Jovens desempregados ocupam as “pontas”: sentados sem fazer nada

31/01/2014 07:29 - Modificado em 31/01/2014 07:29

desemprego-1Enquanto na Assembleia Nacional ministros e deputados enaltecem a situação e “botam faladura” sobre “o magnífico desempenho” da economia nacional e os deputados da oposição falam do “quanto será magnífica a economia nacional” quando chegarem ao Governo, em São Vicente nos bairros, nas “pontas das esquinas”, ninguém ouve o que os deputados dizem. Sabem que todos os dias chegam cada vez mais jovens para se sentarem na “ponta da esquina”, desempregados , porque a “economia que foi magnífica” no dizer do MpD e que é “magnífica” no dizer do PAICV e será “magnífica” para quem ganhar as próximas eleições, não consegue gerar empregos e leva os jovens para as “pontas” .

 

Na ilha de São Vicente, cada dia que passa é visível o crescimento do número de jovens sentados ao longo das chamadas “pontas” durante todo o dia. Dantes havia só homens, mas hoje em dia, já se nota a presença de mulheres nessas “pontas” sem opção de trabalho.Sem nada que fazer a não ser… Sentar na ” ponta”.

Para muitos a vida já está a tornar-se insustentável, como nos conta Renato Fortes de 26 anos, “tenho apenas o 7º ano, mas desde que saí da escola sempre trabalhei na obra, mas há praticamente um ano e meio que não encontro um dia de trabalho”. Renato já começou a desesperar-se e não está a ver nenhuma opção para breve.

 

Osvaldino Santos está na mesma situação que Renato. Para ele, a situação está complicada porque não tem o que fazer. Pensa muito numa solução mas, infelizmente, ainda sem sucesso. Isso afecta-o psicologicamente: “penso muito porque todas as pessoas têm um trabalho, menos eu, isso pode levar uma pessoa a cometer erros na vida, para buscar meios de sobrevivência”. E acrescenta “meter-se no mundo da criminalidade ou da droga, muitas vezes é derivado da falta de alguma ocupação”.

José Lima, já terminou o 12º ano, mas também quase todos os dias senta-se nas chamadas “pontas” porque, “não tenho nada para fazer dentro de casa, saio e sento-me nas “pontas”. Já procurei trabalho em muitos lugares e dizem-me sempre para esperar, às vezes vou para a cidade ver se encontro algum trabalho, mas é sempre a mesma coisa”.

Lidiane Nascimento, é outra jovem que nos últimos tempos se senta nas “pontas”, pois perdeu o direito ao ensino no 8º ano. Segundo ela, o trabalho está a ficar difícil porque ainda é menor e não tem cabeça para a escola, “eu não posso trabalhar porque não tenho idade para trabalhar e não gosto de estudar e não consigo aprender as coisas como os meus colegas”. Ela diz que lhe restam as “pontas”, até que tenha idade para trabalhar ou alguém que precise de uma pessoa para cuidar de uma criança.

O NN apurou que muitos destes jovens não têm muitas habilitações académicas, nem formação profissional o que torna difícil a sua entrada no mercado de trabalho . Restam a construção civil e os trabalhos domésticos profissões que devido a crise geram poucos empregos.

  1. Jorge Barbosa

    Porquê em vez de ficar sentados na ” Ponta”, estes jovens não mexem. A culpa também é do Governo. Primeiro tentamos fazer para depois exigir, para que a chuva tenha efeito temos que trabalhar a terra. A Lidiane devia tentar fazer uns bolos,donetes para vender, por exemplo conheço um jovem que pede 500$ emprestados vai no Plurim de Peixe compra-os em peixe e depois vende-os por 1.000$, ganha 500$ limpo, se multiplicarmos por 30 ou mesmo 25 dias são 12.500$ por mês, mais do que o salário minimo.

  2. Carlos Silva - Ralão

    É lamentável a situação e conjuntura atual do nosso país, principalmente para estes jovens que não conseguem ver uma luz no fundo do túnel. Se alguém ler o meu comentário e conhecer um destes jovens que entrem em contato comigo na escola Jorge Barbosa, para que eu apresente uma proposta de trabalho.

  3. vassalod

    …de 90 ate agora 14 carlosveiga i zemaria mete sv nesse situacao,,,i no t continua tud na sis rób

  4. Maurino C B Delgado

    Para promover o emprego: -Uma vontade coletiva e um forte desejo para procurar soluções. Gerir o País com competência e seriedade. Combater a burocracia, a corrupção, a preguiça, a fome etc. Mãos à obra e podíamos começar com uma manifestação contra o desemprego para chamar à atenção dos Políticos e altos dirigentes do Estado e dos Municípios para a gravidade do problema porque precisam de uma sacudidura.

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