Japão pôs na gaveta mapas sobre dispersão da radioactividade

20/06/2012 00:50 - Modificado em 20/06/2012 00:50
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O Governo japonês não utilizou mapas detalhados com a dispersão imediata da radioactividade, fornecidos pelos Estados Unidos, pouco depois da crise nuclear da central de Fukushima. Nesta terça-feira, vários ministros pediram desculpas.

 

A 11 de Março de 2011, um tsunami atingiu a central nuclear de Fukushima e destruiu os sistemas de arrefecimento, levando a um sobre-aquecimento. Nos dias seguintes, ocorreram várias explosões que libertaram radioactividade para a atmosfera e para os solos.

A agência nipónica Kyodo noticia agora que de 17 a 19 de Março de 2011, aparelhos aéreos militares norte-americanos recolheram dados sobre a radioactividade libertada num raio de 45 quilómetros a partir da central. As informações destinavam-se ao Departamento norte-americano da Energia.

Segundo os mapas da progressão da contaminação, mais de 125 microsieverts de radioactividade por hora estavam a ser libertados até 25 quilómetros a Norte da central. Ou seja, os habitantes da região estavam a ser expostos à dose anual prevista pelo Governo em apenas oito horas.

A 18 de Março, o Departamento norte-americano da Energia enviou os dados à Agência japonesa da Segurança Nuclear (do Ministério da Economia, Comércio e Indústria) e, dois dias depois, ao Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia.

Esta terça-feira, a Agência de Segurança Nuclear japonesa reconheceu ter recebido os mapas através da embaixada norte-americana e do Ministério japonês dos Negócios Estrangeiros a 18 e 20 de Março de 2011. Mas estes nunca chegaram a ser transmitidos ao gabinete do primeiro-ministro nem à Comissão do Nuclear.

Acabou por ser o Departamento norte-americano da Energia a divulgá-los dias depois nos Estados Unidos.

Agora, um funcionário do Ministério das Ciências explicou aos jornalistas que não sentiu necessidade de transmitir as informações, alegando que não conseguiu provar a credibilidade das medições de radioactividade. Além disso salientou que o Governo japonês divulgou os resultados das suas próprias medições em 180 locais.

“É lamentável que os dados não tenham sido partilhados nem utilizados pelo Governo e pedimos desculpa a todas as vítimas”, declarou o ministro da Indústria, Yukio Edano, citado pelo jornal Sankei. Na altura do acidente, Edano era o porta-voz do Governo na divulgação das informações ao público.

O ministro do Ambiente, Goshi Hosono, disse que o facto de o grupo de crise criado para responder à catástrofe de Fukushima não ter usado aqueles mapas constituiu um “enorme problema”. Os mapas dos Estados Unidos mostram a dispersão da contaminação, o que teria sido uma ajuda para as autoridades que definiram os planos de evacuação das localidades. O único critério utilizado foi a distância a que estavam em relação à central nuclear, seguindo um traçado circular.

 

 

 

 

 

publico.pt

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