Americano que desapareceu no Irão em 2007 era espião da CIA

13/12/2013 12:47 - Modificado em 13/12/2013 12:47
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mundoInvestigação da Associated Press e do Washington Post expõe a verdade sobre aquele que será o refém americano há mais tempo em cativeiro na história dos EUA.

 

Robert Levinson, um antigo agente do FBI que desapareceu na ilha iraniana de Kish em 2007, era na verdade um operacional da CIA que foi enviado em missão por agentes daquela agência de espionagem que não receberam autorização superior.

 

Na sequência de uma investigação levada ao cabo ao longo de anos, a Associated Press (AP) e o Washington Post decidirem revelar a informação por considerarem que o caso mostra “graves erros” cometidos pela CIA e porque os raptores de Levinson devem quase de certeza saber já que este trabalhava para a agência de espionagem americana, justificou Kathleen Carroll, directora executiva da AP.

 

Como em qualquer boa história de espiões a CIA “não tem qualquer comentário a fazer sobre a alegada ligação entre o senhor Levinson e o Governo americano”, fez saber o porta-voz da CIA, Todd Ebitz. “O Governo continua empenhado em devolvê-lo são e salvo a sua família.”

 

A Administração Obama, por seu lado, lamentou que a AP tenha divulgado esta informação. “Sem querer comentar a suposta ligação entre Levinson e o Governo, a Casa Branca e outros elementos do Governo pediram com firmeza à AP para não divulgar esta história, por colocar a vida de Levinson em perigo”, disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. “Lamentamos que a AP tenha optado por difundir esta história que em nada ajuda a trazer Robert Levinson para casa. A investigação sobre o desaparecimento de Levinson continua e estamos determinados a trazê-lo de volta”.

 

Robert Levinson, que se ainda estiver vivo tem agora 65 anos, tornou-se detective privado depois de uma carreira no FBI. As suas deslocações profissionais frequentes despertaram o interesse de analistas da CIA que investigavam circuitos financeiros ilícitos.

 

Uma analista da agência, Anne Jablonski, contratou-o para escrever relatórios sobre informações recolhidas nas suas viagens. Mas Jablonski não era uma agente de terreno e não tinha autoridade para actuar como agente contratante, explicam a AP e o Washington Post. Contrariamente às regras, Levinson correspondia-se com ela utilizando o correio electrónico pessoal desta última.

 

O desaparecimento

No início de 2007, Levinson informou que dispõe de um informador susceptível de fornecer pormenores sobre a corrupção no Irão. Trata-se de um homem, Dawud Salahuddin, de nacionalidade norte-americana e procurado pelas autoridades dos EUA por suspeita de ter assassinado um antigo diplomata iraniano em 1980. O homem tinha-se refugiado no Irão e tornou-se próximo de algumas figuras secundárias do Governo de Teerão.

 

Com o aval de Jablonski, Levinson viaja no início de Março até à ilha de Kish para se encontrar com Salahuddin. Pouco depois de ter chegado ao seu hotel, apanhou um táxi e desapareceu sem deixar rasto.

 

A CIA foi lenta a reagir, segundo a AP: a operação não tinha sido aprovada e a direcção da agência não tinha conhecimento dela. Dez analistas, incluindo Jablonski, foram obrigados a demitir-se e sujeitos a sanções administrativas. Alguns meses depois, a CIA acabará por informar o Congresso, a Casa Branca e a o FBI sobre a verdadeira missão de Robert Levinson.

 

Para o público, ele sempre foi apresentado como um americano que desapareceu durante uma viagem privada. No fim de Novembro de 2013, o Departamento de Estado apresentou-o como o refém americano há mais tempo em cativeiro na história dos EUA.

 

A sua família, que desde de 2010 deixou de receber provas de vida, recebeu 2,5 milhões de dólares para não avançar com iniciativas susceptíveis de revelar a verdade.

 

 

 

publico.pt

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