Dar fiado para vender é mais um problema que uma solução

16/01/2014 07:57 - Modificado em 16/01/2014 07:57

mercado-de-peixe-mindeloMuitas das peixeiras mindelenses estão a passar por tempos difíceis. Muitas delas julgam que isso se deve ao facto de algumas pessoas pedirem fiado com frequência. Para elas, é uma forma de ajudar os fregueses que, noutros tempos compravam muito, mesmo sabendo que vão enfrentar dificuldades.

 

Sandra Lopes, há pouco menos de dois meses, foi tentar a sua sorte como peixeira. A empresa onde trabalhava faliu há um ano. “Trabalhava numa loja, com 10 anos de experiência, mas faliu e mandaram-nos todos embora. Em 2013, a vida foi muito difícil, já procurei trabalho em vários lugares e ainda estou à espera de respostas”. Cansada de tanto esperar, Sandra resolveu ser peixeira, mas muitos já vão pedir fiado “comecei há pouco tempo, mas muitos já vieram pedir fiado, mas eu não mando, porque assim não consigo tirar o lucro. Sei que perco os clientes, mas tem de ser assim”.

Daniela Santos, tem o seu ganha-pão com a tina de peixe na cabeça mas, ultimamente, tem tido dificuldades porque como a Sandra, vizinhos e familiares pedem peixe fiado. “Há vários meses que muitos vizinhos me pedem peixe fiado e, sempre que cedo, fica a lacuna por preencher e isso vem dificultando a venda”. Mas, felizmente, hoje tenho clientes fixos que até pagam antecipadamente e depois entrego-lhes somente o peixe, isso ajuda-me muito porque tento colocar o dinheiro que dei fiado”.

Por sua vez, Memente Lima, afirma que “sou peixeira há quase 20 anos e graças à profissão, consegui criar os meus filhos e, juntamente com o meu marido, construir uma casa. O dinheiro que ganhava dava para as despesas”. Mas as coisas mudaram e Memente não gostou do rumo que as vendas tomaram: “antigamente não havia essa concorrência que há hoje, mas felizmente ganhei a confiança das pessoas e hoje ganho dinheiro que dá para sustentar as despesas, mesmo fiado”.

Bela Santos, conta ao NN que a vida está muito difícil, mas todos os dias vai ao “Plurim” comprar o peixe. A vendedeira diz que “faço de tudo para vender o meu peixe, porque disto dependem os meus filhos para comerem”. Para Bela, o problema é a crise onde muitos não têm dinheiro para comprar o peixe, mas “ando muitas zonas da cidade e vendo o meu peixe. Quando chego na Vila Nova, felizmente já nem tenho”.

Estas vendedeiras que labutam todos os dias esperam por dias melhores, onde as pessoas possam ter dinheiro para comprar peixe. Por isso, muitas tentam vender no caminho, pois quando chegam na zona onde têm os clientes, várias pessoas vão pedir fiado. Essas peixeiras não desistem e continuam sempre a luta para o sustento.

  1. cavala

    Já consigo visualizar a próxima manchete”Peixeira Bela zangou-se com Ana por esta não ter pago o devido”

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