Síria nega acusações de Clinton de estar a receber helicópteros da Rússia

15/06/2012 07:34 - Modificado em 15/06/2012 07:34
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O embaixador sírio em Moscovo negou esta quinta-feira que o regime de Damasco esteja a receber helicópteros de combate fornecidos pela Rússia, em resposta à denúncia feita há dois dias pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

 

Segundo a chefe da diplomacia dos Estados Unidos, a Rússia estaria a enviar para a Síria helicópteros que, avaliou, “farão escalar de forma drástica o conflito” que se arrasta no país há 15 meses com um saldo de mais de 12.600 mortos – com os analistas a lerem aqui a mais dura crítica feita por Washington ao Governo russo na frente diplomática.

Tais declarações aumentaram ainda mais a pressão sobre Moscovo para inflectir a sua posição de apoio ao regime do contestado Presidente sírio, Bashar al-Assad, cuja brutal repressão da revolta – com bombardeamentos cerrados das populações civis – está a levar cada vez mais capitais ocidentais a pedirem uma intervenção militar sancionada pelas Nações Unidas.

Da acusação de Clinton não ficou claro, porém, se estes helicópteros de combate são novos fornecimentos feitos a Damasco – o que responsáveis da Administração norte-americana disseram ser o “mais provável”, ao diário The New York Times – ou antes cinco aparelhos que a Síria enviara para a Rússia há alguns meses para reparações de rotina e estariam agora a ser devolvidos. “[Clinton] deixou os russos numa posição difícil”, afirmou àquele diário um responsável do Departamento de Defesa norte-americano.

Os Estados Unidos têm vindo a pressionar a Rússia no sentido de adoptar uma posição mais dura em relação ao regime de Assad, sobretudo depois dos reportados massacres, no mês passado, em que o exército sírio é acusado de ter morto centenas de civis com disparos de artilharia sobre cidades densamente povoadas.

Moscovo mantém, contudo, uma política que insiste na busca de uma solução negociada e continua a recusar-se a dar aval no Conselho de Segurança das Nações Unidas a resoluções que condenem as práticas militares de Assad e sancionem o seu regime – mesmo depois de o enviado especial da ONU e Liga Árabe, Kofi Annan, ter admitido que o plano de pacificação a que Damasco deu o seu acordo precisa de ser “reavaliado”, uma vez que os seus termos (incluindo o cessar-fogo e a retirada das tropas e tanques das cidades) jamais foram cumpridos.

E a todas as críticas das capitais ocidentais sobre os fornecimentos de armamento à Síria, a Rússia alega estar a cumprir contratos já existentes que respeitam a fornecimentos de sistemas de defesa aérea, usados contra ataques externos, e jamais armas que possam ser utilizadas pelo regime de Assad no actual conflito interno. Foi essa ideia, de resto, que o embaixador sírio, Riad Haddad, defendeu: “O que estamos a receber são armas defensivas”, alegou.

 

 

 

publico.pt

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