Mais de doze mil polícias vigiam manifestação anti-Governo em Moscovo

13/06/2012 01:06 - Modificado em 13/06/2012 01:06
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A capital russa mostra-se esta terça-feira de manhã sob um estado policial, com mais de 12 mil agentes das forças de segurança nas ruas à espera do arranque de uma marcha e manifestação anti-Governo – a primeira desde a tomada de posse presidencial de Vladimir Putin –, e um dia depois de vários líderes da oposição terem sido alvos de buscas.

 

Polícias, unidades antimotim e até mesmo as forças especiais afectas ao Ministério do Interior estão mobilizados para “garantir a ordem pública”, foi avançado pela Câmara de Moscovo, que deu luz verde a este protesto. Dezenas de ruas e avenidas estão totalmente fechadas à circulação, com camiões da polícia e dos serviços municipais a bloqueá-las.

A manifestação começou com uma congregação na Praça Putchkin, pelo meio-dia (hora local, menos três horas em Portugal continental), de onde os participantes vão seguir até à Avenida Sakharov, bem no centro da capital, tendo-lhes ali sido autorizada a permanência entre as 12h e as 15h e até um máximo de 50 mil pessoas.

À partida, às 10h, desta nova “Marcha de Milhões” eram contados entre dez mil e 20.000 manifestantes, pela polícia e pelos organizadores, respectivamente. Fonte da polícia de Moscovo actualizou um pouco mais tarde o volume da participação para as 18.000 pessoas. O líder da Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov, sustenta porém que “há já mais de cem mil” manifestantes na marcha, encaminhando-se para a Sakharov vindos de várias avenidas.

Este protesto, convocado para um dia feriado na Rússia, está já marcado por vários sinais de cerco do regime à dissidência interna, e arranca num clima de elevada tensão, depois de as autoridades terem nesta segunda-feira feito buscas nas casas de vários líderes da oposição e convocado alguns deles para responderem esta manhã a interrogatório no Comité Federal de Investigação, a principal agência criminal russa – o que os impedirá de participar no protesto na capital.

O Presidente, Vladimir Putin, deixou já claro esta manhã que a tolerância “à desestabilização” será nula: “Tudo o que enfraquece o país e desune a sociedade é inaceitável. Toda e qualquer decisão ou medida que conduza a tumultos sociais e económicos é inaceitável”, avisou.

Vários websites ligados à oposição russa estavam inacessíveis desde cedo hoje, assim como os de alguns media independentes – como o da rádio Ecos de Moscovo, do jornal Novaia Gazeta e da televisão Dojd, a qual costuma difundir imagens das grandes manifestações anti-Governo –, todos aparentemente vítimas de um ataque de pirataria informática. Tanto o Novaia Gazeta como a Ecos de Moscovo relataram nesta segunda-feira, detalhadamente, as buscas que a polícia fez nas residências de uma dezena de líderes da oposição.

Entre os visados está um dos mais proeminentes líderes da nova geração de activistas da oposição, o popular blogger nacionalista e auto-proclamado “cruzeiro contra a corrupção” Alexei Navalni, o qual esteve preso durante 15 dias, depois do protesto de 6 de Maio passado, véspera da tomada de posse de Putin, que ficou marcado por violentos confrontos entre a polícia e os manifestantes.

A polícia russa fez buscas também na casa do antigo vice-primeiro-ministro russo e líder do partido União das Forças de Direita Boris Nemtsov, do presidente do movimento anticapitalista Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov, e ainda de Ilia Iashin, um dos líderes do Solidarnost (co-fundado por Garry Kasparov) e antigo membro do grupo de juventude do partido liberal Iabloko – todos têem liderado e organizado as manifestações, sem precedentes na Rússia em mais de uma década, que eclodiram após as eleições legislativas de Dezembro passado, vencidas, segundo a oposição, de forma fraudulenta pelo Rússia Unida, o partido de Vladimir Putin.

O Presidente russo, que se mostrara algo tolerante com os protestos da oposição antes da sua reeleição, em Março, assinou na passada sexta-feira uma nova lei que aumenta as multas nos crimes de violação da ordem pública durante manifestações – uma medida que a oposição afirma visar silenciar a dissidência interna.

Esta controversa nova legislação, avaliada como “inconstitucional” até mesmo pelo Conselho presidencial de Direitos Humanos, aumenta de forma muito significativa as coimas referentes à realização de protestos não autorizados e também a actos de desordem pública cometidos durante eventos que receberam o aval das autoridades – em alguns casos em mais de cem vezes o valor anterior: de cinco mil rublos (cerca de 150 euros) para 300 mil rublos para os participantes e o dobro disso para os organizadores dos protestos.

 

 

 

publico.pt

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