Sete anos depois “Noite ilustrada” volta ao tribunal para julgamento

6/01/2014 00:49 - Modificado em 6/01/2014 00:49
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TribunalO programa “Noite ilustrada” da RCV volta ao tribunal para novo julgamento, depois de cerca de sete anos de espera desde o primeiro julgamento. O programa que esteve no ar durante catorze anos foi suspenso depois de uma luta travada pelo seu autor, José Leite, com a direcção da estação para “o respeito dos direitos de autor e também o tratamento igualitário para todos os profissionais” da RTC.

 

O caso vai voltar a tribunal no próximo dia nove de Janeiro. “Foi mais um calvário esperar por uma sentença”, desabafa José Leite. Para o autor, todo o tempo de espera “custou e ainda custa muito”. Diz que frequentemente tem de estar a dar satisfação às pessoas que o abordam na rua sobre o destino do programa e porque não voltou mais para o ar. E não tem dúvidas que sete anos de espera é tempo demais.

 

Leite não esconde o desejo de satisfação pelo tribunal voltar outra vez ao caso e decidir se agiu correctamente na altura. E que em caso de resposta positiva não esconde o desejo e a vontade de retomar o programa. “Não estou à espera de sete anos por uma resposta por orgulho pessoal porque tenho um compromisso com os ouvintes da Noite Ilustrada”.

 

“Se a nova direcção da RTC e também a nova chefia de programas entender que a Noite Ilustrada é um programa válido e se houver essa oportunidade, claramente que voltarei”, sublinha José Leite mas chama a atenção pelo facto do programa ser da sua autoria mas que a grelha de programação pertence à estação.

 

E o sentimento que diz receber das pessoas faz com que tenha a firme ideia de que o programa era do agrado do auditório. Acrescenta que é o sentimento que recebe das pessoas e estes elogios vêm de todas as faixas etárias e de todos os extractos sociais.

 

O que está em causa neste caso

 

Falando com o autor do programa, este explica que a história remonta a sete anos atrás e está relacionada com um spot publicitário de um programa idêntico ao da Noite Ilustrada. Neste spot, era dito que no programa, “Centro da Questão” iriam acontecer os programas que interessavam à nação.

 

Sobre o assunto José Leite afirma: “é uma questão que tem a ver com a ética e a deontologia e o respeito pelo tratamento igual de todos os profissionais. Quanto mais não seja, o spot foi feito pelo director da estação e quando o director da estação assume efectivamente que é neste programa que acontecem os debates que interessam a nação, então está a dizer aos ouvintes, aos potenciais convidados, que devem preferir aquele e não outro programa de debate.

 

Leite relembra que tentou alertar para esta situação de “tratamento discriminatório”. Acrescenta que as pessoas não quiseram entender e, por isso, teve de “defender os direitos morais do programa e direitos de autor e pedir às pessoas que, num prazo razoável, corrigissem a frase e não corrigindo, iria suspender o programa”.

 

José Leite queria que os princípios elementares da constituição, da lei da comunicação social e do próprio estatuto dos jornalistas fossem respeitados, para além da lei dos direitos humanos “que diz no artigo 27 que todo o autor deve defender a sua obra”. E afirma que foi o que fez: “defender a sua obra”.

 

“E num prazo razoável” como a estação não mudou o teor do spot, chegou à conclusão que não estavam reunidas as condições necessárias para continuar e, com o pré-aviso de suspensão, suspendeu o programa. Conta que depois da suspensão o director da estação veio a São Vicente para falar depois de quase quatro semanas de silêncio, mas o “facto já estava consumado”.

 

E diz que o teor do spot só foi mudado quando o assunto foi para tribunal. “Como se vê, faltou a vontade por parte da direcção de programas e do director da estação que deu voz ao spot para que as coisas pudessem voltar à normalidade, não fazendo cumprir o que tinha dito”, finaliza José Leite

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