Lojistas querem que o Governo federal acabe com os “rolezinhos” nos shoppings

21/01/2014 13:57 - Modificado em 21/01/2014 13:57
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brasilA Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) pediu um encontro urgente com a Presidente Dilma Rousseff para discutir o fenómeno dos “rolezinhos”: concentrações de centenas (e às vezes milhares) de jovens em espaços públicos como centros comerciais, para fazer novas amizades, “curtir e zoar”.

 

Os comerciantes querem ajuda federal para suspender estas iniciativas, cuja repetição, alegam, gera insegurança e acarreta graves prejuízos para o seu negócio. “É preciso proibir este tipo de convocação. A Presidente, que chamou as lideranças das manifestações do ano passado, tem de chamar as lideranças desses eventos também”, disse o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, citado pelo jornal Folha de São Paulo.

 

Durante o fim-de-semana, três grandes centros comerciais do centro das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro – que se distinguem por albergarem várias lojas de produtos de luxo – fecharam as portas para impedir a realização de “rolezinhos”, convocados pelas redes sociais.

 

No Rio de Janeiro, tanto o shopping Leblon como o Rio Design Center, situados em dois quarteirões contíguos, permaneceram encerrados no domingo, por motivos de segurança: na página do Facebook que anunciava o “rolezinho” marcado para o local havia mais de nove mil presenças confirmadas. As entradas foram entaipadas e um cordão de seguranças e de polícias, vários deles com cães, rodeava os edifícios. Mas o aparato não desanimou os cerca de 150 manifestantes que responderam ao convite para um “Rolê Activista Boicote a Copa” e resolveram levar por diante o convívio planeado, com o churrasco ao som da música “funk ostentação” a realizar-se no passeio, em frente à porta do shopping Leblon.

 

Os “rolês”, que na sua configuração original não tinham qualquer componente política, evoluíram na última semana de eventos puramente sociais para manifestações de protesto contra a segregação social e racial da população das periferias das grandes cidades – que contam já com o apoio declarado de organizações políticas como o Movimento dos Trabalhadores sem Tecto e de grupos de black blocs. O movimento engrossou em resultado da repressão policial contra os jovens e das medidas encetadas pelos empreendimentos comerciais para proibir o acesso de menores de idade às suas instalações.

 

Em São Paulo, a administração do centro comercial JK Iguatemi, na zona oeste da cidade, decidiu barrar as entradas e “interromper temporariamente as suas actividades” na tarde de sábado, para impedir o acesso dos participantes num protesto contra o racismo e a favor dos “rolezinhos” promovido pelo movimento social Uneafro. Numa nota à imprensa, a gestora do shopping explicou que a decisão foi tomada “para garantir a segurança de lojistas, funcionários e clientes”. “O Shopping Center JK Iguatemi esclarece que respeita manifestações democráticas e pacíficas, mas o espaço físico e a operação de um shopping não são planeados para receber qualquer tipo de manifestação”, lia-se na nota.

 

O centro comercial já tinha recorrido aos tribunais para reconhecer o seu direito a bloquear o acesso de jovens que recorram às suas instalações para “encontros organizados pelas redes sociais”. No entanto, o fecho apressado das portas no sábado levou o grupo de manifestantes – que se tinham comprometido a manter as faixas e bandeiras fora do edifício – a apresentar queixa na polícia por constrangimento ilegal e racismo. “O shopping estava aberto antes de chegarmos, só fecharam as portas porque viemos para cá. Isso é constrangimento ilegal: quem está cometendo o crime são eles e não nós”, declarou o advogado dos manifestantes, Elizeu Soares Lopes.

 

Um tribunal cível de São Paulo emitiu uma “liminar” (decisão provisória) a impedir a realização de “rolezinhos” agendados para os sábados de Janeiro nos centros comerciais Metrô Tatuapé e Metrô Boulevard Tatuapé, na zona leste da cidade. O juiz Luís Fernando Nardelli considerou ser “de rigor estabelecer o limite e impedir a aglomeração de pessoas cujo objectivo precípuo é a realização de tumulto e vandalismo”.

 

“Entrámos na justiça para conseguir protecção, para evitar que bandos entrem no shopping, mas isso não foi suficiente. As autoridades não tomaram uma atitude no sentido de proteger esses empreendimentos”, explicou o dirigente da organização de comerciantes Alshop.

 

Para Nabil Sahyoun, a “invasão” dos centros comerciais pelos jovens dos “rolezinhos” põe em causa a segurança dos lojistas e dos clientes daqueles espaços. “Nos shoppings há mulheres grávidas e crianças, pessoas idosas que entram em pânico quando o local é invadido por 400 ou 500 jovens que saem correndo pelos corredores. Nós estamos revoltados e os consumidores estão revoltados.”

 

A Alshop quer uma solução para o impasse que não passe pelo constrangimento da actividade dos centros comerciais – pelos cálculos dos lojistas do JK Iguatemi, a factura pelo fecho das instalações na tarde de sábado ascendeu a mais de 40 mil reais (cerca de 12.500 euros), com alguns dos estabelecimentos de restauração a reportarem uma perda de 90% das receitas diárias habituais.

 

 

publico.pt

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