Margarida Chantre: “A minha panela desenrasca, porque o desemprego vive lá em casa”

19/02/2014 07:38 - Modificado em 19/02/2014 07:49

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMargarida Chantre, ex-vendedeira ambulante, mora na Ribeirinha com o filho e uma neta de dois anos. O desemprego faz parte do agregado familiar, isto porque o filho encontra-se desempregado. A Margarida é a única com uma fonte de rendimento, pois, com a sua panela, sustenta a sua família e luta contra o desemprego que insiste em morar em sua casa.

Margarida, de 52 anos, assume o papel de chefe de família, na ausência do marido que faleceu por motivos de doença. Diz ao NN que a sua maior preocupação é o futuro da neta e do seu filho de 24 que está no desemprego. Ou como refere, “trabalha no desenrascar”, isto porque presta serviço na desova de mercadorias.

Situação

A mãe garante que o filho trabalha no que aparece para conseguir algum dinheiro para ajudar a família. Contudo, Margarida frisa que o que ganha não dá para fazer nem um tipo de poupança. Por isso, para debelar os problemas da vida, a cidadã passou a vender comida e refere que luta todos os dias para que uma refeição não falte na sua mesa.

A entrevistada como mãe diz que “estou preocupada com o futuro do meu filho que estudou até ao 12º ano, o grau escolar que consegui dar-lhe. É que há cinco anos tivemos muitas despesas com a morte do meu marido, pessoa que era o pilar da família. Com essa situação, Margarida lançou mãos ao trabalho e interrompeu o desejo de mandar o filho para a Universidade”.

Ganha-pão 

A cidadã trabalhava como vendedeira ambulante, mas com a doença do marido deixou essa profissão para lhe prestar os cuidados que necessitava. E com a morte deste teve de arranjar um meio de subsistência, passando a confeccionar aperitivos e comida para vender.

“Consegui apoio para fazer um curso de culinária e depois, por sugestão dos vizinhos, passei a vender comida em minha casa. Faço bolos, pastéis, aperitivos e refeições do dia-a-dia. Mas a minha desenrasca é uma panela de cozinhar na lenha, onde faço comida para vários clientes. São trabalhadores, que não têm tempo para fazer uma refeição em casa e que comem por encomenda. A cachupa e a feijoada são as refeições que dão maior estabilidade financeira ao negócio”.

Perspectivas

A entrevistada considera que se não for feito nada por São Vicente, as perspectivas apontam que as coisas só vão piorar. E cada vez mais jovens estarão sentados em casa, nas “pontas” ou a serem explorados nos serviços que fazem para tirar um dia de trabalho  porque pagam menos, mas adianta que “entre nenhum dinheiro ou pouco, mais vale pouco e mal pago”.

Todavia, Chantre revela que “tal como a maioria dos cabo-verdianos, fazemos uma vida de luta e já estamos habituados a viver com sacrifício”. E que cada um vive o seu dilema de vida.

 

  1. Renegado

    És noticia li ninguém ta interessod na comenta?ou pessoas de Sv ke sta interessod né fala de realidade dês terra.te parecem qe maioria de povo dês ilha tem é só vaidade e ilusão na cabeça kre pensa só na faze

  2. Colin Silva

    se governo q fosse tao”centralizod” situação na Soncente era completamente diferente ma pelos vistos governo t continua t tapa uvid p situação de Soncente de ques ots ilhas tb. regionalização já

  3. Maria José

    Gostaria de ver os comentarios do Senhor deputado Novais sobre esta noticia.
    DEesde já muito obrigado Sr. Deputado pelos seus comentários que acredito chegarao.
    Bom trabalho

  4. Predilecto

    Depois querem falar na descentralização/desconcentração, se cada ilha tem sua especificidade (sem petroleo, ouro, agricultura, pecuária, pesca, turismo, porto, aeroporto etc etc etc).Graça ao único governo (Capital)que distribue o bolo para as 9 ilhas habitadas.Devido a má escolha dos presidentes das Câmaras , o povo está a pagar a factura, vivendo no desemprego, miséria e outros disfrutando de benesses. Zé maria não tem culpa de nada ele só não rouba para satisfazer todas as necessidades de CV.

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