Nicolás Maduro acusa Casa Branca de fazer “guerra económica” contra Venezuela

23/12/2013 09:23 - Modificado em 23/12/2013 09:23
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maduroO presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou este domingo a Casa Branca de estar por de trás de uma “guerra económica” contra a Venezuela, questionando no entanto sobre o grau de conhecimento que o homólogo norte-americano, Barack Obama, terá da mesma.

 

“Esta guerra económica foi decidida na Casa Branca. Faz parte dos fatores de poder nos Estados Unidos, acreditando que tinha chegado o momento de destruir a revolução bolivariana”, disse.

 

Numa longa entrevista publicada pelo diário Últimas Notícias, o presidente da Venezuela questiona “até onde é que sabia (Barack) Obama? Não sei! Se sabia, muito mau! Se não sabia, também mau, porque tudo foi feito na Casa Branca!”, disse.

 

Explica que “em junho” houve uma reunião, e que tem “os nomes”, com pessoas do “Departamento do Tesouro e do Departamento de Estado” e que houve uma pessoa presente na reunião que “alertou a Venezuela, com tempo”.

 

Frisou ainda que reuniu-se com sete mil empresários antes de avançar com medidas de caráter estrutural para combater a “guerra económica”, a especulação e o açambarcamento de produtos que incluíram obrigar as empresas do país a baixar os preços.

 

Sobre a oposição frisou acreditar que os seus dirigentes têm passado momentos “muito amargos, porque apostaram com muito ódio no curto prazo. Cometeram graves erros de desesperação, de subestimação das forças que têm a revolução e isso leva-os de frustração em frustração”.

 

Por outro lado, referiu-se à recente reunião com autarcas opositores, sublinhando que o chamado diálogo “é a posição da revolução”, sublinhando que foi o falecido presidente Hugo Chávez que “incorporou na política” milhões de venezuelanos que estavam “excluídos numa espécie de ‘apartheid’ social”.

 

“Pela sua pobreza estavam na orfandade absoluta. Chávez incorporou milhões de homens e mulheres à vida social, à vida económica do país. Incorporou à política os esquecidos de sempre (…) também, pela via indireta, a milhões de venezuelanos, inclusive para que exercessem a sua posição contra a revolução em qualquer circunstância e isso converteu a Venezuela numa democracia muito forte, dialogante, mobilizada”, disse.

 

“Os que acreditam no capitalismo continuarão a acreditar nele, nós, que acreditamos no socialismo, continuaremos a acreditar no socialismo. Há pontos impossíveis de ceder nos dois polos que existem, o da pátria, do socialismo, e o da oposição que acredita nas ideias capitalistas e do imperialismo”, disse.

 

Segundo Maduro, a construção do socialismo, passa pelo desenvolvimento da economia para permitir produzir e garantir a alimentação do país, melhorar os serviços públicos e reindustrializar o país.

 

“Temos uma economia que vive de rendas, especulativa, que vive da especulação da moeda para gerar riquezas. Na Venezuela é mais atrativo, para fazer riqueza, especular com a moeda que produzir qualquer coisa, inclusive que traficar drogas”, frisou.

 

Sublinhou que o seu Governo relançará, no primeiro semestre de 2014, uma ofensiva económica e de combate à corrupção com “características demolidoras” através da Lei Habilitante, que foi aprovada pelo parlamento e lhe concedeu poderes para legislar por decreto.

 

Essa ofensiva, será “dura”, disse, porque “há que golpear os setores que se vincularam” com a corrupção, “dentro do Estado, em pleno processo da revolução” e porque “há muita corrupção em setores da direita”.

 

Nicolás Maduro disse ainda acreditar que as medidas do seu Governo para combater a especulação, contribuíram para a vitória “chavista” nas eleições municipais de 8 de dezembro.

 

“Levantou a força de luta dos chavistas (…), a Venezuela tem uma corrente maioritária de forças revolucionárias que está a cerca de 60% e as que se opõem, desde o ponto de vista eleitoral, estão aproximadamente em 40% (…) uma das características que tem o chavismo é que gosta de combater por causas justas”, disse.

 

 

jn.pt

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