Amnistia diz que UE devia ter vergonha por fechar as portas a refugiados sírios

13/12/2013 12:34 - Modificado em 13/12/2013 12:34
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GuerraOs líderes europeus deveriam “ter vergonha na cara” por continuarem a fechar as portas aos refugiados sírios, acusa a Amnistia Internacional. A organização de direitos humanos considera “patéticos” o número de pessoas fugidas à guerra que os países da União Europeia prometeram receber e acusa-os de não respeitarem os direitos dos que chegam por meios ilegais às suas portas.

 

O comunicado da Amnistia – divulgado um dia depois da chegada a Portugal de 74 cidadãos sírios num voo da TAP oriundo de Bissau – não poupa nas palavras para denunciar a falta de generosidade de uma comunidade que se define como defensora dos direitos humanos, na Europa e fora dela.

 

No seu conjunto, os países da UE comprometeram-se a receber 12 mil sírios, “apenas 0,5% dos mais de 2,3 milhões de refugiados” nos países vizinhos da Síria. Apenas 10 dos 28 Estados-membros ofereceram acolhimento, temporário ou definitivo, aos refugiados, sendo que 10 mil vão ser recebidos pela Alemanha. França aceitou receber 500 pessoas, a Espanha só 35 e Portugal 15.

 

“A UE falhou miseravelmente no seu objectivo de dar um abrigo seguro a refugiados que perderam tudo à excepção da sua vida. O número dos que estão dispostos a realojar é verdadeiramente patético. No seu conjunto os líderes europeus deveriam ter vergonha na cara”, acusa o secretário-geral da Amnistia, Salil Shetty, num comunicado divulgado nesta sexta-feira.

 

A organização sublinha o alerta feito na semana passada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) sobre a “rápida deterioração” das condições em que vivem as centenas de milhares de refugiados no Líbano, Jordânia e Turquia. À sobrelotação dos campos, à escassez de serviços de saúde e educação disponíveis para os refugiados junta-se agora o Inverno rigoroso que, nos últimos dias, cobriu de neve várias regiões do Líbano onde milhares de pessoas vivem em tendas ou barracas – quinta-feira, duas crianças morreram de hipotermia.

 

Arriscar a vida

As portas fechadas não impedem milhares de sírios de chegarem pelos seus próprios meios à Europa: desde o início da guerra, em 2011, 55 mil sírios pediram asilo na UE, quase metade dos quais na Suécia, o primeiro país a oferecer direito de residência permanente aos refugiados, e cerca de 16 mil na Alemanha. Mas leva a que muitos arrisquem a vida para chegar ao continente, diz a Amnistia, lembrando que até Outubro dez mil sírios chegaram de barco às costas italianas e que durante o Verão 650 pessoas morreram afogadas no Mediterrâneo, muitas das quais eram oriundas da Síria.

 

A organização de defesa dos direitos humanos denuncia ainda que há refugiados sírios que foram mandados para trás pela guarda costeira grega e relatos de outros que foram mal tratados pelas autoridades quando chegaram a território grego. Na Bulgária, onde desde o início do ano chegaram cinco mil sírios, há pessoas a viver em centros de acolhimento fechados – o que a Amnistia equipara a centros de detenção – e outros a viver em abrigos precários e sem quaisquer condições sanitárias.

 

“Dezenas de milhares de pessoas arriscaram a vida em viagens perigosas, por barco ou por terra, para chegar à Europa. Centenas perderam a vida no Mediterrâneo. É lamentável que muitos deles tenham arriscado a vida para chegar aqui sejam forçados a voltar para trás ou vivam em condições esquálidas, com comida, água e tratamentos médicos insuficientes”, denuncia Shetty, considerando “lamentável o tratamento” dado aos refugiados nestes dois países de entrada na “fortaleza europeia”.

 

A imprensa britânica sublinha que o Reino Unido está entre os 18 países que não se disponibilizaram a realojar qualquer refugiado, uma recusa reafirmada à BBC e ao Guardian por um porta-voz do Ministério do Interior, explicando que Londres se concentra na ajuda aos refugiados que permanecem na região. “Somos um dos maiores doadores internacionais no auxílio aos sírios – as promessas de 500 milhões de libras que fizemos até agora são superiores ao total do conjunto feito pelos restantes Estados-membros.”

 

Responsáveis da UE disseram também à BBC que a sua prioridade é ajudar os cerca de 6,5 milhões de sírios que estão deslocados dentro de fronteiras e os países vizinhos. Ao todo, argumentam, a ajuda da UE às vítimas do conflito na Síria atinge já 1300 milhões de euros. A Comissão Europeia propôs também uma ajuda de seis mil euros por cada refugiado realojado num país membro, uma proposta que deverá ser avaliada numa cimeira prevista para 19 de Dezembro, adianta a BBC.

 

 

 

publico.pt

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