Daltonismo é doença de foro político

21/06/2012 03:14 - Modificado em 21/06/2012 03:14
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Num louvor que parece ignorar o sentimento geral das pessoas, Abrão Vicente, em luta contra os fantasmas de uma má compreensão de certa mensagem subliminar, defende, no Liberal, a tão badalada mudança de cor do seu partido, logo da imagem fundamental e definidora da identidade do MpD.

Enquanto para a maioria das pessoas a cor da autenticidade, e da esperança, do MpD se afoga num mar de vermelho-laranja e o verde definha e morre de desesperança, AV enche a alma de poesia para nos convencer da insustentável beleza da coisa.

Vejam o que ele escreve neste mesmo jornal: “Permitam que me delicie: que bonito fica o logo do MpD sob o signo do vermelho, que bonito tem sido ver um pouco por todo o país as caravanas do MpD caminhando pelos vales e ribeiras carregando o verde ventoinha banhado no vermelho cheio de coragem…”. Pois é, meu caro Abrão: parafraseando alguém que ainda é vivo e que tu conheces, isto “poesia não é certamente e política não se faz assim”.

Mas, atenção ao daltonismo político! Para já não é vermelho puro, mas um tanto da cor laranja ao gosto de certa sensibilidade que conquistou a alma do movimento. Nada contra quem sofra de falta de percepção cromática, mas, a mim ninguém convence que verde e vermelho, alaranjado ou não, são a mesma coisa.

De igual modo, esta nova nuance político-colorida não é destas autárquicas, mas sim da campanha presidencial de Jorge Carlos Fonseca, que como se sabe, ele sempre fez questão de o afirmar, foi uma candidatura independente.

O que pode acontecer é que a candidatura autárquica de Ulisses Correia, e outras da mesma sensibilidade multicromática, sejam de facto independentes. Na verdade é certo e sabido que os candidatos autárquicos do MpD, talvez por falta de cultura organizacional, talvez por uma visão muito centrada nos seus interesses particulares, têm uma relação ingrata com o seu partido. Mal são eleitos, marcam as fronteiras da sua independência e deixam o partido com pouco mais do que o pau da bandeira da vitória. Isto, quando ela é alcançada, porque em caso de derrota a organização arca com todos os prejuízos da casa e fica de mãos a abanar. E olha lá!

Brandindo a pena com destreza, Abrão Vicente proclama estado de prontidão e luta contra a perseguição política, compadrios e seleção à base da simpatia partidária. Pelos vistos, estes são demónios desconhecidos pelas bandas do movimento, onde irmão do chefe manda e desmanda sem função e na sombra, primos e compadres são cooptados para órgãos superiores de mando e controlo, sem capacidades (re)conhecidas e sem argúcia na gestão da coisa coletiva.  Nepotismo? Nem pensar!

Há, na pena de Abrão Vicente, um medo que contagia e só não paralisa, certamente porque os combatentes são pessoas valentes, de barba rija. Ou então, talvez porque os riscos não sejam assim tão grandes como alguns ameaçadores moinhos de vento poderão fazer crer.

O mesmo medo, o mesmo tremor encontra-se na prosa menos poética de João Cardoso, também no Liberal, repentinamente incomodado com a candidatura de Nando Moeda, vá-se lá saber porquê.

Com toda a evidência, o escriba está não apenas incomodado, mas preocupado, desorientado, desesperado, atarantado, em estado de pânico com o crescendo da campanha de Nando Moeda, que, não sou bruxo, mas sinto que lhe está a palpitar alguma desgraça.

De Nando Moeda, limita-se a dizer “ao que sabemos FM foi assessor de Ministro ou Ministros, durante a I República. Desconhecemos em absoluto o seu desempenho nessa função”.

Francamente, não compreendo como é que algumas pessoas insistem em opinar e escrever sobre coisas que ignoram. Fazendo eu também tábua rasa de assumida ignorância, a única razão que me ocorre é este medo, esta inquietação, este pressentimento agoirento de uma desgraça iminente que tolda o pensamento e não deixa apreender as mais claras limitações de cada um de nós.

Mas, como para tudo há um remédio, um ex-presidente do MpD já tinha avisado: “quem tem medo, compra um cão.” Falou e disse Agostinho Lopes!

 

 

 

António Sérgio de Matos Barbosa – Tozé Barbosa – tozebarbosa@hotmail.com

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