Polícias apanhados alcoolizados no serviço serão punidos

24/02/2014 00:08 - Modificado em 23/02/2014 23:34

pn5A lei seca lançada pelo Ministério da Administração Interna para a punição de agentes e Oficiais da Polícia Nacional apanhados a beber em serviço ou a fazer uso abusivo de bebidas alcoólicas e que faltam ao serviço, foi aplicada e executada na ilha de São Vicente. No âmbito dessa medida, três agentes da PN foram demitidos, um terceiro foi reformado e outros colegas estão sob vigilância.

 

Para a Ministra da Administração Interna, Marisa Morais, o consumo excessivo do álcool é um problema que afecta a sociedade cabo-verdiana. No entanto, os agentes da Polícia Nacional devem ser os primeiros a dar o exemplo à sociedade. Marisa Morais condena a atitude dos polícias que fazem uso de bebidas alcoólicas durante o período de serviço. E sublinha que o Ministério que tutela vai continuar a adoptar medidas preventivas e repressivas para controlar a situação no seio da Polícia Nacional.

Punição

No Comando da PN na ilha de São Vicente, o MAI mandou instaurar processos disciplinares a agentes que estavam a ter comportamentos desviantes como o uso abusivo do álcool e a falta de assiduidade ao serviço. Os processos culminaram na cessação das funções de quatro agentes e na suspensão temporária de outro. Num dos casos, um agente que fazia o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, para resolver problemas pessoais, matou um cidadão com a arma de serviço.

A Ministra Marisa Morais considera que “foram situações limites referentes a comportamentos reiterados. Não é pelo facto de serem alcoólicos directamente, embora isso pese nos termos dos Estatutos da Polícia Nacional, que leve a essa linha verdadeiramente repressiva. É uma questão de responsabilidade ética e profissional. Na ilha de São Vicente tivemos situações de homicídio. Estamos a falar de circunstâncias e de questões muito graves que, nesse aspecto, é a situação limite e que por excelência não pode ter outra medida ou alternativa, senão a demissão do agente”.

Fiscalização

A chefe máxima da Polícia afirma que a postura da Direcção Nacional da Polícia Nacional, em relação ao consumo excessivo do álcool não passa apenas por medidas repressivas. Mas considera que é “inadmissível que haja agentes e Oficiais que transportem armas seja fora ou dentro do horário de serviço e que sejam alcoolizados”.

“O aspecto repressivo acontece em situações limites, não pelo facto do consumo do álcool em si, mas pelos comportamentos adoptados sobre o consumo do álcool. A perspectiva da Direcção Nacional tem sido um trabalho de tratamento, as pessoas têm tido oportunidade para se tratarem através dos serviços sociais que possuem gabinetes vocacionados para a questão do álcool. Mas naturalmente, há aqui uma responsabilidade muito forte e todo aquele que é profissional da Polícia conhece o seu Estatuto, conhece as suas obrigações e os seus direitos”.

A Ministra da Administração Interna relembra que a Polícia Nacional faz o recrutamento dos seus agentes na sociedade cabo-verdiana. E defende que a instituição é também o espelho dessa sociedade, mas quer que seja um espelho positivo e acrescenta que as medidas contra o consumo do álcool na Polícia Nacional vão continuar a ser tomadas dentro da lei.

 

  1. Maria Fortes

    Essas medidas vêm bastante tarde e o problema é uma mentalidade difícil de ser contornada. E até agora só se fala em álcool e nao na droga onde os vendedores, traficantes, em casas privadas podem fazer o seu negocio com toda a descontração, dia e noite, contando com o consentimento tacito da policia.
    Os colegas e os chefes nao têm a coragem de denunciar tais comportamentos por uma questão de fidelidade ao grupo e à instituição.

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