Os novos doentes mentais: os problemas velhos e novas soluções

13/02/2014 00:31 - Modificado em 13/02/2014 00:45

doentes mentaisO NN constatou que na ilha de São Vicente, os doentes mentais aumentam de dia para dia. O Objectivo do Centro de Apoio aos Doentes Mentais-CMSV, é o de tratar os doentes no seio familiar. Famílias e Comunidade não estão preparadas para lidar com os doentes mentais.

 

Para o responsável Administrativo do CADM, Aguinaldo Monteiro, os doentes mentais têm tendência a aumentar e já há alguns dados que apontam para esse aumento. Segundo ele, a ocorrência “pode estar ligada ao consumo de drogas, mas isso ainda é uma probabilidade”.

O centro trabalha numa perspectiva comunitária e não como uma instituição onde esses doentes têm de ser internados, porque “não queremos levar avante a política da institucionalização do doente mental. Nós pensamos em desenvolver projectos que vão ao encontro da família e da comunidade”. Por isso, o CADM da CMSV já está a fazer um conjunto de investigações sobre as principais dificuldades das famílias. “O doente mental não pode ser abordado só a nível institucional, nem individual, é um problema social”, adianta Aguinaldo.

O Centro já está a preparar projectos em que o mesmo serve apenas para casos de descompensação: “o paciente deve ser tratado no seu lugar, juntamente com a família” e o centro responde em casos urgentes, ou seja, “quando há um caso de descompensação, temos de internar o paciente no centro”. A família perde o controlo da situação, o centro tem de actuar para repor a compensação.

Aguinaldo acredita que as famílias não estão preparadas para actuar, pois não têm ninguém para ajudá-las. Para ele, a família e a comunidade são fundamentais no apoio aos doentes mentais, mas não estão preparadas para darem uma atenção especial.

Neste ponto de vista, ele afirma que as famílias têm de saber como lidar com o doente, o que fazer quando o doente descompensa e saber os cuidados primários a prestar.

Para Aguinaldo, preparar as crianças para lidar com os doentes mentais é extremamente importante, “temos de começar pelos mais pequenos. Através de uma sensibilização nas escolas, os alunos têm de saber o que é um doente mental e como lidar com ele”. Acrescenta ainda que a comunidade contribui para degradar um doente mental, todos gozam, mas não apoiam.

O responsável administrativo do CADM-CMSV, afirma que as leis devem ser revistas porque “cada instituição deveria ter pelo menos um doente mental a trabalhar, para lhes dar mais oportunidades para serem integrados na sociedade”.

As famílias e a comunidade devem ter formação de “como lidar com um doente mental” e, para Aguinaldo, há várias personalidades ligadas à saúde mental que têm capacidade para ministrar formações.

 

  1. Bocage

    Infelizmente a constatação é pura realidade e em especial na classe masculina. Se o grogue for considerado como uma droga tenho a impressão que o seu consumo terá uma contribuição enorme neste aumento. Levar em conta as substancias nocivas que esses grogues vendidos a 150 escudos ao litro contêm.
    Para o Centro muita coragem neste grandioso trabalho que vem fazendo. Quanto ao contributo das famílias e sociedade, sou um pouco pessimista, visto nao estarmos em Cabo Verde preparados para lidar com doentes mentais, infelizmente, nao pertence à nossa cultura.
    Contudo agua mole em pedra dura tanto dá até que fura.
    Para o Centro sucesso e que as pessoas e a sociedade em geral assumem as suas responsabilidades.

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