Casas em construção transformadas em retretes

10/03/2014 07:29 - Modificado em 10/03/2014 07:29

casaMuitas zonas da ilha de São Vicente ainda não têm a ligação de esgotos. Muitas pessoas colocam as próprias necessidades fisiológicas em bolsas de lixo ou vão para as chamadas “tchadas”. Mas há quem prefira as casas abandonadas para fazer as necessidades fisiológicas, provocando o mau cheiro nas ruas.

 

Inês Santos acredita que é uma das mais prejudicadas com o mau cheiro, isto porque “moro pegada com uma casa em construção, onde muitas pessoas fazem as suas necessidades fisiológicas”. Nessa casa já começaram a armazenar o lixo. Para Inês, os donos das casas têm de limpá-las e fechá-las.

 

Ruth Marlene, também se sente incomodada com essa situação: “tenho duas filhas que brincam perto de uma casa onde há todo o tipo de falta de higiene”. Segundo Ruth, no tempo das moscas nem conseguem estar com as janelas abertas porque entram muitas moscas e não sabe onde estavam poisadas. “Para mim, as pessoas deveriam ter mais higiene”, declara Ruth.

 

Celina Teixeira afirma que “as pessoas têm falta de higiene porque têm as “tchadas” e muitas colocam as fezes nos contentores”. Mas Celina diz que mesmo nos contentores, animais e pessoas mexem no lixo pelo que, para ela, “a CMSV deveria fazer mais ligações de rede de esgotos”. Celina acrescenta que as casas que não têm ninguém, deveriam ser vedadas para que as pessoas não conseguissem entrar dentro delas.

 

Fernando Lima partilha da mesma opinião que as outras entrevistadas e adianta que já discutiu com várias pessoas por causa dessa situação, mas tem sempre resposta negativa, “as pessoas dizem a mesma coisa, “tchada” fica longe”. Para ele as pessoas têm de tomar consciência e começar a zelar pelo bem-estar de todos.

 

Os entrevistados pedem que as pessoas tenham consciência e que os donos das casas em construção coloquem blocos nas janelas e portas para vedarem a entrada das pessoas.

 

  1. Maria Fortes

    O problema nao vai diminuir nem desaparecer tao depressa. Há um problema enorme no que respeita a casas inacabadas e que infelizmente nao vao ser acabadas.
    Com o “boom” da imobiliária um grande número de pessoas, sem recursos financeiros suficientes e o minimo de garantia, começou a construir prédios enormes, nao apenas para servir de habitação pessoal mas sim com o intuito de os comercializar.Nao menosprezar tambem o nosso espirito de grandeza e exibição. A nossa típica megalomania.
    Grande parte dessas pessoas perdeu o sentido de realidade e começou a construir cada vez mais prédios altos e o mais alto possível, baseados nos empréstimos concedidos anos atras sem cumprir as regras de concessão de hipotecas como aconteceu na Europa, América, etc, etc,. E o resultado é que o que aconteceu lá fora vai acontecer em Cabo Verde. Esses predios, ou melhor dizendo esses esqueletos prediais vao continuar por muito tempo a “embelezar” as nossas paisagens, principalmente nas fraldas, pois a Camara funciona a passos de caranguejo adiando eternamente o seu desmantelamento e os bancos nao têm interesse nem vantagem de os confiscar. No que respeita ao planeamento das construcoes na periferia, “fraldas” prometo voltar em breve para desmascarar esses pseudo-arquitectos e responsáveis, na maioria (de) formados na União Soviética, Cuba e satélites.
    E com a crise que veio para ficar, vendo o que está acontecendo noutros países, os efeitos da crise no sector imobiliário vai ser catastrofal. E o mais caricato é que continuamos dançando ã volta da cratera do vulcão, indiferentes perante a realidade, como se tudo está correndo muito bem.
    E ninguém fala, ninguém diz nada e nem os bancos atrevem a falar nesta matéria bastante sensível.
    Resta-nos, habitantes destas “fraldas”, transformadas em “tchádas” habituar-nos a coabitar com essas retretes e lixeiras ao nosso redor com todo o perigo para a saúde publica e a inseguranca que esses prédios inacabados reproduzem.

  2. Vitú-Monte Sossego

    Maltas de Soncente tem de párá kess manias de cágá na tud parede!! Li cá é Praia!!!

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.