se ter tratado de um acto de terrorismo.

 

Enquanto não se confirma se um destroço avistado por um avião militar do Vietname a flutuar no oceano pertence ao Boeing 777 da Malaysia Airlines, que desapareceu na madrugada de sábado com 239 pessoas a bordo, as equipas de investigação inclinam-se para a possibilidade de a aeronave se ter desintegrado em pleno voo, a cerca de 35 mil pés (dez quilómetros) de altitude.

Fontes malaias ligadas à investigação do incidente disseram à agência Reuters que “o facto de não se terem encontrado ainda nenhuns destroços parece indicar que o avião se tenha desintegrado durante o voo”. Mas as causas para essa eventual ocorrência permanecem obscuras: “Estamos a verificar todas as possibilidades”, repetiu o ministro dos Transportes e da Defesa da Malásia, Hishamuddin Hussein, que não exclui a hipótese de o avião ter sido alvo de um ataque terrorista.

 

Essa hipótese ganhou alguma consistência depois de se confirmar que pelo menos dois dos passageiros do voo MH370, de Kuala Lumpur para Pequim, embarcaram com passaportes falsos. Agências de segurança internacionais, incluindo a Interpol e o FBI, estão a colaborar com as autoridades da Malásia para rastrear os movimentos desses dois indivíduos, bem como de outros dois que são considerados suspeitos.

 

Na Tailândia, foi aberto um inquérito para investigar a eventual existência de uma rede de tráfico de passaportes a partir da ilha de Phuket, onde reside Luigi Maraldi, um cidadão italiano cujo nome constava no manifesto do voo e um outro nacional austríaco, Christian Kozel, que reportou o roubo do seu documento de identificação, há cerca de dois anos.

 

“É demasiado cedo para especular sobre qualquer relação entre estes passaportes roubados e o desaparecimento do avião, mas é claramente um motivo de grande preocupação que qualquer passageiro seja capaz de embarcar num voo internacional depois de exibir um passaporte roubado e registado na base de dado da Interpol”, referiu o secretário-geral daquela organização de polícia internacional, general Ronald Noble.

 

A Interpol disse em comunicado que estão em curso diligências para estabelecer as verdadeiras identidades das pessoas que voaram com os documentos roubados, e também para confirmar a autenticidade de todos os outros passaportes usados pelos passageiros do voo MH370, que desapareceu misteriosamente do ar – sem emitir nenhum sinal de alerta ou pedido de socorro – cerca de uma hora depois da descolagem.

 

A Autoridade Civil de Aviação do Vietname informou que um dos aviões envolvidos na missão de busca avistou um “objecto” a flutuar no oceano na sua zona marítima, a cerca de 80 quilómetros da ilha de Tho Chu – a mesma zona onde, na véspera, foram detectadas duas largas manchas de combustível, paralelas entre si. O general vietnamita Vo Van Tuan disse ao jornal Thanh Nien que as autoridades admitiam que o destroço pudesse ser uma porta do Boeing 777, mas as condições de luminosidade não permitiram fazer uma identificação correcta.

 

De acordo com o investigador da Malásia citado pela Reuters, se o avião se tivesse despenhado intacto de uma altitude de 35 mil pés, desfazendo-se apenas com o impacto na água, as equipas de busca deveriam encontrar destroços numa zona relativamente concentrada do oceano. Questionado sobre a possibilidade de uma explosão, por exemplo de uma bomba a bordo, o especialista disse não dispor de dados que apoiassem essa teoria.

 

Uma fonte governamental norte-americana disse ao jornal The New York Times que uma primeira revisão feita pelo Pentágono aos dados de um programa de vigilância que regista explosões em qualquer parte do mundo não encontrara nenhuma ocorrência na zona onde o avião desapareceu.

 

O responsável pela Força Aérea da Malásia, Rodzali Daud, revelara em conferência de imprensa, que os radares que faziam o acompanhamento do avião mostram que o aparelho terá saído de rota e iniciado uma manobra de inversão de marcha antes de desaparecer – o que levou as autoridades a alargarem o perímetro de buscas no mar na zona do golfo da Tailândia.

 

A maioria dos passageiros do voo MH370 da Malaysia Airlines, que partiu pouco depois da meia-noite de sábado da capital Kuala Lumpur, era chinesa, mas havia outras 13 nacionalidades a bordo. Sabe-se entretanto que cinco passageiros que fizeram check-in para o voo nunca embarcaram, e as suas bagagens foram retiradas do porão antes da descolagem. Para já, as autoridades apenas confirmaram a existência de dois passageiros com passaportes falsos a bordo, mas uma agência noticiosa chinesa deu conta da existência de um outro “erro”: um cidadão chinês cujo número de passaporte consta no manifesto de voo não saiu do país e assegura que não perdeu o documento, além de que o nome que aparece associado ao número na lista da Malaysia Airlines não corresponde ao do seu portador.

 

A polícia tailandesa confirmou que as reservas feitas com os nomes dos dois documentos roubados foram efectuadas no dia 6 de Março na cidade de Pattaya, uma conhecida estância balnear daquele país. Os dois bilhetes electrónicos tinham números consecutivos e foram pagos na moeda tailandesa (Bahts): a reserva feita em nome de Christian Kozel previa um itinerário Kuala Lumpur-Pequim-Amesterdão-Frankfurt, enquanto o destino final da reserva em nome de Luigi Maraldi, após a passagem pela capital holandesa, era Copenhaga.

 

No domingo, o presidente da Malaysia Airlines, Ahmad Jauhari, revelou que o Boeing 777-200, que efectuou o voo MH370 de Kuala Lumpur com destino a Pequim, teve um problema numa asa em 2012, na sequência da colisão com um avião que estava na pista do Aeroporto Internacional de Shanghai Pudong. “O avião tinha uma parte da asa cortada. Uma porção, possivelmente um metro, foi arrancada”, disse Ahmad Jauhari aos jornalistas, acrescentando que o problema “foi reparado pela Boeing” e que o avião “estava seguro para voar”.

 

 

 

publico.pt

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