Alcoolismo no trabalho: instituições transformam-se em gabinetes de psicologia

6/02/2014 00:08 - Modificado em 5/02/2014 23:50

medicoA problemática do consumo do álcool durante o horário de serviço tem gerado constrangimentos no funcionamento de instituições públicas e privadas. Na maioria das situações, os casos estão a ser mantidos em sigilo. O certo é que as chefias passaram a exercer o papel de psicólogo e, quando o consumo do álcool fala mais alto, a suspensão temporária bate à porta. E quando o trabalhador lida com o uso de armas ou a condução de veículos… aí é que o perigo bate à porta. 

 

O alcoolismo continua a ser um problema social que afecta a sociedade cabo-verdiana onde as autoridades e empresas mantêm uma própria luta à procura de uma estratégia de intervenção para mudar o rumo da situação. Mas ao que parece, as campanhas de sensibilização têm sido insuficientes para controlar o vício dos cidadãos que encontraram no álcool uma forma de vencerem as adversidades da vida ou um sentido de prazer.

Transtornos

Para além dos prejuízos familiares e sociais, o abuso do álcool está a afectar a vida profissional de cidadãos que colocaram nas mãos dos administradores do seu local de trabalho um problema com um “rótulo complexo”, onde o não tratamento de forma célere pode criar transtornos no funcionamento da instituição.

A ministra da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos, Janira Hopffer Almada, veio a público defender que deve haver mais rigor por parte da entidade patronal em identificar os casos de funcionários com dependência do álcool e encaminhá-los para um tratamento adequado.

Problemas

Na ilha de São Vicente, o problema do consumo do álcool no local de trabalho continua a ser um assunto interdito ao domínio público, não só para salvaguardar a imagem da instituição, mas também do funcionário em causa. Por ser um problema de foro especial, as chefias tendem a resolver a situação dentro da área de serviço, como nos asseguram alguns administradores com quem o NN conversou e que pedem o anonimato.

Os entrevistados asseguram ter a noção que o consumo do álcool tem consequências negativas no local de trabalho e que se traduz, por exemplo, em quebras de produção e qualidade do serviço, conflitos entre colegas ou a renúncia ao trabalho.

“Essas situações culminam em procedimentos disciplinares que muitas vezes determinam a suspensão temporária do funcionário ou cortes no salário. Esta problemática continua a ser um problema interno que deve ser combatido da melhor forma para evitar que continue a ter repercussões negativas no sector da eficiência e da qualidade do serviço” explicam os entrevistados.

Tratamento

Os gerentes sublinham que alguns funcionários tiveram acompanhamento psicológico, mas há quem já tenha sido submetido a tratamento hospitalar. Mas o NN sabe que várias instituições mantêm uma luta acesa, missão que impõe algumas dificuldades, cujo objectivo é eliminar esse problema no seio da classe. As instituições estão à procura de melhores soluções para combater o vício do álcool que muitas vezes leva os funcionários a faltarem ou a abandonarem o trabalho.

 

 

  1. Carlos Ferreira

    Uma percentages bem grande da populacao masculina bem asim como tambem feminina na idade productiva tem uma maior ou menor dependência do álcool.
    Esta proposta é uma das mais copiadas lá fora e nao aplicáveis num país pobre como Cabo Verde onde inclusive os hospitais estao deficientemente apetrechados quanto mais clinicas especializadas nos tratamentos de alcoolicos que sao longos e caros.
    O que precisamos é uma mudança radical de mentalidade perante a aceitação do uso e abuso do álcool.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.