Alcinda Silva: ” apesar de estar empregada …passamos fome”

10/01/2014 00:42 - Modificado em 10/01/2014 00:42

fomeMuitos não sabem, mas há quem passe dias sem levar a panela ao fogão. A verdade é que vários mindelenses passam fome e o Governo e a Câmara Municipal nada fazem para minimizar a situação que cada dia está a piorar com o aumento do desemprego na ilha São Vicente.

 

Esta realidade faz parte da vida de Alcinda Silva de 34 anos, mãe de 2 filhos e empregada doméstica: “ganho 10 mil escudos, mas o dinheiro é todo contado, não dá para cobrir todas as minhas despesas”. Pagava renda, mas com a situação financeira precária, fez dois quartos de tambor: “fiz a minha casa, onde nos dois quartos faço tudo, porque pagava 5 mil escudos de renda e estava com muitas dificuldades, principalmente com a renda sempre em atraso”.

Questionada se não tem ajuda do pai dos filhos, ela declara: “cada um tem o seu pai, mas nenhum sustenta os filhos, sou mãe e pai dos meus filhos, todas as despesas ficam nas minhas costas, é escola, vestuário, comida, saúde, enfim tudo o que uma criança precisa”. E ainda acrescenta: “o pai do menor dava-me dinheiro, mas desde que nos separamos deixou de dar dinheiro há quase cinco meses”.

Para ela, uma frase que nunca pensou utilizar mas que agora usa sempre: “muitas vezes, passamos fome”. Além do salário no final do mês, ela conta com a ajuda dos vizinhos porque segundo ela, ”os vizinhos vêem que ela luta sem medida para cuidar dos filhos e dar uma boa educação”. Alcinda e os filhos já dormiram muitas vezes sem comer, mas ela tenta sempre arranjar algo para comerem mas, se não conseguir, os filhos de sete e de dez anos, dormem de barriga vazia.

A mindelense enfrenta muitas dificuldades para criar os filhos e, ultimamente, começou a fazer pastéis, croquetes e iogurtes, para colocar nalguns estabelecimentos para ver se factura mais algum dinheiro, porque segundo ela, “quando ganho 100 escudos por exemplo, já consigo comprar um pão para os meus filhos jantarem. Ao contrário de muitas pessoas, eu janto pão e chá”.

Ela diz que os patrões não a conseguem ajudar porque também estão a passar por dificuldades financeiras.

Este é o retrato da situação vivida por inúmeros são-vicentinos mas, ainda assim, muitos pensam que em São Vicente ninguém passa fome, mas sim dificuldades.

  1. assim

    Ja era para mudar esta mentalidade, dois filhos com os pais diferentes, o pai do meu filho não da nada, a mulher tenh que comecar ter mais orgulho e não fazer filho so para fazer, tenh que usar a cabeça a inteligencia,tenh PMI de graça ,pela morte de deus organiza a tua vida antes de parrir depois pedir ajuda de outros, mais responsabilidade!!mulher

  2. CidadaoCV

    É sempre a mesma “estória”; “tenho x filhos e os pais não dão nada”. É altura da mulher cabo-verdiana mudar de mentalidade. Se não tem condições de autossustentar-se então não tem condições de ter filhos. Fala-se em “paternidade irresponsável”. Eu diria que antes de se falar em “paternidade irresponsável” deve-se analisar a questão MATERNIDADE IRRESPONSÁVEL. Diria que a maioria (75%?) da chamada “paternidade irresponsável” é na realidade MATERNIDADE IRRESPONSÁVEL, por vários motivos …

  3. ilisio pires

    Penso que existe comentários que não deveriam publicar porque ferem a sensibilidade das pessoas.
    Um grande problema vivido na nossa sociedade é sim a falta de solidariedade para com o proximo, “cada um te pxa brassa pe se sardinha”.
    Os pais devem criar os seus filhos está que é a grande verdade, quer estejam juntos ou separados. Não tenho a certeza mas penso que se colocar os pais destas crianças no tribunal eles serão obrigados ajudar na criação dos mesmos.

  4. Ao "assim"

    Sr “assim”,
    Quem é você para julgar os outros? Se não serve para ajudar, não critica. Ninguém anda a parir porque quer, as vezes acontece por acidente. E a obrigação de uma mãe é cuidar e proteger os filhos. Será que sabes o que é isso? Se tens um pão ou uma peça de vestuário, ajuda, se não tens nada para dar…CALA-TE!!!

  5. Pois!

    Até da vergonha, sou mulher mas confesso que fico escandalizada com esses casos, existem meios de prevenção para quê trazer uma criança ao mundo para vir sofrer. Dois filhos de pais diferentes e nenhum responsabeliza pelos filhos ainda vêm relatar na comunicação social, isso não é problema do Governo nem da Camara MUnicipal senhor jornalista, o governo através do Ministério da saude disponibiliza meios e recursos para fazerem o planeamente familiar : PMI, Verde Fam pilula é de graça. Mulheres po.

  6. Neves

    Esta situação vista de forma superficial parece fácil de comentar e julgar. Porém se aprofundarmos veremos de facto que o sistema político e económico instalado, pouco ou nada faz para apoiar as camadas mais desfavorecidas da sociedade. Em vez disso essas camadas vêem a sua situação se aproximar cada vez mais do abismo. Repare, eu estive a ver uma lista de pensionistas publicado no BO e constata-se uma enormíssima discrepância salarial, e perguntamos – como é possível tamanha injustiça social num país tão pequenino e que vive de ajudas externa!?
    O que se passa em Cabo Verde (e no mundo) em torno da excessiva dependência das pessoas pelo dinheiro, é assunto extremamente complexo que as vezes parece um mega plano muito bem orquestrado. A solidariedade e bondade de antigamente, quase já não existe, por força das dificuldades que todos passam. Imagine, pessoas vasculham comida nos contentores de lixo à vista de todos que passam como se nada fosse, os jovens caem na delinquência sem saber exactamente como e porquê. Enfim o sentimento também vai-se apagando e então passamos a viver todos egoístas, sem espírito e sem coração.
    Como canta Djodje e Ferro Gaita – “Um segundo”, ninguém já não preocupa com o mundo, e deixam a pergunta: “si bu tem um segundo pa bu salva mundo, kuzé ki bu ta fazi”…

  7. Sousa

    Caro articulista,
    Conheço o funcionamento do Serviço Social da CMSV e posso dizer que o Sr. falou com desconhecimento de factos quanto ao papel desempenhado pela Câmara na vertente social. Devia saber antes de escrever inverdades que existe uma Loja Social da CM onde as famílias carenciadas podem aceder a produtos alimentares e vestuários, uma rede de saúde municipal para os idosos, subsídios escolares para crianças e jovens, e muitas outras ações de impacto social. Sejamos sérios!

  8. assado

    Mais responsabilidade mulher? E os pais? Quem devia ter mais responsabilidade? Não é esta mãe que fazde tudo que deve ser culpabilizada. Os famosos “machos” de soncent é que deviam ser chamados à pedra … pouca vergonha do “senhor” assim

  9. criola de soncente

    oh assim ,boca fechada nao sai asneira e nem entra poeira ,use a cabeça antes de escrever asneiras , è de louvar a coragem desta sra ,peço a deus k a ilumine e k lhe de força e coragem para ultrapassar essas barreiras ,k ela tenha sempre em mente k , maes como ela,têm sempre a bençao de deus !!!!! coragem dona alcinda, nao deixe k desocupados como o ASSIM lhe façam perder o moral ,abraços

  10. Mario Matos

    Sou solteiro e como cidadão consciente da minha saúde e das minhas responsabilidades e oriundo dum país europeu, decidi munir dalgumas camisinhas e pela primeira vez. Devo confessar que nao são tao baratas. Mas a saúde nao tem preço, nao só a minha como doutras pessoas pois ter filhos nao pertence mais às minhas opções.
    Chegado em Cabo Verde fiquei espantado quando ouvi dizer que eram cá distribuídas de graça isto é de borla. Claro está pago com os impostos que eu pago na Europa, pois de graça só os cães.
    Dirigi, após uma certa hesitação, a uma das instalações da PMI e qual foi o meu espanto é que a funcionaria ficou satisfeitíssima pois durante algum tempo eu deveria ter sido um dos únicos clientes. Com toda a modéstia pedi 5 camisinhas mas a funcionaria que compreendeu um certo embaraço meu deu-me embrulhado num jornal cerca de 20 com a anotação, o Senhor nunca sabe quantas vai precisar.
    Medidas draconianas como em Cuba, China e outros é
    que precisamos nesta Terra. Alias nós fomos educados politicamente nesses países, portanto nada de estranho.
    Cabo Verde, especial Sao Vicente, mais parece uma selva onde os animais reproduzem sem nenhuma noção de responsabilidade.
    E depois vêm com a lenga, lenga, que a Camara e o Governo é que têm de responsabilizar pelos seus instintos descontrolados e a sua falta de responsabilidade paternal. Quem se lembra do juíz indiano “Chá, Chá, Chá” em S.Vicente nos anos de 60 do século passado com as suas medidas drasticas? Para meter essa cambada de irresponsáveis (homens, mulheres, rapazes, raparigas) no caminho seria o juiz ideal.

  11. Jorge Barbosa

    Infelizmente ainda predomina a mentalidade machista nos caboverdianos. Estes casos devem ser levados a justiça.O problema é que as mães nestas condições não tem rendimento para consultar um advogado, e como os juízes são na maioria homens, não querem criar precedentes,, para que não vire moda.A mãe não consegue fazer um filho sozinho, quer dizer que houve alguém que concordou e que certamente não foi forçado, no máximo poderia esta “fusco”. Que o Pai assuma a sua parte de responsabilidade.

  12. LELA PANANTE

    A mensagem de cunho político que se quer passar, de forma sub-reptícia, é que há FOME em SVicente, por culpa do Governo e da Câmara. Se analisarmos o conteúdo da caixa introdutória, veremos que ele não articula com o desenrolar do artigo. Famílias nessa situação existiram no passado, existem no presente e existirão sempre… INFELIZMENTE!

  13. Artur silva

    Na verdade, uma questão tão complexa não devia ser analisada da forma como está sendo analisada pelo articulista e pelos comentadores.
    Se um país tem governo, o governo deve servir para alguma coisa, falo dos sucessivos governos incluindo o colonial. Refiro-me à educação. É fundamental educar as pessoas, educar não é oferecer camisinha, educar é tornar as pessoas competentes por formar a conseguirem transformar os conhecimentos em comportamentos saudáveis… Continua

  14. Artur silva

    Quantas pessoas, inclusive as que julgam as mulheres com filhos de pais “irresponsáveis” que sabem que o álcool é prejudicial e bebem, quantas sabem que o açúcar, a gordura e o tabaco são prejudiciais e os consomem para depois ficarem doentes e darem prejuízo ao país com gastos na saúde e trabalho aos familiares!?
    portanto, seria óptimo se cada um refletisse com cautela sobre vários aspectos que nos afligem a todos em vez de julgar… anp feliz para todos!

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.