Recordai continua a ser tradição : é bom lembrar que Jorge é um homem de má consciência

3/01/2014 00:43 - Modificado em 3/01/2014 00:43
| Comentários fechados em Recordai continua a ser tradição : é bom lembrar que Jorge é um homem de má consciência

Cabo VerdeA tradição não pode acabar. . E que Deus nos dê um bom ano “pa no bai , pa no torná bem” . Mais histórias , mais crianças , mais donas de casa , mais recordai porque a tradição não pode morrer . Numa cidade que vive de tradições .

 

Todos os anos, várias pessoas saem à rua no dia 31 de Dezembro para darem as boas festas. Muitas crianças juntam-se para cantar a música de São Silvestre e tentar facturar algum dinheiro para o novo ano. Durante a saída há muitas histórias para contar. O NN foi ouvir as crianças que cantam e as pessoas que as recebem.

 

Cláudia Fortes de 10 anos saiu pela primeira vez e tinha várias histórias para contar. Para ela, foi muito bom e para o próximo ano quer sair de novo: “gostei muito, vi que cada pessoa tem a sua forma diferente de tratar as pessoas, uma senhora por exemplo, abriu a porta e disse-nos “não estou com tempo” e deu-nos com a porta na cara, enquanto que noutras casas, pediam para cantarmos várias vezes”. Jéssica Fortes, prima de Cláudia tem as mesmas histórias mas acrescenta que as pessoas dão muito pouco dinheiro, somente cinco e dez escudos, “apenas duas pessoas deram-nos 20 escudos”.

 

Emely sai para cantar com as amigas há dois anos e diz que todos os anos tem uma história diferente e este ano, a mais interessante foi quando uma senhora lhes deu um escudo para três amigas que cantaram e a senhora disse que iria dar apenas aquilo, porque senão o dinheiro acabava.

 

Railton e Dailson, saem há cinco anos e dizem que gostam muito e que o mais interessante, é que conseguem muito dinheiro a cantar porque vão para muitas zonas e casas, “começamos por volta das 6 horas e vamos até quase à meia noite, mas ouvimos o apito com a família”.

 

Maria Fortes é dona de casa e diz que este ano estava a dar apenas cinco e dez escudos, porque as crianças são “espertas”, são um grupo de cinco e dividem-se num grupo de dois e noutro de três para conseguirem mais dinheiro. No ano passado dava 20 escudos mas desde que me disseram isso, ofereço só dinheiro”. Maria afirma que gosta quando as crianças vão cantar porque recorda a sua infância.

 

Tanha Nascimento partilha da mesma opinião e acrescenta, “apesar de se dividirem em grupos, ainda vêm duas vezes, porque se não nos lembrarmos que já estiveram cá uma vez, ofertamos mais dinheiro”.

 

Diferente das nossas outras entrevistadas, Lavinia Cistina que gostaria que fossem à sua casa mais crianças dar as boas festas, porque “a minha casa fica no alto da Ribeirinha, o caminho é péssimo, muitos não sobem ali e ainda mais à noite, por isso, quando chegam crianças, ofereço 20 e 50 escudos. Os meus filhos gostam de ouvir a música, mas eu não os deixo sair para cantar com medo da violência”.

 

Lúcia todos os anos tem o seu dinheiro para dar às crianças e ainda coloca uma mesa para as crianças que forem a sua casa “preparo sempre para esta época dinheiro e comida para dar às crianças, porque esta tradição não pode acabar”.

 

A tradição não pode acabar e as histórias também não. As crianças que vão cantar reclamam que recebem pouco dinheiro e as donas de casa dizem que as crianças dividem-se para conseguirem mais dinheiro, mas o mais importante é que todos gostam de ouvir a música. E é bom lembrar que ” Jorge é um homem de má consciência , onde vai apanha mais e deixa menos ” . E que Deus nos dê um bom ano “pa no bai , pa no torná bem” . Mais histórias , mais crianças , mais donas de casa , mais recordai porque a tradição não pode morrer . Numa cidade que vive de tradições .

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.