África do Sul investiga acesso de intérprete acusado de fraude à homenagem a Mandela

13/12/2013 12:38 - Modificado em 13/12/2013 12:38
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MandelaO Governo da África do Sul garante que a segurança do evento de homenagem a Nelson Mandela e aos líderes internacionais que nele participaram nunca esteve em causa, mas informou que está a averiguar as circunstâncias em que o intérprete de língua gestual acusado de fraude foi autorizado a participar na cerimónia.

 

A ministra das Mulheres, Crianças e Deficientes, Hendrietta Bogopane-Zulu, durante uma conferência de imprensa na quinta-feira, citada pela BBC, começou por dizer que a África do Sul “enquanto país não pôs em risco a segurança de ninguém, em especial a dos chefes de Estado”.

 

Depois, a governante adiantou que quando se trata de requisitar serviços desta natureza a preocupação é a qualidade dos mesmos e a capacidade da pessoa os desempenhar, não sendo questionadas eventuais doenças mentais. Mas de todas as formas disse que dada a importância do dia estão a ser investigadas as circunstâncias em que o homem teve acesso ao evento – sendo que há informações que dizem que os responsáveis pela sua contratação desapareceram logo após a polémica.

 

A frase da ministra foi dita depois do suposto intérprete de língua gestual que acompanhou as cerimónias fúnebres de Nelson Mandela na terça-feira, acusado de fraude pelas associações de surdos da África do Sul, ter dito que sofreu um ataque de esquizofrenia durante o evento. Terá sido por isso, justificou, que os gestos que fazia em nada traduziam as palavras dos governantes que discursaram em homenagem a Mandela.

 

Homem garante que toma medicação

Em declarações ao jornal Star de Joanesburgo, Thamsanqa Jantjie, de 34 anos, disse que começou a ouvir vozes e a alucinar enquanto estava no palco, onde discursaram os principais líderes sul-africanos e mundiais. O intérprete, cuja identidade era até então desconhecida, chocou a comunidade surda sul-africana, que o acusou de estar “apenas a abanar os braços”, sem qualquer sentido. O homem garante que toma medicação para controlar a esquizofrenia mas diz não saber o que motivou aquele episódio.

 

Logo após a cerimónia, Cara Loening, directora do Centro Educativo e de Desenvolvimento de Linguagem Gestual da Cidade do Cabo disse à AFP que o intérprete “é uma fraude completa”. “Ele não fez nada, não se viu nem sequer um gesto. Limitava-se apenas a abanar os braços”, disse Loening, acrescentando que o intérprete que traduziu para língua gestual o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “parecia que estava a espantar moscas da cara e da cabeça”.

 

Milhares de pessoas viram pela televisão as polémicas imagens de Jantjie a gesticular enquanto, ao seu lado, falavam líderes como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente sul-africano Jacob Zuma. Porém, para a comunidade surda o trabalho do intérprete foi inútil e até uma falta de respeito. “É uma situação embaraçosa e um desrespeito pela comunidade dos surdos e por Nelson Mandela, que sempre apoiou a nossa comunidade”, disse à AFP o porta-voz da Federação dos Surdos da África do Sul, Delphin Hlungwane.

 

 

 

publico.pt

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