Damasco usa crianças como escudos humanos

13/06/2012 01:08 - Modificado em 13/06/2012 01:08
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Um relatório da ONU indica que as crianças sírias estão a ser usadas como escudos humanos pelas forças leais ao líder sírio, Bashar al-Assad. Algumas são colocadas em cima de tanques, a fim de prevenirem os ataques da oposição ao regime de Damasco.

 

Representante Especial da ONU para as Crianças e para os Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy, relata que algumas crianças estão a ser detidas, torturadas e assassinadas em massacres.

Coomaraswamy disse à BBC que a equipa que integra saiu da Síria com relatórios “horríveis” e que nunca viu uma situação semelhante envolvendo crianças em nenhum outro conflito.

“Recolhemos testemunhos e vimos crianças que foram torturadas (…). Também ouvimos falar de crianças colocadas em tanques e usadas como escudos humanos para que a oposição não disparasse”, indicou a mesma responsável.

Mas nem só as tropas do regime usam as crianças, explica Coomaraswamy. O Exército de Libertação da Síria também é suspeito de recrutar crianças para tarefas na linha da frente dos combates.

“Estamos realmente em choque. A morte e mutilação de crianças é uma coisa que vimos em muitos conflitos mas a tortura de crianças em detenção – crianças pequenas, de dez anos – é algo verdadeiramente extraordinário que não vemos noutros lugares”, indicou a responsável. Muitas são amarradas, espancadas, queimadas com cigarros e sujeitas a choques eléctricos, indica o relatório.

No que toca ao massacre de crianças muito pequenas (com menos de 10 anos), Coomaraswamy diz que isso também não se vê em mais lado nenhum. Até ao momento há conhecimento de pelo menos dois massacres: um em Houla, em que morreram 108 pessoas e outro em Qubair, em que morreram 78 pessoas.

Encontra-se neste momento no país uma equipa de cerca de 300 observadores da ONU integrada no plano de paz do enviado especial Kofi Annan que, apesar de estar em vigor desde o dia 12 de Abril, não passa de letra-morta. Apesar dos esforços diplomáticos, a violência no terreno é diária.

 

 

 

publico.pt

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