Observador da ONU forçado a sair da Crimeia

6/03/2014 09:07 - Modificado em 6/03/2014 09:07
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onuO enviado especial das Nações Unidas abandonou a Crimeia após ser ameaçado por homens armados, alegadamente, soldados do exército russo.

 

Robert Serry, enviado especial da ONU para a Crimeia – região russófona no sul da Ucrânia – foi esta quarta-feira retido por homens armados e vestidos com uniformes militares em Simferopol, a capital da república autónoma ucraniana. Um alto responsável da ONU confirmou que Serry tinha sido ameaçado por homens armados e que tinha sido forçado a regressar ao hotel, garantindo que o enviado especial está bem.

“O veículo [do enviado especial] foi bloqueado em Simferopol por homens armados não identificados”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Evguen Perebyinis. “Tentaram inicialmente forçá-lo a ir para o aeroporto, mas ele [Robert Serry] recusou. Continuam a retê-lo”, acrescentou o representante ucraniano, sem dar mais pormenores sobre a localização do enviado especial.

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, afirmou entretanto, numa videoconferência realizada a partir de Kiev, que Serry estava “em frente da sede das forças navais” quando foi abordado por “homens não identificados” e armados que tentaram intimidar e obrigar o enviado especial “a deixar a Crimeia”.

James Mates, jornalista do canal de televisão britânico ITV que acompanhava o enviado especial, afirmou que o Robert Serry recusou-se a seguir os homens e saiu do carro pelo próprio pé, tendo entrado depois num café que ficava nas imediações. James Mates acrescentou que os homens, que usavam braçadeiras “pró-russas pretas e douradas”, ficaram na rua, de forma a impedir que Robert Serry saísse do café.

Depois de se refugiar num café, o enviado da ONU à Crimeia retornou ao seu hotel. Ao fim da tarde, o observador da ONU cancelou a missão, foi para o aeroporto de Simferopol e abandonou a Crimeia.

Dois comícios rivais, pró-Rússia e pró-Ucrânia, foram realizados ao início da noite de quarta-feira na cidade Ucranina de Donetsk. Durante a noite registaram-se confrontos entre apoiantes das duas manifestações, pelo que a polícia de choque ucraniana foi obrigada a intervir para separar os grupos rivais.

Donetsk tem sido a cidade com as mais persistentes manifestações pró-russas numa onda de protestos que eclodiu em toda a cidades do sul e do leste, neste sábado, logo após o presidente Vladimir Putin ter declarado que a Rússia tinha o direito de invadir a Ucrânia para defender os cidadãos russos. Kiev diz que os protestos foram organizados por Moscovo, para apresentar uma justificação para uma grande invasão. Os ucranianos explicam que estas acções têm seguido um padrão muito semelhante ao da Criméia, que as tropas russas rapidamente controlaram.

Um milhar de manifestantes pró-russos retomou durante a tarde desta quarta-feira o controlo do edifício do Governo regional da cidade russófona de Donetsk, no leste da Ucrânia, fazendo uma dúzia de feridos, noticiou a agência de notícias francesa, AFP. Os pró-russos tomaram de assalto a sede da administração regional e hastearam a bandeira russa, depois de terem sido expulsos do edifício durante a manhã de quarta-feira.

Alguns dos manifestantes tinham os rostos ensanguentados, após furarem as barreiras policiais para recuperar o controlo do edifício, situado numa cidade que é um bastião do Presidente deposto Viktor Ianukovich.

Desde segunda-feira, uma centena de apoiantes de uma integração desta região mineira na Federação Russa, ocupava uma parte do edifício do Governo regional, onde içou a bandeira russa. Hoje de manhã, a polícia retirou-os de lá calmamente, sob o pretexto de um alerta de bomba, e a bandeira ucraniana foi novamente hasteada.

Entretanto, as autoridades da Crimeia continuam, nesta quarta-feira, a cercar as imediações de Sebastopol, a mais russa das cidades daquela península do sul da Ucrânia, onde se encontram os últimos focos de resistência leais às Forças Armadas de Kiev. “Aqui não entra nem sai ninguém. Que não lhes ocorra atravessar a barreira ou voa-lhes a cabeça”, avisou hoje, em declarações à agência espanhola, EFE, um membro das milícias de autodefesa que estão a bloquear a estrada de acesso ao aeroporto civil e ao aeródromo militar de Belbek.

O mesmo indivíduo insistiu que não há soldados da Rússia na região, “só crimeanos”, e negou terminantemente que na terça-feira um grupo de soldados ucranianos empunhando uma bandeira do seu país e outra soviética tenham recuperado posições no aeródromo. “É uma montagem que faz parte da guerra informativa lançada por Kiev. Ocorreu noutro lugar, não aqui”, garantiu o homem, referindo-se ao vídeo no qual se pode ver como os militares russos receberam os ucranianos com disparos para o ar.

Entretanto, perto dali, na base da guarda costeira ucraniana de Balaklava, as forças pró-russas de Sebastopol dizem ter tomado o controlo das instalações do que foi uma base secreta de submarinos soviéticos.

No porto de Sebastopol, a tensão também se mantém entre as frotas russa e ucraniana, ancoradas uma em frente da outra, e Kiev denunciou que os barcos russos estão a bloquear a passagem, ato que classificou como agressão.

O primeiro-ministro da república autónoma da Crimeia, Serguei Axionov, fez, na terça-feira, aos chefes das unidades militares rebeldes um ultimato para que jurem lealdade às novas autoridades da península, caso contrário serão penalmente processados.

Axionov, que estimou em 5.500 o número de soldados do exército ucraniano que passaram para o lado da Crimeia, garantiu que aqueles que abandonarem os seus postos serão recebidos com aplausos e não sofrerão represálias.

 

 

cm.pt

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