Presos decapitam rivais em prisão no Brasil

9/01/2014 09:16 - Modificado em 9/01/2014 09:16
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Prisao brasilUm vídeo com cenas de terror infelizmente reais revelado pelo jornal brasileiro ‘Folha de S. Paulo’ mostra a que ponto chegou a selvajaria nas prisões do Brasil. Na filmagem, que tem 2m32s de puro horror, presos do Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas, em São Luís, capital do estado do Maranhão (onde 62 reclusos foram assassinados em apenas um ano no meio de uma guerra entre fações rivais), exibem como troféus as cabeças de três rivais, assassinados e decapitados pouco antes.

 

Pelas imagens, percebe-se que as vítimas, antes de serem mortas, foram cruelmente torturadas. Os três homens decapitados, identificados pelo jornal como sendo Diego Michael Mendes Coelho, de 21 anos, Manuel Laércio Santos Ribeiro, de 46, e Irismar Pereira, de 34, apresentam diversos e profundos cortes no rosto e por todo o corpo, feitos por faca ou outro objeto cortante.

De acordo com a ‘Folha de S. Paulo’, que diz que as imagens lhe foram enviadas pelo sindicato dos guardas prisionais do Maranhão, o vídeo foi feito no dia 17 de dezembro passado, quando parte da prisão, que tem capacidade para 1700 presos mas onde se amontoam atualmente mais de 2500, estava dominada por presos amotinados. Os detidos que fizeram o vídeo, e que durante toda a sua duração comemoram efusivamente a morte dos rivais, têm o cuidado de testar e melhorar o foco da câmara do telemóvel que usaram para a filmagem, para que nenhum detalhe escape.

Os presos apanham as cabeças dos rivais, uma delas ainda encostada ao corpo, e mostram-nas para a câmara, comemorando as mortes, enquanto caminham de chinelos sobre a imensa poça de sangue que rodeia as vítimas. Os autores do vídeo têm o cuidado de só mostrarem os pés, tanto os deles quanto os de outros reclusos que estão no local, mas é possível ver-se as silhuetas de alguns refletidas na água e no sangue que encharcam o chão.

SUCESSÃO DE HORRORES

 

As cenas agora divulgadas fazem parte de uma sucessão de horrores que tem feito o Complexo Prisional de Pedrinhas estar nas manchetes dos jornais brasileiros nos últimos dias e que já mereceu até um protesto da Organização dos Estados Americanos (OEA). Além da matança que começou no ano passado, mulheres e irmãs de presos têm sido obrigadas a fazer sexo com os chefes das fações que dividem o comando da cadeia.

Um relatório do juíz Douglas Martins, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revelou em final de dezembro passado que presos com poder dentro do complexo escolhem mulheres e irmãs de outros reclusos para fazerem sexo nos dias de visita, sob pena de, caso elas não aceitarem, o familiar ser executado. As orgias sexuais acontecem em espaços coletivos, pois a prisão tem grandes alojamentos e não celas individuais, à frente inclusive dos maridos ou irmãos das mulheres abusadas.

No fim de semana passado, depois de a Polícia Militar ter assumido o comando da prisão, tentando acabar com a brutalidade, criminosos em liberdade desencadearam uma onda de ataques a autocarros nas ruas de São Luís, incendiando vários veículos com os passageiros ainda lá dentro. Num destes ataques, ocorrido na Vila Sarney, uma menina de seis anos, Ana Clara, ficou com 98% do corpo queimado e morreu, tendo ainda ficado feridas outras quatro pessoas, entre elas a mãe e a irmã da menina.

Ao tomar conhecimento da notícia sobre Ana Clara, o bisavô dela, de 81 anos, sofreu um ataque cardíaco e também morreu. Esta útima terça-feira, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, filha do ex-presidente José Sarney, fortemente criticada por ter deixado a situação em Pedrinhas chegar ao ponto em que está, aceitou a ajuda do governo central e vai transferir os líderes das duas fações rivais para cadeias federais distantes.

 

 

cm.pt

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