Espanha: “Lei do aborto não pode passar”

27/12/2013 09:25 - Modificado em 27/12/2013 09:25
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politica espanhaMaior partido da oposição acusa o governo de “trocar a liberdade das mulheres por um punhado de votos da extrema-direita” e fala de retrocesso.

 

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) prometeu ontem “parar” o projeto de reforma da lei do aborto do governo de Mariano Rajoy. O líder socialista, Alfredo Pérez Rubalcaba, acusa o governo do Partido Popular (PP) de “trocar a liberdade das mulheres por um punhado de votos da extrema-direita” e sublinhou que “a lei não pode ser aprovada”.

 

Em declarações prestadas após reunião do Conselho de Igualdade do PSOE, na qual participaram representantes de associações de médicos, de mulheres e de juristas, Rubalcaba classificou a lei como “retrógrada” e “hipócrita”. Na sua opinião, Espanha “retrocede mais de 30 anos”, a um tempo em que as mulheres que podiam pagar a deslocação “voavam até Londres ou Lisboa para abortar”.

Quanto às grávidas sem recursos, serão, uma vez mais, “condenadas à clandestinidade” para interromper uma gravidez indesejada, recorrendo a clínicas ilegais ou a meios improvisados que põem em risco as suas vidas, frisou Rubalcaba.

 

O projeto de lei, recorde-se, foi aprovado em Conselho de Ministros e anunciado no dia 20. Ao contrário da lei em vigor desde 2010, proíbe a interrupção da gravidez em casos de malformação do feto. As únicas situações em que o aborto passará a ser possível são a violação e o risco para a saúde física ou psicológica da grávida.

 

Um dado curioso, divulgado ontem pela imprensa espanhola, indica que o número de abortos desceu em 2012, pela primeira vez, desde a lei de 2010. Em relação a 2011, desceu 5%, ou seja, houve menos 5869 abortos em Espanha. Números que contrastam com a subida de 4,71% em 2011, primeiro ano após a aprovação da lei que previa prazos para um aborto lícito, prazos que a nova lei anula.

 

 

cm.pt

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