Rússia assume controlo da Crimeia e recebe apoio da China

3/03/2014 11:08 - Modificado em 3/03/2014 11:08
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crimeiraA Rússia e a China estão de acordo sobre a situação na Ucrânia – informou o Governo de Moscovo, numa altura em há informações de que forças russas assumiram o controlo da Crimeia.

 

A BBC noticiou que não foram disparados tiros mas que a Crimeia está, de facto, sob controlo russo. O chefe da diplomacia do Governo de Londres, William Hague, disse também que tropas russas têm já o controlo operacional da região e qualificou a situação na Ucrânia como a maior crise já vivida pela Europa no século XXI.

 

O site da estação britânica noticiou que duas grandes bases militares ucranianas estão cercadas por tropas russas e grupos militarizados locais, que exigem aos soldados ucranianos que cortem com as autoridades de Kiev e passem a obedecer ao governo local, pró-russo.

 

As forças militares russas recém-chegadas à Crimeia são em número muito superior ao dispositivo armado ucraniano, segundo a estação. Guardas fronteiriços ucranianos acusaram na manhã desta segunda-feira a Rússia de bloquear as telecomunicações em partes da Crimeia e denunciaram movimentos navais no Mar Negro, junto a Sebastopol. Alertaram também para a presença de veículos armados no canal de Kerc, no leste. Mais tarde, o ministro da Defesa acusou aviões russos de terem violado o espaço aéreo ucraniano sobre Mar Negro, durante a noite de domingo.

 

O primeiro-ministro ucraniano Arseny Yatseniuk disse entretanto que o seu país não desistirá da Crimeia. “Ninguém vai dar a Crimeia a ninguém”, disse a jornalistas. No domingo, o Presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, pôs o exército em alerta máximo e ordenou a mobilização dos reservistas.

 

Uma multidão pró-russa concentrada junto ao edifício da administração pública local em Donetsk, no Leste da Ucrânia, apelou esta segunda-feira aos funcionários para ignorarem a nomeação do novo governador nomeado pelas poder interino de Kiev, noticiou a agência Itar-Tass. No domingo, manifestantes tinham já hasteado a bandeira russa na cidade.

 

“Concordância de pontos de vista”

 

O acordo de pontos de vista entre a Rússia e a China foi anunciado num comunicado do ministério russo dos Negócios Estrangeiros, segundo o qual, numa conversa telefónica entre os ministros Serguei Lavrov e Wang Yi foi sublinhada a “grande concordância de pontos de vista da Rússia e da China sobre a situação”.

 

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, reafirmou entretanto a defesa da legitimidade do destituído Presidente Viktor Ianukovich e o não reconhecimento das novas autoridades de Kiev. E o ministro das Finanças, Anton Siluanov, disse que o governo de Moscovo tomará uma decisão sobre ajuda financeira à Crimeia até ao fim desta segunda-feira.

 

Numa entrevista à BBC, William Hague manifestou preocupação pela “possibilidade de movimentações russas noutras partes da Ucrânia”. O responsável pelos Negócios Estrangeiros do Reino Unido disse que apesar da Rússia ter legalmente direito a manter tropas na região, o governo de Moscovo deve ordenar o seu regresso às casernas.

 

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia têm marcada para esta segunda-feira uma reunião para discutir a situação na Ucrânia.

 

Face à intervenção russa, os países do G7 condenaram o que classificam como violação da soberania da Ucrânia e suspenderam, para já, a sua participação “em actividades relacionadas com a preparação” da cimeira do G8 prevista para Sochi, na Rússia, no próximo mês de Junho. O G7 é composto pelos sete mais industrializados – EUA, Alemanha, França, Canadá, Japão, Itália e Reino Unido. O G8 inclui os mesmos países, mais a Rússia.

 

Fontes governamentais dos Estados Unidos, que têm mantido contactos com os seus aliados, fizeram saber que Washington privilegia o recurso a pressões económicas a eventuais medida de carácter militar. O secretário de Estado norte-americano John Kerry tem uma deslocação prevista a Kiev, já na terça-feira, para expressar apoio ao governo interino ucraniano.

 

O Presidente Barack Obama falou no domingo com os chefes de governo do Reino Unido, David Cameron, e da Alemanha, Angela Merkel, e com o Presidente da Polónia, Bronislaw Komorowski. Todos concordaram que o “diálogo entre a Rússia e a Ucrânia deve começar de imediato, se necessário com mediação internacional”. Os aliados manifestaram “grave preocupação” pelo que está a acontecer na Ucrânia e expressaram o seu apoio às autoridades interinas de Kiev e aos seus esforços para realizarem eleições em Maio – anunciou a Casa Branca. Prometerem igualmente apoio financeiro à estabilização económica do país.

 

Já esta segunda-feira, os Estados Unidos pediram o envio “imediato” para a Ucrânia de observadores da OSCE (Organização para a Cooperação e Segurança na Europa). O anúncio foi feito numa reunião da organização em Viena. A missão deverá tentar “assegurar a protecção dos direitos das minorias” e o “respeito da integridade territorial”.

 

Serguei Lavrov rejeitou também esta segunda-feira, numa reunião sobre direitos humanos em Genebra, as acusações de que a Rússia está a agredir a Ucrânia e acusou o Ocidente de colocar o seu “calculismo geopolítico” acima do destino do povo ucraniano.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, decidiu enviar à Ucrânia o seu número dois, Jan Eliasson, para avaliar a situação no terreno. E declarou que vai pedir a Lavrov para a Rússia se abster de actos ou retórica que contribuam para aumentar a escalada da crise e procurar o diálogo com as novas autoridades de Kiev.

 

 

 

publico.pt

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